Forças Armadas precisam condenar golpe tucano e criar aliança cívico-militar nacionalista para Brasil soberano

Caiu a máscara do golpe

A confissão tardia do senador tucano Tasso Jereissati, poderoso empresário, homem da elite, de que o PSDB errou três vezes, na sua estratégia de busca do poder a qualquer custo, é lição à qual, sobretudo, os militares têm que estar atentos, se não quiserem se afastar do povo, se, ao contrário, se dispuserem  construir verdadeira aliança cívico-militar, em nome da democracia e soberania nacional.

Os tucanos golpearam a democracia, negando resultado eleitoral de 2014; apoiaram a aventura política suicida de Aécio Neves de entrar na justiça eleitoral para afastar Dilma e embarcaram na canoa furada do programa Ponte para o Futuro do PMDB, projeto neoliberal antinacionalista, responsável pela recessão que produziu 13 milhões de desempregos, 63 milhões de inadimplentes, 30 milhões de desocupados, além de acelerar superconcentração da renda nas mãos de meia dúzia de bancos, que acumularam, no primeiro semestre desse ano, R$ 80 bilhões.

Crime de lesa pátria.

Os desajustes econômicos – desoneração de custos de produção das empresas e redução de preços dos combustíveis e energia elétrica – que haviam sido acumulados no governo Dilma por pressão da burguesia tupiniquim, incapaz de ser competitiva, interna e internacionalmente, porque viciada no capitalismo de compadrio patrimonialista, ajudaram a bombear bancarrota econômica.

Mas isso só não explica a queda, em 2015 e 2016, de 9% do PIB, se não for acrescido ao desastre o golpe político institucional tucano, com ajuda do PMDB, que levou ao poder o ilegítimo Temer.

A economia, tendo nas costas o peso do desajuste fiscal e o golpe contra democracia, entrou em parafuso.

Os investidores recuaram, adiaram investimentos e, também, conspiraram, por meio das suas lideranças antinacionalistas, sempre predispostas a vender o País por 30 dinheiros, qual Judas Iscariotes.

Destaque-se, ainda, a armação que se realizou no Congresso, com as pautas bombas tocadas pelo mafioso presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha(PMDB-RJ), para inviabilizar a execução orçamentária e criar condições objetivas para o impeachment sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo, a fim de sacar Dilma do poder.

Tremenda conspiração

O que, nesse período, fizeram os militares, com a economia em bancarrota e as suas teses nacionalistas mais caras em perigo?

Cruzaram os braços para defesa da Amazônia; para desapropriação do pré-sal, a preço de banana; para desarme do programa nuclear, desativando construção do submarino atômico; para transferência, aos americanos, da base de Alcântara, indispensável ao lançamento de foguetes e satélites geoestacionários, para domínio de investimentos bélicos e espaciais e defesa do território nacional etc.

Também, foram lenientes com as denuncias de que a Operação Lavajato foi montada a partir de articulação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com propósito de ampliar desestabilização da classe política, não, apenas, brasileira, mas, também, latino-americana, de modo a facilitar desmonte de grandes empreiteiras contratadas pelo governo, para tocar as importantes obras de infraestrutura nacional.

Lavaram as mãos, como Pilatos, no credo, para sacanear Jesus Cristo.

Da mesma forma, ficaram em completo silêncio com a colocação da Petrobrás nas mãos de investidores externos, cuja cabeça de ponte, na empresa, chamava-se Pedro Parente.

Não emitiram uma opinião sequer, como andam fazendo, relativamente, aos assuntos políticos, dos quais tinham que estar afastados, sobre a política de liberação de preços dos combustíveis e refinados, ditadas pelo mercado internacional, sujeita às manipulações das grandes petroleiras americanas e europeias, que abocanharam o pré sal.

Os militares estão, estranhamente, ausentes dos assuntos quentes ligados à soberania nacional nos quais, no passado, estiveram engajados, como o da Petrobrás, maior empresa brasileira, maior da América Latina, uma das mais importantes do mundo, a caminho de ser transformada em mera exportadora de óleo cru e importadora de produtos manufaturados, conforme orientação alienígena.

A grande petroleira, base da industrialização brasileira, desde Getúlio Vargas, graças ao seu potencial de alavancar as empresas nacionais, por meio de compras governamentais de grandes plataformas, para acelerar exploração, industrialização e distribuição dos derivados de petróleo, virou, está virando, mera distribuidora internacional de gasolina, diesel e óleos refinados  importados.

Em vez de ficarem atentos e proativos na defesa desse grande e inestimável patrimônio, os militares resolveram se embrenhar na política, para chancelar os operadores da Lavajato na tarefa de destruir a candidatura Lula.

Embarcaram na onda da acusação sem prova, como o caso do apartamento triplex do Guarujá cuja propriedade atribuída ao ex-presidente não está e nunca esteve registrada em cartório no nome dele.

Manipulação constitucional

Os militares compactuaram com a manipulação da Constituição, por meio do Judiciário, ativo no golpe, reconhecido, agora, pelos tucanos, ao admoestar o STF para não dar habeas corpus a Lula.

Igualmente, não admitiram que ele disputasse eleição, como lhe assegura a Lei da Ficha Lima, na condição de réu sub judice.

O espetáculo da submissão dos militares aos interesses dos golpistas chegou ao ápice ao considerarem ingerência nos assuntos internos do País a recomendação da ONU em favor da participação de Lula na disputa eleitoral.

Ora, o que é a ONU senão o próprio povo brasileiro na qual ele, com os outros povos, participa, numa irmandade internacional, civilizatória?

O Brasil assiste, nesse momento, o triste espetáculo de generais pedindo Constituição sem povo, elaborada nos laboratórios dos ditadores, como a de 1967.

Afastam-se, desse modo, do anseio popular, determinado a cumprir a Constituição, por meio de democracia direta, ampliando-se para a democracia participativa.

O golpe tucano, reconhecido por Tasso Jereissati, comprovou o que a elite, por meio de mídia conservadora, oligopolizada, igualmente, golpista, cuida de negar, ou seja, que não houve golpe.

Os militares embarcaram nessa farsa, como se tivesse ocorrido cumprimento da Constituição, como se a lei maior do País, não tivesse sido estuprada.

Quando farão autocrítica, para não chancelaram interesses da elite golpista e se alinharem aos do povo, em nome do qual tem sua razão de existir?

Se não fizerem, se tornarão impopulares, como os políticos, que, no Congresso, venderam sua alma ao diabo, rifando a democracia.