GLOBO, FONTE DA ALIENAÇÃO NACIONAL

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ANTINACIONALISMO

O Globo, em editorial, “Crise colocou em xeque modelo de Estado que tutela sociedade”, culpa o estado patrimonialista português, a revolução de 30 dos tenentistas, o nacionalismo de Vargas e dos militares, no poder, pelos males do País.

O déficit da previdência, atual, seria rescaldo dessa opção desenvolvimentista equivocada, diz o porta voz midiático de Washington, plenamente, favorável ao ultraneoliberalismo de Bolsonaro/Paulo Guedes, para desarmar a previdência social democrata brasileira.

A palavra de ordem do Globo é acabar com o espírito coletivo, solidário e integracionista, social democrata, contido no pacto de gerações, intrínseco ao modelo de repartição, em que gerações mais novas bancam gerações mais velhas, como se configura conceito de Seguridade Social, fixado na Constituição cidadã de 1988.

Tal proposta, emergente depois da ditadura militar, no ambiente da Constituinte, ergueu maior e melhor programa de distribuição de renda da história brasileira, por meio do SUS, considerado pelo Globo um atraso.

Para ele, a modernidade é o processo individualista, egoísta de capitalização, por meio do qual os trabalhadores, em meio à volatilidade capitalista permanente, imposta pela financeirização econômica global, morrem antes de se aposentarem, sem garantia de emprego e submetidos à liberação do mercado de trabalho.

O ideal, para o Globo, é o aumento da superexploração do trabalhador, com consequente, aumento da jornada de trabalho, decorrente da reforma trabalhista neoliberal, imposta depois do golpe de 2016, contra social democracia brasileira; com ele, inaugurou, no País, trabalho intermitente, sangrento.

A superação do déficit público, para o Globo, se daria pela proposta ultraneoliberal de Guedes, por meio da qual se extermina programa Benefício de Prestação Continuada(BPC), para os mais pobres; ignora o porta voz de Tio Sam que, se não fossem os programas sociais distributivos de renda, que vigoraram de 2002 a 2014, a economia teria ido para o brejo do subconsumismo deflacionário.

NEOCOLONIALISMO

Certamente, para o Globo, em substituição ao atraso tenentista/getulista, o ideal é filosofia contida na imperialista Lei Kandir, que eterniza Brasil na condição de economia primário exportadora, por meio da isenção de impostos para exportadores de grãos e minérios, desonerados do ICMS, a partir de 1996; tratou-se de providência imposta pelo Consenso de Washington, para gerar divisas externas ao pagamento da dívida, impulsionada pelo populismo cambial de FHC, de modo a combater inflação à custa do desemprego e desindustrialização.

Ficaram estados e municípios privados de sua receita constitucional, impedidos, portanto, de fazer desenvolvimento sustentável; não foi e não está, até hoje, sendo possível desenvolver cadeias produtivas ligadas à produção primário exportadora, o que expõe a economia brasileira à permanente deterioração nos termos de trocas; exportamos primários baratos e importamos manufaturados caros; assim, sujeita-se a economia ao endividamento externo colonial, em forma de anatocismo crônico, cobrança de juros sobre juros, no reinado da agiotagem financeira.

O Globo não tem isenção para perceber, ou, se percebe, finge não entender, que a raiz do déficit público é a orientação econômica primário-exportadora neoliberal, da qual tentaram se safar Getúlio e os militares nacionalista no poder, buscando a industrialização das cadeias produtivas; sem elas não se desenvolvem, sustentavelmente, a produção e a produtividade, com profissionalização de mão de obra, valor que se valoriza.

Essa estratégia colonial está por trás da crise federativa, da falência de estados e munícipios, acusados, agora, pelos neoliberais de fomentadores do déficit; ora, o modelo primário exportador, por ter impedido tal desenvolvimento sustentável, é o verdadeiro motor do estrangulamento fiscal do Estado brasileiro, e não o nacionalismo contra o qual o Globo se insurge, desviando atenção da sociedade, na tentativa permanente de aliená-la do verdadeiro problema nacional.

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