Soldados morrem na austeridade neoliberal

Hoje, Dia do Soldado, os militares estão revoltadíssimos.
Morreram três deles nos tiroteios com os traficantes, nos últimos dias.
As famílias, claro, estão desoladas.
Estatísticas macabras crescem.
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, saiu do sério.
Disse que, aparentemente, o sacrifício está sendo, apenas, dos homens dele.
As autoridades, acrescentou, não estão fazendo nada.
Declarou isso ao lado do presidente ilegítimo Temer 90% de rejeição popular.
Também, pudera, como as autoridades públicas, principalmente, estaduais agirão, se estão de caixa baixo para fazer política social?
Manda na política econômica, de forma soberana, apenas, o mercado financeiro especulativo.
A primeira decisão do ilegítimo Temer, depois do golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016, foi suspender, por vinte anos, em nome de austeridade neoliberal, gastos sociais, os que geram renda disponível para o consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimento.
O governo temerista adotou o anticapitalismo no Brasil a propósito de ajuste fiscal, na linha do Consenso de Washington. Villas Boas, na prática, não acredita nessa política, que a considera adequada, apenas, aos especuladores.
Ela destrói a segurança nacional.
Isso ele disse, em 25.08.2016, no Ceub, às vésperas do golpe, em palestras aos formandos daquele ano.
Indagado, na ocasião, sobre a sua condição de soldado nacionalista frente à política antinacionalista do mercado financeiro que critica, disse que, no Brasil, a elite elogia o nacionalismo dos outros e combate o nacionalismo no Brasil.
Ressaltou, numa linguagem contida, mas cheia de preocupantes presságios, que, agora, se confirmam, ser perigosa para a segurança nacional a prioridade ao mercado e, principalmente, para a soberania nacional.
A verdadeira segurança requer política desenvolvimentista, com mais oferta de educação, saúde, emprego, política ambiental etc.
Portanto, ele sabe que, apenas, a colocação do Exército para conter os distúrbios sociais, que explodem nos grandes centros, não será suficiente.
Pelo contrário, irá agravá-los, como admite o ministro da Defesa, Silva e Luna, ao se aproximar o fim do prazo marcado para durar presença dos soldados do Exército na antiga capital da República, conflagrada pelos conflitos sociais, intensificados pelo avanço do desemprego neoliberal.
Certamente, a situação piorará, porque o desemprego não apenas continuará, mas expandirá, mantido o congelamento econômico neoliberal.
Basta ver os últimos números da economia, dando conta de que o PIB, no segundo trimestre, cresceu meros 0,1%.
Na era econômica glacial, descongelado, no orçamento geral da União, está, apenas, o gasto para pagamento de juro e amortização, que consome 51% do total orçamentário,realizado, no ano passado, em R$ 2,7 trilhões.
A sociedade virou escrava do mercado financeiro.
Predomina, no Brasil, cruel bancocracia, alvo dos candidatos em geral à presidência da República, na eleição de 7 de outubro.