Acordo Brasil-EUA rifa BNDES

O acordo do entreguismo entre Guedes e Wilbur ganha perna

Entregando o ouro

O acordo bilateral Brasil-EUA, acertado, ontem, pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, e governo Bolsonaro, visa, sobretudo, abrir mercado para as empreiteiras americanas tocarem a infraestrutura brasileira, no lugar das empreiteiras nacionais.

Envolvidas em casos de corrupção praticada por diretores de empreiteiras privadas, nas suas relações com empresas estatais, observa-se, claramente, que punidas não são as pessoas, os corruptos, mas as empresas, ao contrário do que ocorre nos países capitalistas desenvolvidos.

Joga-se água suja do banho com o bebê dentro.

Os corruptos, por meio de delações premiadas, salvam-se graças às maracutaias jurídicas, previamente, acertadas de comum acordo entre eles e a justiça.

As empresas, que, em si, não são causadoras da corrupção praticada pelos seus gestores, acabam atingidas, seguindo rumo da falência, devido à punição em forma de proibição para vender ao governo.

Consequentemente, não poderão mais fazer operações com agentes financeiros públicos, como o BNDES, por exemplo, o qual se torna alvo de esvaziamento, para não cumprir mais esse papel de apoio à empresa nacional.

O banco de desenvolvimento perderá, como destaca o repórter Ribamar Oliveira, do Valor Econômico, sua grande fonte de receita: os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador(FAT), canalizados para investimentos em infraestrutura e expansão das empreiteiras no plano nacional e internacional.

Além disso, terá créditos de, apenas, R$ 70 bilhões/ano, para emprestar à produção, uma ninharia.

Em estado falimentar, sem acesso ao BNDES, as empresas serão substituídas pelas empreiteiras americanas, que abocanharão o filé mingnon da infraestrutura.

Tio Sam feliz

Os empresários americanos chegam, felizes, ao Brasil, como chegaram no Iraque, para fazer a mesma coisa, depois da guerra(1991-2003): reconstruir o país.

Wilbur Ross executará a tarefa de abrir alas para as empreiteiras americanas, no âmbito de acordo comercial bilateral preferencial Brasil-EUA.

Interrompe-se trajetória das empresas nacionais, cuja expansão ocorreu por força do empurrão dado pelo estado nacional, no mercado interno e internacional, a fim de se tornarem competidoras globais.

Prática semelhante exerce Wilbur Ross em nome dos interesses de Tio Sam: abrir mercado para  empreiteiras americanas, no Brasil e na América do Sul.

Com as empreiteiras de Tio Sam, por aqui, adeus corrupção, vigorará, enfim, em terra brazilis, o reinado da virtude.

Até serem destruídas, pela Lavajato, cujos tentáculo se vinculam ao departamento de Justiça dos Estados Unidos, as empreiteiras nacionais ampliavam seu mercado, tanto no território nacional, como sul-americano, africano, do Oriente Médio e asiático.

Até nos Estados Unidos, fizeram sucesso.

Êxito condenado

Foram condenadas pelo seu próprio êxito, mediante argumento forjado pela oposição neoliberal golpista, associada ao capital internacional, de que usavam dinheiro do contribuinte, emprestado pelo BNDES, para jogá-lo fora no exterior, perdendo dinheiro, algo não provado.

Criou-se clima para, agora, liquidar o BNDES, inviabilizando sua ação de agente indutor do desenvolvimentismo nacional, junto com Petrobrás, Eletrobras etc.

A decisão vem na esteira do sucateamento geral das empresas estatais, submetidas à privatização, sem licitação, com autorização do STF, como aconteceu com a BR Distribuidora.

Vende-se patrimônio por preço inferior ao seu faturamento líquido anual.

Na fila da liquidação, Eletrobras, pelo mesmo processo: sem concorrência, sem transparência, sem licitação.

Idem, as oito refinarias da Petrobrás, obedecendo idêntico roteiro entreguista, pelo qual o Brasil passa a exportar óleo bruto do pré sal para as refinadoras americanas e delas importam gasolina e diesel, manufaturados com alto valor agregado.

Impõe-se, dessa forma, a velha prática colonialista de comprar caro produto manufaturado, enquanto vende barato a matéria prima, acumulando deterioração nos termos de troca.

Maldição da Lei Kandir, que desonera do ICMS exportação de produtos primários e semielaborados, com promessa jamais cumprida de compensação pela União.

Sairão prejudicados os setores produtivos nacionais, que perderão vantagem comparativa garantida até agora pelo oligopólio estatal petrolífero como agente desenvolvimentista nacionalista.