Guerra EUA-Venezuela fortalece Mourão no poder

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Discurso errado

Fica mais uma vez comprovado que o discurso do poder real está com Mourão e não com Bolsonaro.

A guerra de Trump contra Maduro, para tomar petróleo da Venezuela, tenta envolver Bolsonaro, abertamente, trumpista, para o discurso radical imperialista da Casa Branca; nesse cenário Mourão entrou na jogada e acabou com o radicalismo guerreiro do presidente e do seu ministro das Relações Exteriores.

O vice presidente joga como bombeiro e busca marcar posição nacionalista; nem interesse de Maduro nem interesse de Trump; interesse do Brasil.

Nesse momento, o Brasil, na avaliação de Mourão, estaria lascado se entrasse numa guerra com a dívida pública saindo pelo ladrão; quem bancaria o aumento do orçamento militar em escala superior aos orçamentos sociais, que sustentam o PIB, para entrar na aventura da guerra?

A guerra, por desatar contradições, traria a ditadura de volta.

Se o país entra na guerra comprará sua própria guerra, que seria estouro orçamentário que produziria escalada armamentista.

O Brasil não é Estados Unidos, que vivem de guerra.

Tio Sam aguenta esse rojão porque tem capacidade de emissão de dólar sem lastro, para fazer da guerra alavanca da reprodução capitalista americana, reanimando a economia.

O Brasil teria fôlego, com moeda volátil, dependente de economia primário exportadora, sujeita a chuvas e trovoadas?

Os banqueiros, diante de novos pedidos de empréstimos, para bancar guerra, aumentariam os juros por conta do risco maior do cliente.

Quem pagaria a conta?

Diante dessa opção dramática que joga aos ares a aprovação da reforma da Previdência no Congresso, Mourão virou bombeiro.

O discurso dele é de dissuassão, não de agressão.

Guerra é caixão e vela preta

Marca o vice importante tento político aberto pelas possibilidades da guerra contra a qual se posiciona; esta não interessa aos militares brasileiros, cujas relações com os militares venezuelanos não são de agressividade; ao contrário.

O ex-ministro da Defesa, General Joaquim Silva e Luna, no governo Temer, havia, inclusive, visitado os colegas da Venezuela, no ano passado; estreitaram relações, guiadas pela geopolítica sul-americana.

Sobretudo, os militares brasileiros e venezuelanos se aproximam por causa da Amazônia.

As ameaças ao continente amazônico, por ser a maior biodiversidade do planeta, requer união dos exércitos dos dois países e não desunião e guerra entre si; guerra agora contra Venezuela é enfraquecer geopoliticamente a América do Sul, facilitando o assalto à Amazônia, no cenário da globalização.

Trump quer balcanizar o continente sulamericano; repete estratégia do império inglês para destruir os otomanos; a continuidade dela é presente nas guerras atuais do império contra as periferias coloniais.

O discurso bolsonariano maluco guerreiro do Itamarati é repeteco do de Trump, cujo interesse, nessa guerra, é imperial: pegar petróleo venezuelano.

Mourão-militares não querem entrar de gaiato na jogada imperialista de Trump. 

China e Rússia em cena

O obstáculo de Trump não é Maduro, são Jiping e Putin; China e Russia – poder financeiro e atômico – estão por trás de Maduro; são dois atores contra os quais o Brasil não deve nem sonhar em brigar; a China é a maior consumidora da produção de grãos e minérios do Brasil.

A economia primário exportadora brasileira, cronicamente, submetia ao binôminio inflação-deflação, depende, visceralmente, mais da China que dos Estados Unidos.

Mourão, com discurso nacionalista, virou chanceler de fato ao buscar o diálogo com Moscou e Pequim; o objetivo é o Brasil ser protagonista de si mesmo e não dos outros.

Mourão busca Putin e Jiping para ser equilíbrio no jogo geoestratégio de guerra de Trump.

Agindo assim, tenta contestar a velha máxima de que para onde os Estados Unidos forem o Brasil, caninamente, irá atrás; o vice busca uma trilha independente; conseguirá?

A  guerra EUA-Venezuela entrou na geopolítica mundial com Trump  tentando fazer aliados sulamericanos de joguetes; Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Equador e Brasil estão sob pressão intensa da Casa Branca para declararem guerra a Maduro.

Trump, malandro, usa a mão do gasto para catar castanha; seu objetivo é claro: tomar petróleo venezuelano.

Se a Venezuela vendesse apenas sabão em pó, os americanos estariam mandando ver na guerra travestida de ajuda humanitária?

Jogo da equidistância

Nesse cenário, Mourão preserva a equidistância da diplomacia brasileira; realpolitik que interessa ao Brasil é não brigar nem com China nem com Estados Unidos nem com Rússia.

A América do Sul virou novo ponto de exploração colonial de petróleo disputado pelas três grandes potências; China e Rússia se uniram para se expandirem na Eurásia e na América do Sul; os Estados Unidos não querem perder a América do Sul que considera ser seu quintal exclusivo.

E os sulamericanos, fazer o que?

Pragmaticamente, América do Sul, especialmente, Brasil, tem mais a ganhar com China/Rússia, conjugação de comércio e defesa, do que com Estados Unidos; o grande cliente do agronegócio nacional é a China, não os Estados Unidos; Tio Sam não compra um grão de soja brasileira.

No balanço geral, o Brasil teria mais a perder do que ganhar, tanto no ambiente interno como externo; externo, balcanização sulamericana, não interessa; interno, idem.

Se estourasse guerra, o governo Bolsonaro, engajando-se nela, poderia perder controle do processo de tramitação da reforma previdenciária no Congresso; se tiver que suportar despesa de guerra que não é sua mas dos outros, o governo, do ponto de vista fiscal, explode.

Querer não é poder; Bolsonaro, com seu discurso belicista, trumpista, olavista etc, está se fragilizando e perdendo espaço para Mourão; o vice amplia poder no compasso de guerra sul-americana detonada imperialmente por Trump Tio Sam.