Ciro espancou pensamento único da Globo, detonou especuladores e caiu em desgraça

Tema tabu

Ciro Gomes, PDT, mostrou-se livre, leve e solto ao encarar a questão mais quente no debate da Globonews: as causas do endividamento público, que mantêm a economia, há anos, em ritmo de banho maria.

O assunto, como se sabe, é abordado, na mídia oligopolizada, conforme orientação do pensamento único ditado pelo Consenso de Washington, de Wall Street e FMI, com os quais se sintoniza.

Os culpados pelo déficit público, diz tal pensamento mecanicista, são os gastos excessivos do governo com os servidores públicos e Previdência Social.

Isola-se, conforme pensamento único, a Previdência do conjunto da Seguridade Social, para caracterizá-la como deficitária.

Ciro bombardeou a orientação de Washington.

Argumentou que 51% do total do Orçamento Geral da União(OGU), realizado, no ano passado, em R$ 2,7 trilhões, representam gastos financeiros, pagamento de juros e amortizações da dívida.

Os restantes 49%, gastos não-financeiros, cobre todos os demais setores, inclusive, servidores e previdência, sem falar em infraestrutura.

Sozinha, nesse contexto, a Previdência é responsável por 29%.

Gasto ou investimento?

Detalhe importante, fundamental: enquanto os 51% de gastos financeiros são grana que não dá retorno algum em forma de desenvolvimento, ficando, praticamente, esterilizados, os 49% são, em vez de gastos, investimentos, dado seu efeito multiplicador ao girar a economia, produzindo renda, emprego, consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e novos investimentos – o silogismo capitalista.

CPI, no Senado, comprovou que a Previdência, ao contrário do que diz o Consenso de Washington, que orienta a política econômica que congela, por vinte anos, os gastos sociais, não é deficitária, mas superavitária.

A Constituição de 1988 prevê receitas(impostos e contribuições) e despesas(aposentadorias e pensões), que garantem sustentabilidade financeira ao Sistema de Seguridade Social, tripé da Saúde, Assistência Social e Previdência.

Os abalos no sistema decorrem da subtração de 30% do seu caixa, para pagar juros e amortizações de dívidas, somando algo em torno de R$ 200 bilhões/ano.

Portanto, para Ciro Gomes, o corte de gasto, para combater déficit público,  deve ser feito nas despesas financeiras e não nas despesas não-financeiras.

Cortar despesas não financeiras afeta a população, sacrificada para gerar renda capaz de sustentar privilégios dos credores, cujos lucros se acumulam com cobranças de juros sobre juros – juros compostos -, anatocismo, considerado crime pelo Supremo Tribunal Federal, conforme súmula 121.

Banca atônita

A banca(opa!) de nove jornalista da Globo ficou atônica, com olhos arregalados, diante do assunto que merecia ser debatido intensamente, dada sua importância fundamental para a vida do povo.

Miriam Leitão, coordenadora do debate, tentou argumentar que a dívida é poupança da sociedade depositada em diferentes fundos de investimentos, razão pela qual cortes de despesas nos gastos financeiros implicariam calotes nas famílias.

Ciro fulminou esse argumento ao destacar que todos os recursos desses fundos circulam na rede bancária, deixando no caixa dos bancos grossas comissões, que precisariam ser questionadas em sua essencialidade social.

Valdo Cruz veio com o velho papo furado de que os juros são altos porque o governo gasta mais do que arrecadada, acumulando déficits.

Há gastos e gastos; gastos não financeiros são investimentos, dão retorno: os gastos não-financeiros dão prejuízo, solapam o caixa do tesouro.

Quais devem ser cortados?

O assunto é meramente técnico ou substancialmente político?

Conforme pensamento único, gastos excessivos com os juros serão consequência, não causa do empobrecimento coletivo.

Ciro metralhou essa visão neoliberal.

Destacou que desastrada é a política macroeconômica obediente às determinações externas, administrada por banqueiros privados, como Henrique Meirelles, cuja poupança milionária individual, disse, é depositada em paraísos fiscais etc.

Quando começou a pegar fogo o assunto por meio das argumentações do candidato bem informado sobre as questões financeiras, a condutora do debate passou, rapidamente, para outro assunto.

Mas, o recado já havia sido dado, de forma explosiva.

Renegociação ou calote?

Ciro tocou no nervo exposto: o grande problema nacional, na verdade, são as despesas financeiras que comem mais da metade do orçamento da União sem produzir nenhuma compensação em forma de desenvolvimento.

Os críticos dizem que no fundo a proposta do candidato do PDT representa calote.

Será?

Os governos dos países capitalistas desenvolvidos, com destaque para os Estados Unidos, atacaram suas despesas financeiras, depois do crash de 2008, reduzindo as taxas de juros a zero ou negativo, por meio de megas expansões monetárias, em vez de megas cortes de gastos sociais, como faz, nesse momento, o governo neoliberal ilegítimo de Temer, fruto de golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016.

Essa estratégia reduziu dívida dos governos, das famílias e das empresas, para permitir a economia funcionar.

Na prática, representou renegociação de dívida, para abrir espaço ao desenvolvimento.

Confirmou-se, na crise, que os ricos não se ajustam por meio de cortes nos gastos não-financeiros, mas, ao contrário, nos gastos financeiros, por meio do congelamento de juros, não de despesas essenciais para sobrevivência da população.

Discutir esse assunto, por aqui, em terra brazilis, é tabu.

A mídia oligopolizada grita, logo de cara: calote!

Adam Smith, pai  do liberalismo econômico, na economia clássica do século 19, diz, em “Riqueza das nações”, que dívida pública não se paga, renegocia-se.

Ciro abriu o debate sobre o assunto candente, mas foi logo cortado.

Talvez seu futuro, como candidato, tenha chegado ao fim, na entrevista à Globonews.

Falou abertamente sobre tema proibido.

Perdeu todos os aliados com os quais contava para tocar sua candidatura.

Está sozinho.

Seria mero acaso?

 

 

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