Ideólogo da bancocracia neoliberal

Receita de Tio Sam

Ao longo dos próximos 20 anos, tempo de duração do congelamento dos gastos públicos sociais e do descongelamento dos gastos públicos financeiros, principal medida macroeconômica do governo golpista Temer, para desmontar o nacionalismo varguista/lulista, como exige Consenso de Washington, a economia estará submetida a essa camisa de força neoliberal.

A taxa de crescimento das despesas públicas, conforme a narrativa do economista Chico Lopes, formado em Harvard, no Valor Econômico, bíblia dos banqueiros, “deverá ser não superior à taxa de inflação, que em condições normais, é inferior à taxa de crescimento do PIB”.

Suposições, tais como as dos procuradores da Lavajato, para concluir por culpas alheias passíveis de condenações em segunda instância, a partir de teorias jurídicas nazistas sobre o domínio do fato.

Consequentemente, conclui, “a despesa pública como percentual do PIB estará caindo ao longo do tempo, ao passo que a receita pública manterá uma relação estável com o PIB”.

Mero anseio de verdade.

Como se vê, tal narrativa, meramente abstrata, sujeita a chuvas e trovoadas, é a aposta do mercado financeiro no congelamento das rendas do povo e descongelamento das rendas dos especuladores, como medida econômica altamente positiva para garantir crescimento sustentável da economia, diz Lopes, em “Ajuste fiscal com crescimento”!

Será?

Lopes assemelha-se ao personagem de Dostoieviski, em “O jogador”.

Quem garante que as despesas financeiras descongeladas se manterão estáveis, enquanto estarão congeladas despesas não-financeiras(educação, saúde, segurança, infraestrutura etc), que são renda disponível para o consumo, produção, emprego, arrecadação e investimentos?

No limite, não correria perigo o pagamento dessas próprias despesas financeiras?

Tal lógica, evidentemente, fragiliza as finanças públicas a justificarem venda de ativos para pagar dívidas, já que não haverá dinheiro em caixa para tocar programas de investimentos, calculadamente, bloqueados.

Afinal, a sustentação dos gastos financeiros, que não geram crescimento, dependerá dos gastos não-financeiros, os únicos capazes de produzir desenvolvimento minimamente sustentável.

Abstração neoliberal

Chico, cauteloso com sua própria narrativa abstrata, ressalta a necessidade de existir condições normais de temperatura e pressão, para sua teorização dar certo.

Conclui com um chute: a despesa pública gasta no social, que, dialeticamente, é investimento, como percentagem do PIB, estará caindo ao longo do tempo, ao passo que a receita, para os credores/especuladores, se manterá estável em comparação ao PIB, dependendo das circunstâncias sobre as quais não se tem controle.

Quem saberá dizer com precisão que vai acontecer com a economia mundial sujeita à guerra comercial?

Se vai entrar menos dinheiro em caixa, como haverá estabilidade de receita?

Ou não seria o contrário, pura instabilidade, se estará entrando menos dinheiro, por conta do garrote vil nos gastos sociais, que geram arrecadação?

Como haverá estabilidade econômica, se o congelamento destrói consumo, sem o qual o empresário não investe?

Nesse contexto, as despesas aumentam ou diminuem, no compasso da queda da receita?

As crises fiscais ensinam que os juros crescem, se o risco financeiro do tesouro aumenta, quanto mais afetada arrecadação abalada por receita cadente, baleada pelo congelamento neoliberal.

Os países ricos, especialmente, os Estados Unidos, o mais poderoso deles, depois do crash de 2008, ensinaram como combater ajuste fiscal, para valer; adotaram juro zero ou negativo decorrente de gigantescas expansões monetárias; diminuíram, dessa forma, despesas do governo, das famílias e dos empresários; a economia americana voltou a crescer, com o acrescimento da providência nacionalista protecionista.

Por aqui, nesse interim, os juros, sobre pressão da banca, continuaram escorchantes: olhem no que deu em matéria de desajuste fiscal.

Ainda há os teóricos de que o desajuste é provocado por gastos salariais com servidores e com previdência social, rendas que voltam à produção, gerando arrecadação.

Já os juros que esterilizam a economia ficam descongelados.

Economicídio tupiniquim

Os ricos não caem na armadilha neoliberal de combater déficit fiscal matando a galinha dos ovos de ouro que são investimentos públicos sociais.

Essa tarefa fica para os que golpeiam a democracia como os que colocaram Temer e cia ltda no poder, cujo destino é a desmoralização popular completa, a conferir-lhes inviabilidade eleitoral.

Por que Trump se viabiliza eleitoralmente?

Porque, ao lado dos juros cadentes, zero ou negativo, congelados pelo governo Obama, depois do crash de 2008, o atual titular da Casa Branca acrescenta nacionalismo protecionista e guerra comercial?

No ambiente de guerra, será recomendável o neoliberalismo congelador de gastos sociais e descongelador de gastos com juros, como faz o ilegítimo Temer e cia Ltda?

Não à toa, Henrique Meirelles, gênio bancário que concebeu o congelamento, combinado com Wall Street, rasteja em 1% na pesquisa eleitoral, como candidato do PMDB.

Os economistas neoliberais tupiniquins, tipo Chico Lopes, seguem a receita da bancocracia à qual se subordinam para se viabilizarem como consultores muito bem pagos por ela: descongelamento de juro e congelamento de investimento.

Comprovam sua suposta eficácia com as formulações matemáticas, econométricas perfeitas, que se realizam no exterior da realidade, sem contudo, como dizia Hegel, poder determina-la.

O fato é que o congelamento neoliberal é puro anticapitalismo, contramão do sistema que está entrando em guerra comercial global.