Facada esconde vitória lulista contra judicialização da política na eleição

Radicalização eleitoral

A facada em Bolsonaro reverteu, radicalmente, noticiário político, até então, marcado pela disputa Lula-Judiciário, fator condutor do processo eleitoral.

Lula, preso, estava faturando, politicamente, conforme atestam pesquisas.

Quanto mais tempo preso, mais vítima, mais popular.

Favoritismo eleitoral irresistível.

O judiciário político, embalando desmoralizada judicialização da política nacional, bombeou a candidatura Lula até os 42% do eleitorado.

Na prática, deixou de ser útil, especialmente,  aos adversários de Lula, que esperavam sua destruição política com a prisão em Curitiba.

Não pegou, para a população, a narrativa jurídico-midiática de que, com Lula preso, se tinha prendido o Chefe da Orcrim, denominada, pelo judiciário partidarizado, organização criminosa corrupta petista.

As pesquisas eleitorais comprovam que a população não comprou essa narrativa, dobrando apostas em Lula.

Ela não deu crédito à justiça, ao perceber que não há convicção jurídica de que é justa a condenação de Lula, ocorrida sem prova concreta de que o tríplex do Guarujá seja dele, se não há registro em cartório.

Lula, no processo eleitoral, derrotava a judicialização da política ao anuncio de cada pesquisa eleitoral.

O judiciário político não conseguiu o que pretendia: massacra-lo.

O tiro saíra pela culatra.

A judicialização da política deixou de ter utilidade ao não anular Lula.

Ao contrário, transformou-o em fato político irresistível a comandar o processo eleitoral.

Olha a faca!

De repente, a facada em Bolsonaro virou cenário de ponta cabeça.

Obra do acaso?

A candidatura Lula-Haddad-Manuela, em escalada para ganhar no primeiro turno, amplamente, favorecida na luta política contra o judiciário político, somente perderia pique para fato político superveniente.

Qual?

A facada em Bolsonaro veio a ser essa superveniência politicamente emergente.

Ela entrou em campo para ampliar o espaço do noticiário voltado ao crime contra o capitão.

A exacerbação do assunto, na Globo e cia ltda, abrindo e fechando noticiário com o fato extraordinário, jogou para baixo do tapete não apenas a vitória lulista contra o judiciário politizado, mas todos os demais assuntos candentes, como recessão, desemprego etc, escondidos pelo discurso da corrupção.

Só há espaço, agora, para falar sobre o atentado.

Pela dimensão que tomou, ele se transmutou de fato político em causa política, explorada como programa eleitoral para ganhar eleição.

Teria ou não sido algo calculado para produzir tal efeito, de modo sobrepujar favoritismo de Lula embalado pela desmoralização da judicialização da política?