Nacionalismo x neoliberalismo

ALCKMIN, CANDIDATO DE TEMER, PREGA O QUE ESTÁ SE REVELANDO FRACASSO, A PONTE PARA O FUTURO, PROGRAMA DO GOLPE, CUJA ACEITAÇÃO É ZERO PELA OPINIÃO PÚBLICA. LULA PRESO, SEM PROVAS CONCRETAS DO CRIME DE QUE É ACUSADO, VENCE COM O PÉ NAS COSTAS, ADOTANDO NACIONALISMO CONTRA O ECONOMICÍDIO NEOLIBERAL.

Repeteco histórico

A decantação das candidaturas vai sinalizando que deverá se repetir em outubro a disputa história entre PT e PSDB, com seus respectivos penduricalhos partidários.

De um lado, os tucanos e seu compromisso com os americanos, de levar o Brasil para a órbita geopolítica de Washington; de outro, os petistas, com Lula ou aquele a ser apoiado por ele, se não puder disputar, com o projeto geopolítico multilateral, que diversifica as relações políticas internacionais do Brasil, vinculando-as ao movimentos por nova ordem internacional, com fortalecimento dos BRICs, onde despontam os maiores adversários dos Estados Unidos, China e Rússia, mais Índia e África do Sul.

Em confronto, portanto, a orientação neoliberal unilateralista americana, vinculada à dominação do dólar, à qual os tucanos se comprometem, para tornar o Brasil submetido ao Consenso de Washington, com o projeto lulopetista nacionalista.

Geopoliticamente, tal nacionalismo se ancora, do ponto de vista da soberania nacional, no Plano Nacional de Defesa(PND) e na Estratégia de Defesa Nacional(EDN), aprovados, respectivamente, no Congresso, em 2005 e 2007, com entusiasmo da ala nacionalista das Forças Armadas.

Enterrar Vargas, ordem neoliberal

O neoliberalismo tucano se sobressaiu inteiro na primeira entrevista chapa branca de Alckmin, no programa Roda Viva, na tevê Cultura.

O governador de São Paulo, que tenta, pela segunda vez, chegar ao poder nacional, abre seu programa, prometendo jogar por terra a primeira medida adotada por Getúlio Vargas, no comando da Revolução de 1930, que construiu as bases do Estado nacional: o Ministério do Trabalho.

Até então, a classe trabalhadora estava submetida à visão estritamente escravocrata adotada pela República Velha, que via os conflitos do trabalho com o capital, como caso de polícia.

Vargas introduziu moderna legislação do trabalho com o objetivo de construir as bases do mercado interno, para garantir consumidores para a indústria nacional, nascente com a poupança acumulada pelo café, como estratégia para enfrentar a grande crise de 1929.

Antes de Vargas, trabalhador era escravo, praticamente, sem renda disponível para consumo, sem o qual seria impossível erguer capitalismo nacional.

A simbologia expressa na primeira providência política varguista, com criação do MT, está na base do desenvolvimento industrial, impulsionado pelo programa nacionalista, que sobreviveria dos anos 1950 até a Era Lula e Dilma, com interregno da dominação tucana, entre 1994 2002, Era FHC, subordinada ao Consenso de Washington.

AO PROMETER ACABAR COM MINISTÉRIO DO TRABALHO, ALCKMIN JOGA PÁ DE CAL NA REVOLUÇÃO DE 1930 E RESTAURA O GOLPE CONSTITUCIONALISTA CONSERVADOR PAULISTA DE 1932, PARA LEVAR O BRASIL À REPÚBLICA VELHA ESCRAVOCRATA. MARCHA À RÉ HISTÓRICA.

Derrocada nacionalista

O golpe de 2016, que derrubou Dilma, eleita com 54 milhões de votos, e que, nesse momento, mantém Lula preso, para evitar sua candidatura, dependente, agora, de levante popular, repôs as linhas básicas do Consenso de Washington.

Com Michel Temer, no comando, unindo PMDB e PSDB, os golpistas iniciaram linha de desmontagem da estratégia nacionalista lulopetista/varguista, que vigorou de 2003 a 2014.

Destaca-se, no programa político econômico de Lula, para enfrentar Alckmin, o oposto da orientação tucana, essencialmente, privatizante, idêntica à que segue Temer, colhendo, como resultado, o repúdio popular e sua consequente inviabilidade eleitoral.

Alckmin é, politicamente, filho de Temer.

Terá, portanto, imensas dificuldades de desvencilhar-se de tal praga eleitoral, rejeitada pela opinião pública, conforme atestam diversas pesquisas.

