Entreguismo neoliberal mata Paulo Henrique Amorim

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Nacionalista militante

Paulo Henrique Amorim, do site Conversa Afiada, estava sendo perseguido implacavelmente pelo governo ultraneoliberal de Bolsonaro-Guedes, empenhado em entregar os ativos nacionais a preço de banana para os gringos, o mais rapidamente possível.

Era um dos grandes críticos da atual política econômica de esvaziamento sistemático do mercado interno, mediante terapia recomendada pelos credores, FMI e Banco Mundial, de combater a inflação com desemprego e fome do povo.

Nessa batida, com 13 milhões de trabalhadores desempregados, com o PIB sinalizando crescimento negativo, agentes econômicos sem ânimo para nada e quedas seguidas de arrecadação, adeus investimentos públicos, congelados por 20 anos pelo neoliberalismo econômico dominante.

PHA via no sucateamento sistemático da Petrobras, maior empresa brasileira, o ponto central do articulado movimento neoliberal comandado por Paulo Guedes, de modo a levar o Brasil à condição de colônia, à fase anterior a Getúlio Vargas, à República Velha.

Adepto do nacionalismo varguista janguista brizolista, o repórter botava prá ferver no seu site praticando desvairada liberdade de imprensa, sem medo de ser feliz, sempre com conhecimento de causa.

Liberdade, liberdade…

Virou um dos mais enérgicos críticos da Operação Lavajado, montagem americana, segundo ele, para destruir a infraestrutura nacional e dar espaço ilimitado aos vendilhões da pátria.

O exercício da liberdade em sua voltagem máxima, gerando impactos, verdades, mentiras e controvérsias, dentro do mundo bolsonariano de viéS fascistas colocou Amorim, nacionalista, como candidato ao ódio.

Estava marcado para morrer.

Inteligente, contratou, sem pedir, infarto fulminante e escapuliu antes.

As voltagens elevadas de lado a lado (bolsonarismo x nacionalismo)  aumentaram os decibéis e o caldo entornou.

Bolsonaro cortou cabeça de Amorim, na Record, do bispo Macedo, seu ganha pão.

Contra Bolsonaro, manter Amorim, sentando a pua no bolsonarismo, no Conversa Afiada, ficou caro para o bispo.

Amorim era o outro lado que Bolsonaro quer extirpar, ou seja, o pensamento nacionalista midiático.

Os comentários críticos de Amorim estavam fazendo contraponto perigoso ao pensamento neoliberal expelido pela Rede Globo, em cadeia oligopolizada, que engloba a própria Record, no plano da economia e da ideologia do capital.

Neoliberalismo radical

O golpe neoliberal de 2016 levou Amorim ao auge da crítica antinacionalista, entreguista, do novo poder, iniciado por Temer e, agora, democraticamente eleito, Bolsonaro, que cumpre agenda radical de campanha eleitoral balançando estabilidade política nacional.

Amorim buscou energia no nacionalismo para enfrentar bolsonarismo, no ambiente democrático, que não faz efeito diante do capital financeiro, que comanda a economia e os meios de comunicação.

O talentoso jornalista finca raízes nacionalistas em José Bonifácio, construtor mor da nação brasileira, pós-chegada do império português, em 1808..

Herdeiro de Bonifácio e Vargas, outro construtor da nação, Amorim se alinha ao janguismo, ao brizolismo e ao nacionalismo, essência política varguista.

Virou incômodo para o bolsonarismo.

Vai fazer falta suas críticas ao sistema Globo de comunicação, que via como a voz do dono, de Washington, ditando as orientações superiores de Tio Sam, como prioridade absoluta, na colônia tupiniquim.

Suas tiradas irônicas não têm preço: levou-o ao santuário e à execração dos fãs e detratores.

Libertação pós-morte

Morto, Amorim se liberta de penca de processos judiciais que correm contra ele por excessos e posicionamentos políticos ousados e destemidos.

Os antinacionalistas estão eufóricos, ficaram livre da sua faca afiada, temida.

Ele espalhou crítica para todos os lados, à direita, mais, mas, também, à esquerda.

Criticou Lula e o PT com espírito construtivo ao ressaltar que sempre faltou a Lula doses maiores de Getúlio e de Brizola, para conduzir o Brasil.

A esquerda, para Amorim, caiu no conto da falsa política social da direita americana, cultivada pelo Banco Mundial e fundações tipo Ford.

Foi, segundo ele, cooptada, rendendo-se ao equilibrismo orçamentário neoliberal, contra o qual se batia Brizola.

Controverso, Amorim tinha personalidade forte e ótimo farplay, construía sua imagem e sua popularidade com posições progressistas.

Explorou o espaço da esquerda para crescer com seu Conversa Afiada, neo-Pasquim eletrônico, com textos inteligentes, críticos, intensos e provocativos de famosos da mídia conservadora.

Fica no ar o espírito Paulo Henrique Amorim, farol crítico corrosivo.

Me parece que se ele se candidatasse pelo partido nacionalista getulista de resgate nacional das garras dos seus inimigos teria grande chances, para  senador de esquerda nacionalista, pelo Rio ou São Paulo.

Tinha popularidade nos dois grandes centros do país.

Miragem profissional

PHA almejava programa político na Record para abalar o noticiário político da Globo, cada vez mais-mais do mesmo, já enjoando, tipo doce de leite em doses cavalares.

O cara, nesse campo, era um craque.

Grande repórter e editor teve carreira internacional vitoriosa, depois do fim da ditadura indo para a  capital do mundo, Nova York.

Cobriu o neoliberalismo de FHC dos Estados Unidos, da matriz, seguindo as orientações de Tio Sam.

Voltou ao Brasil na Era Lula/Dilma, circulando pelas redações famosas da Band e não tão famosas assim, como Record, central de puxa-saquismo de Bolsonaro.

Pode exercer, entre 2002 e 2014, jornalismo relativamente crítico, sempre chamando atenção para a armadilha da dívida na qual o Brasil caiu para levá-lo, novamente, à condição de colônia, como sinaliza, entre outros sintomas, o acordo Mercosul-União Europeia, que desancou.

Seu auge como artista político engajado, tornando-se personagem singular, pela ênfase nas suas colocações, acontece, nesse tempo de mídia eletrônica, onde a liberdade ainda está livre.

O bolsonarismo, porém, o pegou no pulo e cortou-lhe as asas, na tevê comercial.

Deixou seu negócio, Conversa Afiada, abalado, sem expectativas de futuro, para receber verbas públicas, e encrencado em processos contra os quais lutava bravamente.

Certamente, o coração estressado de 77 anos de idade não aguentou o rojão.

PHA virou mais uma vítima do neoliberalismo tupiniquim.

Tricolar apaixonado