Bloqueio de Trump a Maduro detona crise global

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Escalada de guerra

O alerta da Rússia aos Estados Unidos em relação ao bloqueio comercial que Trump promete iniciar a partir do dia 29 de abril, possivelmente, sequestrando, na rede bancária internacional, ativos financeiros venezuelanos, detonará tensões internacionais, cujas consequências são imprevisíveis; nessa, sairão prejudicados, certamente, Rússia e China, que têm muito dinheiro e estratégia de defesa em solo venezuelano; ambos, chineses e russos, entraram na Venezuela, ao longo do poder chavista, e fincaram raízes, no ambiente do nacionalismo socialista bolivariano, desde 1998; de lá para cá, Estados Unidos perderam influência, embora, importe 12% das suas necessidades de petróleo venezuelano; sem elas, sofrem duro baque no seu abastecimento; as compras que realizam no Oriente Médio ficam cada vez mais problemáticas, porque exigem logística complicada, cara e de risco crescente, caso se desestabilize governo da Arábia Saudita, por exemplo, uma casta minoritária de xeiques, que, somente, se sustentam mediante terror político; o xadrez político internacional ganha complexidade com as ameaças americanas à Rússia e China, na Venezuela, detentora da maior reserva mundial de petróleo, cotada para ser presidente rotativa da OPEP.

Utilitarismo capitalista em cena

O mercado de petróleo e matérias primas em geral, energia, alimentos in natura, minérios etc, entrará em ebulição especulativa, se, realmente, Tio Sam  bloquear ativos venezuelanos, para apressar expulsão de Maduro do poder, abrindo espaço para Guaidó; repeteco do bloqueio comercial imposto, há mais de 60 anos, a Cuba, adversária ideológica de Tio Sam; qual será a reação do Brasil? Se ele não apoiou, até hoje, o bloqueio americano a Cuba, apoiaria, agora, o bloqueio à Venezuela?

A América do Sul entrou na órbita da guerra comercial EUA-China que se verifica em escala global; o resultado, certamente, será instabilidade econômica internacional; de que lado ficará a América do Sul na guerra comercial: dos Estados Unidos, que consideram continente sul-americano seu quintal, ao qual impõem a doutrina Monroe – a América para os americanos – desde o século 19, ou da China, aliada geopolítica da Rússia, nos BRICs, que consome as matérias primas sul-americanas em escala crescente para sustentar avanço do império chinês, no continente sul-americano e na Eurásia, ao lado da Rússia, nova fronteira econômica internacional?

O utilitarismo, suprassumo ideológico do capital, entrará em cena, na avaliação dos países sul-americanos; Brasil, em particular, hoje, depende mais da China do que dos Estados Unidos, para sustentar sua economia primário exportadora; 34% das exportações de grãos e, praticamente, 80% das exportações de minérios brasileiros se destinam ao mercado chinês; Tio Sam não compra um centavo de grãos ao agronegócio brasileiro; ao contrário, o agronegócio americano quer destruir o concorrente nacional; nesse momento, por exemplo, os agricultores americanos deslocam os brasileiros, vendendo mais para a China, embora os EUA estejam com ela em guerra comercial; os chineses estão aceitando essa negociação, para continuar exportando, para os Estados Unidos, sua produção de manufaturados; adquire-se alimentos in natura na América, para desovar lá suas mercadorias industrializadas; pragmatismo comercial, que, no fundo, vai atenuando o ímpeto comercial guerreiro de Trump contra os chineses. 

BRICs x Tio Sam

Ora, se os americanos não compram um grão de soja nem de milho do Brasil e os chineses, grandes clientes do agronegócio brasileiro, deixam os agricultores nacionais na mão, em escala crescente, para se acomodarem, com Tio Sam, na guerra comercial, de que lado o governo Bolsonaro terá que ficar na disputa entre os dois gigantes, em território sul-americano: guerrear um vizinho, Venezuela, enfraquecendo, estruturalmente, a economia continental, ou buscar acomodação com os BRICs, onde está o mercado consumidor do agronegócio nacional?

No ambiente de bloqueio comercial sobre a Venezuela, para derrotar o nacionalismo socialista venezuelano, apoiado por China e Rússia, parceiros na expansão comercial global contra EUA, se o Brasil apoiar decisão de Trump, contrariará, ainda mais, os chineses, que já estão diminuindo suas compras no mercado brasileiro; o governo Bolsonaro entraria de gaiato nessa jogada, para afundar o setor mais dinâmico da economia nacional, responsável por 30% do PIB?

Geopoliticamente, a América do Sul em guerra político-ideológica, envolvendo Estados Unidos e China-Rússia, a partir da disputa do petróleo venezuelano e do pré sal brasileiro, que é o que realmente está em jogo, favorece interesses imperialistas; Brasil e Venezuela, integrantes do continente amazônico, cujas riquezas, calculadas pelos militares, alcançaria 23 trilhões de dólares(informação do general Villas Boas, ex-comandante do Exército e atual integrante do governo Bolsonaro), fragilizar-se-ão, mutuamente, favorecendo os abutres interessados na exploração dessa fantástica riqueza.

Nova vantagem comparativa

Não se deve descartar que, no ambiente global, as matérias primas e semielaborados, por sua natureza, finitas, como petróleo e minerais – também, o solo tende a se desgastar com utilização de agrotóxicos – passam a possuir vantagens comparativas relativamente aos produtos industrializados; a tecnologia e a produtividade em permanente ascensão aumentam a oferta em relação à demanda, sinalizando queda de preços e redução da taxa de lucro dos capitalistas; em contrapartida, as matérias primas, por serem finitas, finitas, têm sua oferta valorizada.

A força das economias primário-exportadoras tenderia a aumentar, especialmente, no cenário político de avanço do nacionalismo; os nacionalistas usariam suas riquezas, como arma de negociação nas relações comercias; inverter-se-ia a deterioração nos termos de trocas; matérias primas passariam, no ambiente de guerra, ter mais valor que produto industrializado, de valor agregado, sujeito à concorrência, que, no capitalismo, produz deflação, maior inimiga do sistema capitalista.

Eis porque Tio Sam não quer saber de nacionalismo na América do Sul.

O fato é que os impérios não interessam por América do Sul unida, economicamente, integrada; afinal ela possui produtos primários e semielaborados que podem ser, no continente sul-americano,  industrializados; confirmar-se-ia a pregação do grande empresário ítalo-brasileiro, conde de Matarazzo: o Brasil, segundo ele, não precisa de ninguém para se desenvolver de maneira sustentável; falta ao país, apenas, elites nacionalistas, para deixar de ser vira-lata das potencias que as manipulam e exploram o povo sul-americano/brasileiro.

Quando as elites periféricas terão seu projeto nacional?

Se continuarem brigando entre si, como no conflito da Venezuela, jogarão o jogo do império.

Uma resposta para “Bloqueio de Trump a Maduro detona crise global”

  1. AS NAÇÕES COLONIALISTAS/IMPERIALISTAS, À FRENTE OS EUA, DESENCADEARAM O CAOS NO MUNDO TODO, QUANDO SOLTARAM AS RÉDEAS DA BESTA DO APOCALIPSE —O CAPITALISMO E O FASCISMO!!!

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