Bancarrota do super-herói global

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Armação midiática

Estão querendo fazer um paralelo entre, de um lado, o que seriam os nobres objetivos da Operação Lavajato, combater a corrupção, e, de outro, a conspiração de que ela foi vítima por parte de Moro e Dallagnol, na relação espúria entre procurador e juiz, seus comandantes máximos, que a deturparam em sua essência moralizadora, ferindo a Constituição.

Existe realmente essa separação ou ambas as facetas dela não passam de um só modo de ser da Lavajato, concebida, como já se sabe, pela mistura de interesses internos e externos, a fim de alcançar objetivo definido: tirar o PT do poder a qualquer custo, mesmo com sacrifício da lei?

A Lavajato nasceu em 2013 no auge da guerra híbrida que Estados Unidos desencadearam contra diversos países, a partir da Primavera Árabe, objetivando mudanças de governos incômodos aos interesses de Tio Sam, na esfera global.

Achar que a Operação Lavajato é  concepção, meramente, nacional, ao largo dos interesses externos, que se beneficiam, agora, com os resultados que ela alcançou, favoráveis ao capital internacional, como a privatização da Petrobrás, por exemplo, é grande ingenuidade.

A Globo, maior defensora da Lavajato – e da privatização da Petrobrás, comemorada em editorial, depois da decisão do STF de permitir venda de ativos da empresa sem licitação – construiu, com cores berrantes, um super-herói, expresso na figura do juiz de Curitiba.

Transformou-o em campeão da moralidade, verdadeiro mito.

Desde então, seguindo princípios jurídicos vigentes em outros países, como na Itália, mas incompatíveis com os expressos na Constituição brasileira, Moro virou pura ambiguidade política.

Contradição explícita

Misturou em si mesmo duas características jurídicas incompatíveis entre elas, a de juiz, propriamente, dito, e a de procurador.

Na Itália, os juízes que investigaram a lavajato italiana – a Manu Puliti –, que inspirou Moro, atuaram , simultaneamente, como procuradores, como permite constituição italiana.

No Brasil, porém, há separação explícita entre ambas as funções.

Trata-se, conforme a Constituição cidadã de 1988, de duas categorias – juiz e procurador – separáveis e conflitantes entre si.

Como trator, Moro passou por cima dessa legalidade, tornando-se juiz em causa própria, completamente, parcial, por operar tanto a acusação como a condenação.

Exorbitou-se de suas funções, cometendo crime de abuso de autoridade.

Delações premiadas, obtidas por torturas psicológicas e chantagens políticas, foram por ele utilizadas para condenar sem provas o presidente Lula.

Na matéria da Intercept Brasil, Dallagnol revela-se inseguro com “provas” disponíveis, sem comprovação prática.

Utilizaram matéria do Globo para esquentar denúncia, deturpando-a, como a de transformar em tríplex apto “comprado” na planta pelo casal Lula-Letícia sem essas características do imóvel.

Jamais se confirmou, em cartório, a propriedade por meio de contrato de compra e venda.

Teoria falsa

Basearam-se na falsa teoria do domínio do fato, utilizada para criminalizar o mensalão, exacerbando a sua função para além do fato de ser caixa dois previsto por legislação eleitoral utilizada por todos os partidos.

As propinas e o presente do triplex ao presidente em troca de favor concedido a empreiteira prestadora de serviços foram fatos supostos, considerados provas indiretas, sem materialidade etc.

Intercept Brasil rasgou a máscara da falsidade moral que está por trás do mito Moro, construído pela Globo.

Com o capital da moralidade pública, midiaticamente, arquitetado, Moro preencheu demanda psicológica recalcada e preconceituosa da classe média relativamente ao lulismo-petismo.

Construindo falsa narrativa antipetista com a figura do herói fabricado em laboratório de marketing, a emissora feriu a lei ao avalizar atitudes ilegais, inconstitucionais, do mito político abstrato.

Intercept Brasil constatou, espetacularmente, a verdadeira essência de Moro: fake News judicial.

O herói moralista morre do próprio veneno.