Falso Trump tropical

Fato ou fake?

Bolsonoro, como deixou explícito no Roda Viva, quer ser o Trump brasileiro, um Trump tropical.

Só tem uma coisa: o Trump é o anti-liberalismo de Bolsonaro, concebido pelo guru econômico do capitão,  o ultra-neoliberal economista Paulo Guedes.

Trump está fechando a América para os americanos.

American First.

Nacionalismo protecionista é o jogo dele para enfrentar concorrência chinesa e europeia.

Sobretaxa sem dó, com ímpeto imperial.

O liberalismo de Bolsonaro/Guedes, ao contrário, quer um Brasil totalmente aberto, econômica e financeiramente, em plena guerra comercial.

Ímpeto agressivo para vender tudo, o mais rapidamente possível.

Furor neoliberal total.

Nada a ver com o nacionalismo protecionista trumpista.

Grande contradição.

Como ser Trump agindo ao contrário de Trump?

O discurso de Bolsonaro-Guedes, para alcançar esse objetivo político, ser Trump, requer, como em Trump, opção nacionalista.

Bolsonário neo Trump é puro fake news.

Guerra comercial 

O liberalismo prometido por Bolsonaro é moeda falsa.

O capitalismo, em guerra comercial, não tem nada de liberal.

Como ser liberal em guerra?

Se Bolsonaro usa discurso liberal para construir o Brasil Grande de seus sonhos, como ressaltou, estará vendendo apenas palavras, no ambiente de guerra comercial, onde todos estão em permanente disputa protecionista.

Haveria grande probabilidade de sucessão de crises políticas resultantes do estado neoliberal fragilizado, como está acontecendo à larga com Temer, já antes dos efeitos da guerra que apenas está começando.

Abertura econômica e comercial total, como prega Paulo Guedes, repetindo Temer, formaria consenso político em tempo de guerra comercial? 

Autoproteção nacionalista

Os países capitalistas desenvolvidos, na guerra comercial, estão se protegendo.

“Ponte para o futuro” virou economicídio.

O discurso liberal entra em crise com guerra comercial por se tornar contrassenso geral.

Os países se fortalecem, internamente, bombeando mercado interno, para enfrentar a guerra.

A autoproteção chinesa, anunciada semana passada pelo governo Jiping, é a de apostar no mercado interno.

Lula praticou essa política geoestratégica para sair do perigo do crash global de 2008.

Getúlio saiu da crise de 1929, mandando queimar café para esvaziar estoques e valorizar o produto.

Gerou renda para tocar industrialização nacional.

Lula alcançou esse mesmo resultado ao apostar suas fichas no mercado interno.

Suas armas foram salário reajustado pelo PIB mais inflação, ao lado de programas sociais democratas de distribuição de renda.

O consumo popular, tanto com Vargas, como com Lula, representou fator multiplicador de lucros, investimentos e desenvolvimento.

Sinônimo de estabilização econômica e social democrata desenvolvimentista.

Incompatibilidade de gênio

O liberalismo de Paulo Guedes, pela boca de Bolsonaro, é incompatível com o desejo explícito de Bolsonaro, que é ser o Trump tropical.

Como superar a contradição?

Trump está comprovando que a saída para o capitalismo produtivo americano é ser nacionalista e protecionista, em contraposição ao capitalismo financeiro internacionalista antinacional, especulativo, desestabilizador.

A prova do pudim é a popularidade eleitoral dele.

Se a eleição fosse hoje, Trump seria tão favorito como está sendo Lula, apesar de preso.

Nos Estados Unidos de Trump, o desemprego está baixo, 5%, o juro baixo, 2,5% ao ano, e PIB alto, 3,5%, para padrões americanos.

Trata-se, portanto, de estruturação do poder, no capitalismo trumpiano, com forte opção nacionalista.

Como Bolsonaro poderia ser um Trump, se suas opções pelo liberalismo radical de Paulo Guedes impedem a construção do seu desejo  trumpiano?

Força militar, fato novo

O liberalismo econômico pauloguedeseano seria bem absorvido pelos militares, a força oculta que está por trás de Bolsonaro?

Seriam os militares liberais radicais como Paulo Guedes, se, no plano econômico, priorizam, estrategicamente, o Plano de Defesa Nacional(PDN) e Estratégia Nacional de Defesa(END), projeto Brasil potência com o qual sonham?

Nada a ver com Paulo Guedes.

A simples suposição de que em eventual governo Bolsonaro a cotação política dos militares aumentará, já sinaliza algo incompatível com o liberalismo econômico comungado por Paulo Guedes, como saída para o País.

Forças emergentes

A guerra comercial desperta forças novas no ambiente nacionalista das próprias forças armadas, conscientes da insuficiência do liberalismo em ambiente de guerra.

Bolsonaro, que pauta sua vida política, na mudança constante de partido, praticando infidelidade em todos eles, seria expressão real do liberalismo de Guedes, incompatível com o novo ambiente econômico global?

Com sua capacidade de reagir rapidamente aos ataques, rebatendo-os com agressividade balanceada, vendendo aparência de verdade graças a uma instintiva velocidade mental que não deixa a bola cair, Bolsonaro, politicamente, é incógnita, em conjuntura política cujo peso específico dos militares, na área política, ganharia maior dimensão.

Bolsonaro agita a sociedade.

Seu discurso impulsivo, pautado em permanente controvérsia, contrasta com o discurso calculado da classe política, escasso de sinceridade e credibilidade.

No Roda Viva, Bolsonaro vendeu impulsividade em forma de pretendida sinceridade e autenticidade.

Admitiu que cometeu erros hoje removidos, em sua cabeça, mas mostra possuir espírito de escorpião: volta sempre a dar picadas.

Mexe, por isso, com os nervos da sociedade, para o bem e para o mal.

Sintoniza-se, sobretudo, com a intolerância política que domina a classe média capturada pelo pensamento único neoliberal fascista vendido como verdade absoluta pelo poder midiático oligopolizado.

É uma bomba política que abala os concorrentes conservadores.

Bagunçou, sobremaneira, o coreto político, ao se mostrar midiático, impactante, inquietante e imprevisível.

Nunca se sabe se está falando verdade ou mentira, tal o número de desmentidos que emite.