Receita da banca para reduzir juro: tomar grana do povo

 

Chefe, a saída é pegar dos mais pobres para dar aos mais ricos. Tô com Chico Anísio, quero que pobre exploda!

Na contramão do mundo

A expectativa é de que o BC, diante do desemprego incontrolável, com economia em recessão, comece a reduzir juro.
Será?
Como se sabe o capitalismo vive a era do juro quase zero, zero ou negativo como resultado dos colapsos dos endividamentos públicos decorrentes das políticas keynesianas, acumuladas desde o pós guerra.
Têm outra coisa para colocar no lugar?
Se tivesse já teriam colocado substituto para Keynes, mas parece que não tem.
As alternativas são austeridades fiscais das quais o capitalismo foge porque destrói, sistematicamente, consumo e produção, levando economia à deflação, modelo neoclássico, século 19, já superado pela história, na falência do lassair faire, com crise de 1929.
Desde o crash de 2008, mais intenso que o crash de 29, é o mesmo remédio dos capitalistas financeiros, que dão as cartas: veneno de cobra contra veneno de cobra.
Homeopatia macroeconômica.
Os bancos centrais, dominados pelos banqueiros privados, o que fazem?
Jogam mais dinheiro em cima de dinheiro, as tais expansões monetárias.
Desmoralizou-se a teoria neoliberal de que inflação decorre de excesso de consumo a requerer juros altos para conter a demanda global, enxugando dinheiro.
Mentira.
Jorram dinheiros e mais dinheiros e a inflação não sobe mais.
Caiu por terra o argumento de que inflação é fenômeno monetário.
Mais dinheiro, mais inflação.
A crise capitalista financeira mostra que mais dinheiro é menos inflação.
Teoria jogada na lata de lixo.
 

Juro, pai da inflação

 
Juro alto, colocado acima, bem acima da inflação, como vem acontecendo no Brasil desde o Plano Real, isso sim, tensiona processo inflacionário.
Ele aumenta custo, que os empresários repassam aos preços, claro.
Extrai-se riqueza da sociedade, dos mais pobres, principalmente, para os banqueiros.
Os capitalistas nacionalistas xenófobos, como Trump, não querem saber de juro positivo.
Brigam contra os BCs, que falam em juro positivo.
Se ele emergir, as dívidas públicas vão para o espaço.
Viriam novos crash explosivos.
Então, o jogo é expandir e enxugar, mas sem aumentar juro, para não implodir endividamento público.
Só no Brasil, predomina a mamata.
Banqueiro no capitalismo desenvolvido não quer saber de juro, como antigamente, porque pode perder seu patrimônio numa tacada implosiva.
Desse modo, a dívida, sem juro, fica parada, elevando-se em relação ao PIB, mas perfeitamente controlável, como demonstram as experiências nos Estados Unidos, Europa, Japão, China, Ásia etc.
Se o juro é zero, prá ligar prá dívida?
Já, se o juro, como por aqui, cresce acima do crescimento do PIB, a vaca vai para o brejo.

Receita da raposa

Os banqueiros tupiniquins lançam livro para combater a inflação e baixar juro, e vem a Brasília, nessa semana, discutir o assunto, no Correio Braziliense.
Engraçado, na mesa de debate, só banqueiro gordo ou banqueiro de calça curta, os assessores de banqueiros gordos.
A receita é a mesma: extrair mais dinheiro da população, sempre mais.
É o caso do FGTS, sugestão deles ao governo que a acata.
Libera-se o FGTS do trabalhador para liquidar seus papagaios nos bancos e ameaça-se apertar pescoço dos empresários, que não recolhem, regulamente, o FGTS, como forma de compensação.
Tenta-se salvar o trabalhador apertando o empresário mal pagador, já sufocado pela redução do consumo, com impostos atrasados nas costas, levando-os aos recorrentes refis da vida.
O argumento da bancocracia é um só: os juros só caem, se os riscos(para eles, claro), diminuírem.
Como?
O Estado libera a grana do trabalhador para passar a eles, livrando-os dos riscos de inadimplência, que já atinge mais de 60 milhões de pessoas.
Que farão com esse dinheiro?
Emprestarão à produção?
Claro que não, se o consumo está estagnado!
Farão o que vem fazendo há anos e anos: comprar mais títulos do governo que rendem o dobro ou triplo da inflação, que está cadente no cenário do subconsumismo tupiniquim.
Sobra dinheiro no caixa dos bancos, que, sem emprestar na praça, devido à política monetária de escassez, via juros altos, são recolhidos pelo BC, em troca de mais títulos.
Economia de papel pintado.
Reduzir o risco dos bancos é isso, passar mais dinheiro para eles.
A ratazana engorda sem parar, ajudada, adicionalmente e principalmente, pela política monetária jurista do BC, comandada por quem, mesmo?
Por eles, os banqueiros.
Raposa tomando conta do galinheiro.
Receituário economicida
E a economia rastejando, fragilizando-se, diante do congelamento de gastos, previsto para durar 20 anos, a fim de acelerar privatizações.
Afinal, sem gastos públicos não tem arrecadação.
Sem arrecadação, as estatais, agentes desenvolvimentistas, como Petrobrás, Eletrobrás etc, não investem.
Programa-se, calculadadamente, o desinvestimento estatal.
Quem está financiando as privatizações?
Os bancos, com o lucro que obtém com os títulos do governo, na base da especulação.
O governo toma dinheiro da sociedade para passar aos bancos que financiam os capitalistas privados a comprarem, na bacia das almas, o patrimônio público sucateado.
Maravilha!
Tem razão o competente repórter José Paulo Kupfer, do UOL, ao dizer que o BC errou feio ao demorar para iniciar redução dos juros.
Desculpe, Kupfer, demora programada, pura chantagem, como a de dizer que iniciaria a redução depois da aprovação da reforma da Previdência.
Malandragem adequada aos interesses da banca.
 
 
https://josepaulokupfer.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/atrasado-no-corte-de-juros-bc-comeca-correr-atras-do-prejuizo