Norte-Nordeste, sem Ministério, pode derrotar Bolsonaro

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Vingança federativa?

A questão federativa promete agitar disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, tendo, como pano de fundo, a formação do Ministério Bolsonaro.

O fato mais relevante, nesse contexto, é a ausência, pela primeira vez na República, de qualquer representante do Norte e Nordeste, no primeiro escalão, em que há 11 integrantes do Sudeste, 8 do Sul, 2 do Centro-Oeste e 1 colombiano

O presidente, que perdeu, no Nordeste, de cabo a rabo, para a oposição, liderada por Fernando Haddad, apoiado por Lula, teria dado o troco; marginalizou, politicamente, a região, que, ao longo da Nova República, ganhou peso relativo forte, especialmente, nos governos petistas.

A população nordestina pobre, que se transformou em consumidora, mediante programas sociais distributivos de renda e valorização do poder de compra dos salários, agradeceu em forma de votos.

Consequentemente, o PT atraiu PMDB dos coronéis, tornando força imbatível.

Qual reação dos nordestinos(e nortistas, que, também, ficaram de fora), agora, na disputa pela presidência das duas Casas do Congresso?

Alagoas em cena

Na Câmara, para disputar com o, aparentemente, favorito presidente Rodrigo Maia(DEM-RJ), apoiado pelo partido do presidente Bolsonaro, o PSL, desponta o alagoano, deputado Arthur Lira(PP), e no Senado, o também, político das Alagoas, senador Renan Calheiros(PMDB).

Ambos se articulam com a oposição, PT, PSOL, nanicos e, possivelmente, PDT e PS, embora esses dois negociem com as forças governistas, das quais, no entanto, poderão se afastar, dependendo dos acertos em curso, para composição das mesas diretoras e comissões parlamentares.

E há, ainda, a força poderosa de equilíbrio federativo, expressa em Minas Gerais(metade sul, metade nordeste), com o deputado Fábio Ramalho(PMDB), empenhado em rachar as forças que se compõem com Rodrigo Maia: DEM-PSL-PR-PRB-PSD-PPS-PSD-Podemos(178 deputados, insuficientes para ganhar, no voto secreto).

Arthur Lira joga areia nas pretensões do bolsonarista Rodrigo Maia(DEM), ligado aos banqueiros, embora a banca, nesse momento, comece a temer pelo seu futuro; Bolsonaro e seu guru ultraneoliberal Paulo Guedes querem abrir o País aos grandes bancos internacionais.

Guedes se empenha por Maia, visando aceleração da reforma da Previdência, cara aos banqueiros, interessados em detonar o estatal Sistema Seguridade Social, para vender plano de saúde privada aos 200 milhões de habitantes.

Negócio de bilhões.

Na disputa com Maia, Lira, como destaca Raphael Di Cunto, no Valor Econômico, havia acertado com ministro da Casa Civil, Ônyx Lorenzoni, frente partidária(15 agremiações) do baixo clero, para concorrer à presidência da Casa.

Ficariam excluídos, nesse acerto, o PSL bolsonariano e, claro, o PT.

Configurar-se-ia, dessa forma, candidatura independente em relação ao Planalto.

Maia furou esquema de Lira: atraiu o PSL e uniu partidos propensos à aliança bolsonariana, deixando de fora PMDB e PRB, dispostos a lançarem candidaturas próprias, bem como o PT.

Lira contra-atacou: negociou com Lorenzoni outra composição, com participação do PSL, prometendo mundos e fundos aos bolsonaristas, que refugaram, qual santo desconfiado com abundância de moedas oferecidas.

Socorro, Dória! 

Buscando maioria, na sexta, Maia voou a São Paulo, para pedir ao governador tucano João Dória apoio do PSDB, recebendo promessa positiva nesse sentido.

