Intervenção na Vale fortaleceria Mourão e militares

Cavalo arriado na porta

O vice-presidente General Hamilton Mourão está com o cavalo arriado da sorte passando na porta do palácio do Planalto, no exercício do poder, substituindo o presidente Bolsonaro sob intervenção cirúrgica; se intervir na Vale para punir sua irresponsabilidade em produzir desastres empresarial-ambiental-social aumenta seu cacife político e fortalece politicamente os militares no poder bolsonariano.

A população está inconformada com a situação de desleixo no tratamento dos resíduos da mineração; as barragens são construções frágeis; fogem de toda regra de segurança; transformou-se em risco fatal para a vida da comunidade.

As mais de 300 mortes em Brumadinho são pura falta de cálculo não apenas técnico mas social; a empresa, depois de privatizada, excluiu, do seu cálculo de risco, o perigo social; cuidou, apenas, de potencializar lucros e dividendos para os acionistas, à revelia do cuidado contra desastres ambientais.

Interessa aos exploradores internacionais do minério da Vale, tão somente, a questão financeira, econômica e especulativa; a Vale deixou de ser empresa de caráter social, para dar lugar à pura especulação com os preços de minérios, fixados por bolsas internacionais.

O lucro da empresa aumentou em mais de 250% desde o desastre de Mariana há 3 anos; até que ponto essa valorização foi ou não produzida pelo cálculo de risco, para influir na cotação internacional do minério nas bolsas de negócios, especialmente, em Chicago?

Teria ou não sido desastre programado?

O sinistro eleva o preço e o lucro dos exploradores.

As frágeis construções das barragens, sujeitas a chuvas e trovoadas, demonstram instabilidade que refletem na formação de preços internacionais; a maior ou menor oferta e demanda recíprocas variam ao sabor do risco do negócio, especulado nas bolsas.

Nas economias primário-exportadoras, o controle dos preços está fora e não dentro do país; é o que, também, passou a acontecer com o preço da gasolina; ela é determinada pela variação do dólar e da cotação das commodities, controladas, invariavelmente, por oligopólios; estes dominam os preços primários, no jogo da extração, produção e comercialização em escala global.

A Petrobrás submeteu-se ao mesmo jogo especulativo imposto pelos mercados externos aos preços das commodities óleo e minério.

Antinacionalismo especulativo

Minérios, óleos e alimentos, base da economia nacional, variam ao sabor do antinacionalismo especulativo, o espírito que domina a exploração mineral; como inexistem cadeias produtivas, que agregam valor à produção primária, a cotação é dada pelo especulador externo não pelo produtor interno.

Não se desenvolve capitalismo orgânico, no qual se expande produtividade, para garantir competitividade internacional; o domínio da produção de primários de forma oligopolizada, como acontece com a Vale privatizada, eterniza desindustrialização e deterioração nos termos de troca internacional.

Não há um átimo de interesse público e social por parte da Vale como empresa meramente exportadora; o contrário ocorria quando era estatal; produção primária articulava-se com produção secundária e terciária, no desenvolvimento das cadeias produtivas; por meio delas, dialeticamente, industrializa-se a economia; pinta agregação dos valores terciários e secundários aos primários e vice-versa, interativamente, na lógica desenvolvimentista em busca de sustentabilidade econômica.

A Vale privatizada é garantia de deterioração nos termos de troca internacional e, sobretudo, descompromisso com a sua função social de agente do desenvolvimento nacional, como foi concebida em 1942 por Getúlio Vargas; como meramente exportadora de produtos primários e semielaborados não apenas é abandonada a responsabilidade social da empresa, como, igualmente, deixa de ser agente do desenvolvimento sustentável.

A falta de responsabilidade social, comprovada pelo desastre ambiental, abre espaço à ação política do Estado; será necessário restabelecer a responsabilidade social da empresa como produto de clamor popular.

O desastre empresarial ambiental revelou ser grande crime contra os direitos humanos.

Os militares vão continuar com essa estratégia antinacional, antipopular, eleitoralmente, suicida?