Milícias fragilizam Bolsonaro e fortalecem Congresso/Mourão

Pedro Ladeira/Folhapress

Impeachment no horizonte

Não está sendo seguido o script natural em que o governo inicia forte e desfrutando de grande prestígio e o Congresso se rende a essa força, dando sempre um tempo para a afirmação do novo poder, até iniciar o seu desgaste, se não corresponder às expectativas; o governo Bolsonaro, depois do Caso Queiróz, está baleado pela sua aproximação com as milícias; o presidente foi ativo defensor delas enquanto deputado e seu filho se envolveu perigosamente com os milicianos.

Configura-se relação família Bolsonaro-milícias com estado sem lei; essencialmente, milícias, por ser estado ilegal, paralelo, confronta-se com o estado legal, institucional; inaceitável.

As aproximações dos Bolsonaros com os milicianos, diante dos quais assumiram compromissos, que lançam dúvidas para todos os lados, colocam o Congresso mais forte que o Executivo, cercado de desconfianças, que lançam institucionalmente o Estado contra ele.

Como instituição, o Congresso, por ser expressão do Estado legal, é incompatível com o estado ilegal, paralelo, miliciano.

A decisão do ministro Marco Aurélio de não aceitar o foro privilegiado do, agora, senador Flávio Bolsonaro, do PSL, empossado, hoje, é água gelada no futuro político imediato do parlamentar bolsonarista; seja qual for o presidente do Congresso, haverá, no Senado e na Câmara, iniciativas políticas antibolsonarianas; certamente, elas desgastarão fortemente o novo senador carioca, amigo dos milicianos, aos quais condecorou, enquanto deputado estadual, no Rio de Janeiro.

Cacife parlamentar em ascensão

As afinidades eletivas entre Bolsonaros e milícias são assunto que pega mal no Congresso; crescerá lá iniciativas para abrir CPI contra elas; os congressistas passam a dispor de um cacife poderoso diante do presidente sintonizado com os milicianos.

As investigações do estado ilegal miliciano, próximo da família Bolsonaro, tornam o presidente da República, totalmente, prisioneiro do Legislativo; nesse contexto, a força do titular do Planalto para passar reformas, especialmente, da Previdência, sofre considerável desgaste.

Os congressistas ganham poder relativo em relação ao governo Bolsonaro e ao seu guru econômico, Paulo Guedes, predisposto a radicalizar privatizações, inclusive, sem licitações, como já está acontecendo relativamente à Eletrobras e Petrobras no ambiente das cadeias produtivas.

O cacife dos congressista relativamente ao debate das reformas aumenta quanto mais se enfraquece politicamente o poder bolsonarista, acusado de proximidade com governo paralelo.

O debate sobre impeachment, nesse contexto, pode prosperar, e quem sai ganhando com ele é o vice presidente general Mourão; colocando-se como poder moderador, ele já chama atenção para si, como o equilíbrio para governança; ele é representação do estado legal; as milícias, o oposto, o estado paralelo, ilegal.

A institucionalidade republicana não engolirá o estado paralelo como fator de sua própria sobrevivência política; nesse cenário, ficará complicada a posição dos militares como avalistas de um governo que tem raízes no poder miliciano.

 

 

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