O PSL bolsonarista, temeroso de ficar marginalizado, preferiu as moedas ofertadas por Maia, que prometeu ao partido do chefe participação em tudo, na Mesa Diretora e nas duas principais comissões, de Constituição e Justiça e de Economia, bem como em todas as demais.

Nesse novo arranjo de Maia, ficaram incomodados PDT e o PS, fortes no Nordeste, colocando-se em compasso de espera, abrindo-se à negociação com a oposição, na qual despontam, circunstancialmente, PT e PMDB, fortes no Norte-Nordeste.

Ou seja, espectro Norte-Nordeste(com MG na espreita), marginalizado no Ministério Bolsonaro, ameaça melar pretensões do Planalto.

Com Maia, ao lado do PSL, o Legislativo seria capacho do Planalto.

Judicialização em marcha 

No Senado, o emedebista Renan reúne antipatias generalizadas dentro do novo governo entre civis e militares.

Há movimentação nos bastidores para detoná-lo, envolvendo judicialização política, a partir da Procuradoria Geral da República(PGR), pressionada pelo Planalto, a reiterar denúncias de corrupção contra ele, junto ao Supremo Tribunal Federal.

Tenta-se obter delações premiadas por parte de quem teria, nos governos do PT, favorecido, no ambiente da coalisão governamental, o senador das Alagoas, aliado tradicional de todos os presidentes da Nova República(Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma), excetuando-se Temer, do qual foi crítico de sua política neoliberal, que se revelou fracasso eleitoral.

Conseguirão Bolsonaro e seus aliados implodir Renan?

Incógnita.

O candidato do presidente, o senador paulista do PSL, Major Olímpio, ainda é verde.

Parece lobo vestido de cordeiro, tateando controvérsias relativas a Renan, sem radicalizar críticas, apenas, colocando-se como pretendente à vaga em meio a diversos outros, mas, também, disposto a desistir, se não tiver chances.

Fator Queiróz 

Não fortalece as pretensões do Planalto de implodir Renan a presença, no Senado, do filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro(PSL-RJ), depois do escândalo Queiroz.

Política e eticamente, o senador Bolsonaro se encontra fragilizado.

Afinal, não convenceram ninguém as explicações do motorista dele, jogado aos cães pelo próprio presidente, em entrevista no SBT, novo porta voz do Planalto.

Queiróz, disse, operava rolo.

Ou seja, seus próprios patrões, pai e filho, sabem que o motorista é ficha suja.

Nesse contexto, do ponto de vista ético e político, ambos não têm moral elevada para recriminar o senador alagoano, tentando vendê-lo como indigno para disputar a presidência do Senado.

Ao contrário, as circunstâncias voláteis favorecem Renan, especialmente, colocando-se como representante do Nordeste, vítima da ira presidencial.

Bolsonaro pode ter cometido erro fatal ao desdenhar os nordestinos que o derrotaram nas urnas.

2 respostas para “Norte-Nordeste, sem Ministério, pode derrotar Bolsonaro”

  1. AS HIENAS DIREITISTAS E FASCISTAS SE DIGLADIAM, MAS ESTÃO À POSTOS À ESPERA DE UMA BRECHA PARA DAREM O BOTE NA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA E DO SENADO.

    VALE-TUDO NESTE JOGO SUJO, INFAME, IGNOMINIOSO DEPOIS DAS “ELEIÇÕES LIMPAS E DEMOCRÁTICAS”, DE GRITANTES E ESCANDALOSAS FAKE NEWS, QUE MARCARAM O PLEITO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA ANTES E NO DIA 28 DE OUTUBRO DE 2018.

    EIS A CARA DO BRAZIL, REPUBLIQUETA DAS BANANAS! QUINTAL DO COLONIALISMO/IMPERIALISMO SOB A LIDERANÇA DE UNCLE SAM – “TIO SAM” (EUA).

  2. Em 64, o presidente escolhido foi nordestino que teve o mesmo fim de Eduardo Campos que hoje poderia estar no Palacio do Planalto. Que coisa…

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