Rússia-China derrota EUA na Venezuela e fortalece Maduro-Lula-Kirchner. Nacionalismo vence batalha contra Tio Sam

Neonacionalismo sul-americano

Tremenda derrota da direita golpista latino-americana, aliada de Washington, na Venezuela; perdeu, nesse round, a parada para Moscou e Pequim; outras escaramuças rolarão, porque o império não descansa, mas uma coisa é certa, cai por terra a Doutrina Monroe; a América para os americanos não é uma exclusividade eterna; as correlações de forças se alteram permanentemente; é aquela tal assertiva de Hegel: “Tudo muda, só não muda a lei do movimento, segunda a qual tudo, dialeticamente, muda.”; Nova geopolítica internacional entrou em cena na America do Sul com repercussão global; nesse contexto de ressurreição nacionalista, fortalecem Lula, no Brasil, e  Cristina Kirchner, na Argentina.

O imperialismo de Tio Sam e seus lacaios no continente sul-americano, organizados em torno do reacionário Grupo de Lima, preparavam o assalto ao petróleo venezuelano, usando o fantoche Gauidó; Putin e Jiping se anteciparam ao golpe contra Maduro e impuseram novo status quo político continental.

Rússia e China, aliados de Maduro e militares venezuelanos, resistiram; não deixaram consumar o assalto ao petróleo, riqueza maior da Venezuela; consequentemente, detonaram a ordem imperialista monroeana-washintoniana, por meio da qual, desde início do século 19, Estados Unidos dizem ser América do Sul quintal deles.

Bancarrota capitalista

A grande bancarrota capitalista de 2008 mostrou os limites do capitalismo especulativo, comandado pelos Estados Unidos;  emergiram, depois do crash, novas potências, especialmente, na Ásia, com destaque fundamental para China, que se aliou à Rússia, recuperada da derrocada comunista de 1989, por meio da opção nacionalista.

Territórios antes tidos de domínio do império de Tio Sam foram sendo comidos pelas beiradas pelos chineses, agora, aliados dos russos, na tarefa de expandir fronteiras econômicas eurasianas, tendo como suporte os BRICs, organização econômica internacional, da qual Brasil faz parte; rivais dos americanos, como chineses, ameaçam, desde então, o dólar; nesse cenário, que desemboca em guerra comercial global, o excesso de dólar proveniente da expansão da dívida pública americana, voltada ao financiamento especulativo da economia de guerra, transformou-se em instabilidade monetária global.

Nesse cenário, a América do Sul, fronteira econômica global, rica em matérias primas – energia, água, terras, biodiversidade, petróleo etc- virou alvo natural das potências emergentes, destacadamente, China, no campo econômico e financeiro, e Rússia, no campo bélico-espacial-nuclear; o continente sul-americano virou centro da nova geopolítica econômica internacional.

Petróleo centro da cobiça

Venezuela, maior reserva de petróleo do mundo, dominada, politicamente, pela esquerda nacionalista bolivariana chavista, transformou-se em grande aliada de potências adversárias dos Estados Unidos; Rússia – aliando-se à China, com os BRICs – armaram militares venezuelanos, que viraram obstáculos aos propósitos imperialistas americanos.

Trump, boquirroto, faz ameaças, mas não quer guerras; já os falcões do Pentágono fazem declarações agressivas; mas o fato é que a conjuntura mudou; Washington, sem ter mais a força do dólar, sem poder de competição comercial com os chineses e sem hegemonia bélico-espacial-nuclear com Rússia, está sem apetite para a guerra na América do Sul; depois da surra que levaram na Síria, não querem arriscar a pele.

Por sua vez, os aliados de Washington, financeiramente, falidos, dependentes das importações chinesas, e sem condições de enfrentar o poderio russo, instalado na Venezuela, limitam-se aos discursos; estão ameaçados pelas dificuldades econômicas que enfrentam; recusam, ademais, serem buchas de canhão de Trump, para invadir a terra de Chaves, armada até os dentes por Putin e Jiping; seus exércitos são pura piada.

O elevado desemprego e suas políticas econômicas neoliberais geradoras de crise e instabilidade política, eleitoralmente, inviáveis, no ambiente democrático, colocam as economias sul-americanas, aliadas de Washington, dominadas pelo neoliberalismo de Chicago, reféns de Tio Sam, interessado, tão somente, em explorá-las, sem dar nada em troca, na condição de insignificantes colônias.

Novo líder sul-americano

Nesse contexto, Maduro, resistente às investidas de Washington, protegido por Rússia e China, aparelhado por exército nacionalista fortíssimo, superarmado, emerge como verdadeiro líder da resistência sul-americana aos ataques do império americano, candidato ao fracasso; afinal está sem apetite para enfrentar, para valer, Rússia e China; por isso, novo poder geopolítico estratégico se instalou na América do Sul, embora cheio de incertezas estratégicas, porque, no embate guerreiro entre potências, o resultado é incógnitas; as bombas atômicas que possuem são naturais dissuassivos a evitarem confrontos de morte; quem tem ku tem medo.

A direita aliada dos americanos, sem ter o que oferecer às populações latino-americanas em matéria de desenvolvimento econômico sustentável, caminha-se para desmoralização; no poder, entregam tudo aos americanos; tornam-se, consequentemente, impopulares, eleitoramente, inviáveis; nesse contexto, os militares brasileiros pisaram na bola; deixaram ser envolvidos demais por Bolsonaro, com sua retórica fascista e inconsistente, que acaba fortalecendo adversários.

Ressurreiçao de Kirchner-Lula

Não é à toa, portanto, que Cristina Kirchner, na Argentina, se fortalece, para enfrentar Macri, nas próximas eleições; Bolsonaro, com sua política neoliberal entreguista antisocial, que se cuide; deixa, com sua política antinacionalista, de ser páreo para poder nacionalista que volta a emergir, agora, respaldado por China e da Rússia.

O fracassado golpe direitista apoiado por Washington, na Venezuela, sinaliza novo tempo; aumenta a influência da Rússia e da China no quintal dos Estados Unidos, onde seus aliados neoliberais, tipo movimento bolsonarista, no Brasil, e macrista, na Argentina, podem perder espaço político por não dispor de proposta para enfrentar principal problema nacional: o desemprego.

Lula, inconteste líder popular, se fortalece, nesse ambiente de ressurreição nacionalista, embalado pelo fortalecimento dos BRICs, comandados por China e Rússia, na América do Sul, desbancando Estados Unidos e sua Doutrina Monroe.