Alckmin, centro-direita, está armado pela estratégia americana, que, com o golpe, tirou o Brasil dos BRICs, da aproximação geopolítica com China e Rússia, para submetê-lo aos designos de Tio Sam.

Em sua entrevista à Cultura, Alckmin desfolha seu ideário econômico e político historicamente conhecido, abraçado pela elite tupinquim, de contentar-se em ser, eternamente, sócia menor do império americano.

Petrobrás e agronegócio sucateados

O governador de São Paulo prega desmobilização da Petrobrás, sua transformação em exportadora de óleo cru, para ser, apenas, importadora de manufaturados.

Com isso, os tucanos impõem duro golpe ao agronegócio nacional, pois estão sendo fechadas todas as fábricas de fertilizantes nitrogenados, criadas na Era Lula/Dilma, para libertar a agricultura brasileira das importações desse produto, fundamental, ao lado da oferta de diesel, para garantir competitividade brasileira com os concorrentes americanos.

A Petrobras, sujeita à orientação externa, norte-americana, com a qual concordam Alckmin e seus aliados do Centrão, torna-se adversária do agronegócio, ao impedir industrialização dos insumos dos quais os agricultores brasileiros dependem para ser competitivos, submetendo-os às imposições das multis, que jogam com preços oligopolizados dessas matérias primas indispensáveis à produção agrícola etc.

Ou seja, as bases fundamentais da economia – petróleo e alimentos – estão sendo literalmente destruídas, com apoio irrestrito dos tucanos e seus aliados.

Predominância completa da pregação do Consenso de Washington.

GOMES NÃO VÊ FUTURO NO NEOLIBERALISMO ALKMINIANO DO PSDB-CENTRAL, REPETECO DO CONSENSO DE WASHINGTON, ADOTADO NA ERA FHC E NO DESASTRE TEMER. PULOU FORA DO CONVITE PARA SER VICE DO QUE SE REVELA PURO DESASTRE.

Oposição petista

Já, Lula, como destaca o programa elaborado pelo Partido dos Trabalhadores, sob coordenação de equipe comandada por Fernando Haddad, promete reverter o que considera ruína neoliberal, contra a qual, nos Estados Unidos,  se insurgiu o próprio governo Trump.

Curiosamente, a política de Trump assemelha-se à de Lula, em seu caráter nacionalista, que derrotou à do Partido Democrata, que derrotou em 2016.

A queda de braço eleitoral entre Alckmin e Lula, portanto, será, basicamente, ideológica, mais uma vez, confrontando duas posições antagônicas.

Alckmin expressa posição dos democratas, cuja base de apoio é o mercado financeiro especulativo e a indústria de guerra, a qual Trump derrotou com sua proposta nacionalista, que assemelha-se ao programa do PT, de fortalecer o capitalismo nacional, valorizando mercado interno, salários, consumo, produção, arrecadação e investimentos.

Alckmin, pelo que apresentou na Cultura, aprofundará o programa fracassado de Temer, o Ponte para o Futuro, que se desmoronou, com o congelamento de gastos sociais, como principal medida macroeconômica golpista.

Lula promete o contrário: suprimir o teto de gasto neoliberal, para gastar mais no social, porque não considera gasto no social despesa, mas, sobretudo, investimento.

Morte do consumidor

Tratam-se os gastos sociais, na visão lulista, de renda disponível para o consumo sem o qual o desenvolvimento, como mostrou o desastre temerista, não se realiza, mantendo a economia exposta à inexistência de expectativa, da qual os empresários fogem.

Não veem diante de si o que mais precisam, o consumidor, sufocado pela insuficiência de renda, cuja origem se encontra no congelamento neoliberal de gasto social.

O programa de Alckmin é o gerador de renda para o especulador às custas do gasto social, em nome do Estado neoliberal, ausente do processo econômico, contramão do que está em cena, na economia mundial, a partir das quatro economias mais importantes do mundo: os Estados Unidos protecionista com Trump; a Europa idem, com os nacionalistas resistentes ao neoliberalismo pregado pelo FMI; e a Rússia e a China, cada vez mais aliadas entre si, com comando político nacionalista comandando políticas econômicas.

Alckmin, portanto, é retorno ao passado que já foi ultrapassado, é a volta ao útero materno.

Só Freud explica.

A insistência alckminiana no fenômeno freudiano não percebe seu próprio fracasso, expresso na pesquisa eleitoral que o coloca sem chances de vitória frente a Lula.

Ela, sobretudo, explica fuga do empresário Josué Gomes ao convite para ser vice de Alckmin.