GUEDES BOMBEIA GREVE E AMEAÇA BOLSONARO

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REAÇÃO ABALA GOVERNO

Duas opiniões conflitantes se digladiam entre três personagens de destaque na vida brasileira nesse momento sobre o desastre econômico, aprofundado pelo golpe de 2016, e como ataca-lo, para fazer a economia girar novamente.
De um lado, Paulo Guedes, o ultraneoliberal, que insiste em dizer que o maior problema do país é o buraco financeiro da Previdência.
Sua receita radical é acabar com o regime previdenciário existente inscrito na Constituição de 1988 baseado na repartição solidaria entre capital, trabalho e governo, para financiar aposentadoria dos mais velhos pelos mais jovens que entram no mercado de trabalho.
No lugar desse regime que, certamente, requer mudanças e aperfeiçoamentos constantes, ao longo do tempo, no compasso das alterações da idade da população, em sua média composta por diferentes classes sociais antagônicas, no ambiente capitalista, Guedes radicaliza em favor da capitalização, ou seja, cada um cuida de sua aposentadoria, fazendo sua poupança para dela usufruir quando chegar o tempo estimado pela legislação.
Solidariedade x individualismo estão em questão.
Os oponentes de Guedes, ao lado de milhões de outros, são André Lara Resende, economista, um dos país do Plano Real, e Maria Lúcia Fattorelli, auditora fiscal, líder do movimento Auditoria Cidadã da Dívida.
Ambos são favoráveis aos ajustes, mas não ao desmonte da Previdência, como entendem ser o regime de capitalização, ainda mais, em meio à economia submetida à recessão e ao desemprego crônico.
Resende e Fattorelli, que, também, têm entre si suas divergências profundas, convergem para a crítica de que a questão central não é o buraco da previdência, que representa 25% do Orçamento Geral da União(OGU), realizado, em 2019, em R$ 3,6 trilhões, mas questão do financiamento da dívida pública, que consome 44% dele.

BANCOCRACIA ESPECULATIVA

Essa discrepância decorre, na avaliação convergente de ambos, da política monetária conduzida pelo Banco Central, que fixa a taxa de juros acima, bem acima, da taxa de crescimento da economia.
Isso vem acontecendo desde 1994, ou seja, há 25 anos, quando o real foi lançado, para salvar o Brasil da hiperinflação.
A inflação, ao longo desse perído, deixou de ser problema, mas não levou o país ao crescimento sustentável.
A economia está numa merda que faz gosto: desemprego crônico, recessão, crise, instabilidade social e política etc.
Só dá certo a vida dos banqueiros, com essa estratégia do BC, que, aliás, é administrado por eles, na prática, especialmente, a partir do golpe neoliberal de 2018, que congelou gastos sociais e manteve descongelados gastos financeiros, para sustentar pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
Escoadouro de dinheiro da sociedade para a agiotagem financeira da bancocracia especulativa.
Relatório do BC, divulgado essa semana, mostra a economia caminhando para crescimento negativo, enquanto o lucro dos bancos, no primeiro trimestre, alcança os 20%, por aí.
A taxa de juros básica, que está em 6,5%, mas é muito mais do que isso, pois os bancos só compram os títulos do governo, se levarem 10% ou mais, ou seja, 4%, 5% de lambuja, não deixa o país crescer de jeito nenhum.
Também, pudera: o PIB cresce na casa de 1% e vai no ritmo descendente do rabo de cavalo, avançando para o chão.

DÍVIDA INSUSTENTÁVEL

Está na cara que quem está com a análise correta não é Paulo Guedes, mas André Lara Resende e Maria Lúcia, ao destacarem que o juro é o causador do desajuste fiscal.
Mantida, portanto, a política monetária ortodoxa e dogmática do BC, com juro crescendo acima do crescimento do PIB, o desajuste fiscal se aprofunda, tornando a dívida insustentável.
O déficit da Previdência seria consequência da paralisia econômica produzida pela causa central, que são os juros elevados incidentes sobre a dívida.
De instrumento de promoção do crescimento, ela virou mecanismo sistemático de destruição econômica.
A vaca, portanto, atolou no brejo e de lá não sai de jeito algum, salvo se a causa central e não a acessória for realmente atacada.
As greves que começam a pipocar vão mostrando o estado das coisas absurdas que acontecem.
Se as despesas da Previdência, que são, na prática, investimento, pois dão retorno, não são causas centrais do desajuste fiscal, mas sim os gastos com o giro da dívida pública, que não dá retorno algum à sociedade, em forma de crescimento sustentável, por que não fazer imediatamente a auditoria da dívida, como determina a Constituição, para tirar a prova dos nove, como prega Maria Lúcia Fattorelli?
Aa insistência em fazer ajuste fiscal, como quer Guedes, exaurindo as forças da economia, que são as rendas dos aposentados, para continuar na batida de fazer lucro para banqueiro, por meio de juro especulativo, que vai na frente do crescimento da produção e do consumo, inviabilizando a continuidade de ambos, como fatores de desenvolvimento, produz o que o relatório do BC está demonstrando: desastre econômico e social.

POPULARIDADE EM QUEDA

Guedes mente quando diz que a saída é o regime de capitalização, como se fosse panaceia geral.
Em 30 países onde essa experiência foi aplicada, 18 deles desistiram dessa loucura, especialmente, em tempo de crise global, afetada por guerras comerciais entre grandes potências, cujas consequências são instabilidades totais.
Previdência sugere espírito de solidariedade social, algo cristão, como está concebido na Constituição de 1988.
Já o que Guedes prega é puro individualismo, proposta egoísta, que se sustenta, se empobrecer, ainda mais, aquele que está com poder de compra abalado, chamado a contribuir mais, ganhando menos.
No ambiente do congelamento de gastos sociais, condenado, essa semana, em Nova York, pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, insistir em capitalização por meio da descapitalização dos mais pobres, dos quais Guedes quer extrair R$ 800 bilhões, para passar aos credores, tudo, certamente, vai piorar.
O presidente Bolsonaro já mostra seu incômodo com o ajuste fiscal de Guedes.
Diante da pressão social, diz uma coisa, hoje, amanhã diz outra, revelando-se, totalmente, inseguro.
Afinal, seu maior capital, a popularidade escorre pelo ralo.
Insistir com plano Guedes é fazer pipocar pelo país afora greves sem fim e fincar bases para derrotas eleitorais em pencas, que encurtam a vida política do bolsonarismo.
Lara Resende e Fattorelli cantam a bola: a obsessão fiscal estoura a democracia e joga o regime liberal na lata de lixo, produzindo instabilidades políticas que levam o país à convulsão social.

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