Mourão descarta trumpismo e condena chavismo

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Novo chanceler

O vice presidente general Mourão se transformou de fato no chanceler brasileiro ao criticar, em Bogotá, a intervenção militar, como querem os Estados Unidos, mas atacou, fortemente, o regime chavista; considerou-o ditadura, alinhando-se, nesse ponto, a Trump; mordeu e soprou.

Manipulou, ideologicamente, as bolas; democrata seria Guaidó, que se autoelegeu presidente, sem ter voto popular; já Maduro venceu eleições em disputa com 4 candidatos; levantou, nas urnas, 60% dos votos, que, na Venezuela, são facultativos, ao contrário, por exemplo, do Brasil, onde o voto é obrigatório; além disso, comissão internacional, coordenada pela ONU, certificou a regularidade e a correção do pleito, em maio do ano passado.

Trump não engole Maduro porque conduz movimento popular em meio a uma Assembleia Nacional Constituinte, democraticamente, eleita; nesse momento, o povo venezuelano, por meio dela, escreve nova carta constitucional; seu norte é maior democratização do poder político venezuelano; o tom revolucionário popular ganha, assim, força cada vez maior.

Nesse contexto, Mourão, em Bogotá, revelou ambiguidade: o Brasil não quer intervenção, mas, também, rechaça o processo revolucionário chavista constituinte, que empodera, politicamente, a população venezuelana; a retórica revolucionária bolivariana lança terror às elites conservadoras do continente, aliadas do capitalismo internacional, na condição de sócias menores do desenvolvimento nacional.

Mourão sintonizou-se com essas preocupações conservadoras que o chavismo detona revolucionariamente em processo constituinte; o discurso do vice evidenciou tomada de posição brasileira favorável ao discurso trumpista, contra a revolução bolivariana.

Autoderminação rasgada

O Brasil, pelo discurso do vice Mourão, rasgou tradição diplomática brasileira de respeitar a autodeterminação dos povos; retoricamente, colocou-se ao lado de Tio Sam como interventor sem conotação militarista, mas, claramente, política; compatibilizou-se, dessa forma, com a sabotagem econômica que Trump articula e pratica, relativamente, aos ativos financeiros da Venezuela nos bancos internacionais.

Ficou clara, na posição dos militares brasileiros, que Mourão representa, a compatibilidade com pressão imperialista da Casa Branca, cujo interesse maior, indiscutivelmente, é se apropriar do petróleo venezuelano. O Brasil se revelou impotente para adotar política independente, para se posicionar como liderança sul-americana; jogou pela janela essa oportunidade; temeu, certamente, por eventual pressão de Washington, no momento em que a economia brasileira está, completamente, vulnerável diante do excessivo endividamento interno, que inviabiliza desenvolvimento sustentável; falar grosso contra os americanos, agora, nem pensar.

Objetivamente, o xeque mate de Trump em Maduro sofreu derrota parcial e não aumentou a união dos aliados sul-americanos, como demonstrou a posição ambígua brasileira; na prática, configurou vitória de Maduro e derrota do Grupo de Lima; o discurso agressivo de guerra do vice presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, confirmou revés negativo das forças adversárias de Maduro, porém, resistentes em se alinharem, caninamente, a Trump.

Washington, certamente, continuará no ataque, mas preocupa com possível volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional; Trump, pelo tuiter, hoje, conclamou OPEP a reduzir preço do óleo;  instabilidade de preços dos combustíveis aceleraria queda da economia americana, aproximando a economia mundial de nova crise global; temerosa de que tal possibilidade se concretize, a União Europeia adotou discurso dissuasivo; os europeus, que não têm petróleo, dependentes dos árabes, da Venezuela e do Brasil, pregaram não intervenção; essa posição rachou o grupo de Lima; Chile e Peru, por exemplo, diminuíram o tom radical inicialmente adotado; as consequências de uma guerra sul-americana balançaria o poder em todo o continente.

Maduro, pragmaticamente, apoiado pelos militares e população, cria nova correlação de forças políticas; sua resistência heroica o relaciona aos líderes nacionalistas sulamericanos como Bolivar, Chaves, Guevara, Fidel Castro, Allende, Vargas, Peron etc.

Sai fortalecida a esquerda chavista, atacada por Tio Sam e aliados direitistas, politicamente, divididos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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