Tio Sam está satisfeitíssimo com Bolsonaro

Dominação imperial

Tio Sam nunca pensou que fosse tão fácil abocanhar geopolítica e economicamente o Brasil, montando estrutura de poder militar com candidato adequado a essa nova ordem com amplo prestígio popular.

O trabalho requereu, apenas, inteligência e espionagem, algo que a CIA sabe muito bem fazer.

O trabalho que ela, anteriormente, tinha feito no Oriente Médio, com a tal da Primavera Árabe, que se revelou movimento de direita para desestabilizar movimentos de oposição, para não alcançarem poder político, está sendo sucesso no Brasil.

A guerra híbrida, calcada em pressupostos abstratos, que se realizam pela utilização da nova arma política, a cibernética, criadora de movimentos virtuais geradores de adversários ideológicos, que se guerreiam, mutuamente, para se autodestruírem, instalou nova geopolítica.

Construiu-se forma de envolvimento psico-social em torno de pautas abstratas, como as denominadas lutas identitárias e as religiosas, para dividir e distrair a população, enquanto se realiza o grande assalto, a rapinagem geral do patrimônio público, empresas estatais, petróleo, pré sal, água, biodiversidade etc.

A campanha eleitoral se desenrola sem o envolvimento do debate político ideológico central, qual seja, o confronto entre o modo nacional de gerir o País, nacionalista, e o modo anti-nacional, neoliberal, imposto de fora para dentro, pelos credores da dívida pública, quase do tamanho do PIB nacional.

Ao longo das últimas quatro eleições, lá se vão vinte anos, tem saído vitorioso, nessa pendenga, o discurso nacionalista, avesso às privatizações, à liberação geral da economia e das finanças, como deseja o mercado financeiro especulativo, monitorado por Wall Street-Washington.

A esquerda social democrata, PT e aliados, entre eles, o PMDB, não deixou, entre 2003-2014, a direita anti-social democrata, PSDB e aliados, pró-Wall Street-Washington, evoluir, a ponto de ganhar o poder, democraticamente, pois seus programas de governo antinacionais não foram aprovados nas urnas.

O mercado financeiro, então, partiu para a ignorância; embarcaram, de cabeça, na direita radical, ultraneoliberal, com Bolsonaro, que os militares, sem espaço na social democracia petista e tucana, disposta a enquadra-los na Comissão da Verdade, abraçou, para atuarem como agentes políticos, igualmente, sintonizados com Tio Sam.

O jogo de Bolsonaro foi, até agora, o de desprezar, completamente, a falsa democracia tucana neoliberal, ligada ao partido Democrata americano, pró-guerra contra Rússia e China, e abraçar o neoliberalismo radical, muito adequado a Trump e ao mercado financeiro especulativo, de olho nas reservas do pré sal, nas estatais, nas terras agricultáveis do Brasil, em sua biodiversidade etc.

Detonar PT

A barreira a ser transposta seria o PT e sua liderança popular maior, Lula.

Tornou-se necessário criminalizar narrativamente o discurso nacionalista como fruto da corrupção patrimonialista, expressa, segundo os neoliberais,  no aparelhamento do Estado pelo Partido dos Trabalhadores.

Fixou-se e expandiu-se estratégia conservadora antinacional empenhada em formar consenso midiático ideologicamente calculado de que a fonte da corrupção, no estado patrimonialista, está no governo, e não no mercado financeiro especulativo, que depende da dívida pública, para expandir seus lucros na base da agiotagem desenfreada.

O efetivo combate aos corruptos seria, então, acabar com a fonte da corrupção, ou seja, o Estado.

A jogada, por tabela, é vender os bens do Estado para satisfazer o mercado financeiro, credor da dívida.

Não seria tiro no pé matar a galinha dos ovos de ouro, a dívida, que rende juros especulativos, como principal fonte de lucro dos credores?

O que é mais negócio para o credor: continuar com o endividado com capacidade de pagar, renegociando, sempre, com ele, como acontece nas democracias desenvolvidas, ou liquidá-lo, tornando-o inadimplente, candidato a caloteiro?

A inadimplência estatal não seria total, depois de liquidar bens públicos, cuja soma, por mais generosa que seja, não seria suficiente para acabar com a dívida, que cresce bombeada por juros especulativos?

O que sobrará para honrar os papagaios, se não haverá mais patrimônio como garantia?

Teria vida longa estratégia bolsonariana, seguindo linha ultra-neoliberal, incapaz de entregar a promessa eleitoral que Bolsonaro faz em campanha de combater desemprego, se no horizonte se sinaliza o contrário?

Talvez, por isso, o senador reeleito de Alagoas, do PMDB, Renan Calheiros, candidato à presidência do Senado, esteja, já, prevendo naufrágio do barco bolsonariano, em seis meses; o discurso de prioridade à segurança como fator de geração de emprego teria vida longa?

Se o desemprego não recuar, o prestígio popular de eventual governo se esvaziaria, rapidamente, porque o pressuposto moralista e religioso de combate ao estado patrimonialista corrupto, simplesmente, não enche barriga, depois de certo tempo de manipulação ideológica.

Até lá, Tio Sam já teria abocanhado as riquezas fundamentais que já está se apropriando, com facilidade incrível, sem nenhuma resistência.

Ele deve estar gozando a cara dos brasileiros: “povo frouxo!”