FHC apoia militares e isola Bolsonaro e PT

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Articulação tucana

 
Os lances políticos de FHC são desconcertantes, mas não deixam dúvidas.
Nos EUA, apoiou Mourão, depois de considerar Bolsonaro pior do que pensava.
Ao mesmo tempo, isola o PT, equidistante entre o confronto entre o presidente e seu vice, pelo menos, aparentemente.
Os petistas alimentam ainda desconfiança e preconceito contra os verdes oliva, embora Lula e Dilma, em 2005 e 2007, tenham aprovado, no Congresso, a maior reivindicação dos militares brasileiros: Plano Nacional de Defesa(PND) e a Estratégia de Defesa Nacional(EDN).
Trata-se de velha reivindicação das Forças Armadas, desde Getúlio Vargas, em favor da opção pela defesa, como proposta de industrialização, para fortalecer soberania nacional, incrementando cadeias produtivas, ensino profissional e ocupação do território, hoje vazio, devido opção de desenvolvimento primário exportador colonialista, levado adiante por burguesia antinacional.
Até agora o PT não se pronunciou diante da polaridade Bolsonaro-Mourão, preferindo uma ausência caracterizada de descompromisso com as forças governistas em confronto, ao mesmo tempo em que não formula plano paralelo e alternativo ao explícito programa entreguista tocado pelo ultraneoliberal Paulo Guedes.
 

Pro-americanismo explícito

 
O racha Bolsonaro-Mourão se aprofunda frente às claras posições antinacionalistas bolsonarianas.
O presidente está cada vez mais pro-americano, incomodando a burguesia nacional, abalada pela recessão, desemprego e instabilidade, cujas consequências, diante do Plano Guedes, são destruição do mercado interno, obrigando-as a optar, cada vez mais, para o mercado financeiro especulativo, como alternativa à reprodução de capital, que deixou de se realizar na produção.
Os capitalistas tupiniquins ganham dinheiro na especulação, mas suas empresas se desvalorizam diante da recessão, tornando-se alvos fáceis ao capital externo, que vem aí com muita fome, favorecido pela promessa de abertura radical de Paulo Guedes.
Preocupação ainda maior da burguesia refere-se ao agronegócio, quanto mais Bolsonaro se posiciona, favoravelmente, a Israel, enquanto desdenha do mercado consumidor dos alimentos brasileiros no Oriente Médio. 
Já Mourão faz o contrapolo.
Está contra invasão da Venezuela e aliança cega a Israel-EUA, prejudicial aos produtores rurais, preocupados, nesse momento, com possibilidade de os árabes deixarem o mercado brasileiro, para comprar mais dos indianos e dos franceses, que se colocam como alternativa para vender frango para eles.
Piorou tudo para a burguesia agrária nacional declarações de Bolsonaro de que Irã e Palestina não são importantes para Brasil.
Imagina!
O presidente brasileiro escarra no mercado consumidor nacional.
Ao mesmo tempo, provoca a Venezuela e avança na desnacionalização da Amazônia.
Joga abertamente com Trump contra interesse das classes empresariais.
 

PT dorme no ponto

 
O PT, diante dessa polaridade, cada vez mais intensa dentro do governo, prefere situar-se como oposição genérica, sem focar nas divisões que deixam a burguesia em polvorosa.
Sua postura está influenciada pela necessidade de radicalizar-se contrariamente ao desmonte da Previdência, de modo a sintonizar-se, estreitamente, com a população, cuja posição, nas pesquisas de opinião, é de ataque a Bolsonaro e a Paulo Guedes, o ultraneoliberal, maior interessado no desmonte da seguridade social brasileira, para favorecer os credores da dívida pública.
FHC percebeu o vácuo e fez o lance.
Isola Bolsonaro e PT e cacifa os tucanos, apoiando Mourão.
Nessa, fica em posição vantajosa diante dos militares e dos chineses(Brics), aliados da Venezuela.
Sobretudo, fica bem com a burguesia nacional, preocupada em preservar o mercado dos árabes, sob ataque das declarações economicamente suicidas de Bolsonaro.
FHC joga, abertamente, com os verdes oliva, colocando cunha entre eles e Bolsonaro, que considera inadequado aos interesses nacionais, ameaçando a sobrevivência do setor econômico nacional responsável por 34% do PIB.

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