Extroversão mental lulista desperta o ódio psicanalítico no superego tupiniquim elitista

– OLHA, FREUD, É FODA. O BRASIL, COMO DIZIA O TOM JOBIM, NÃO É PARA AMADORES.
Diante de Lula, o superego conservador reacionário da elite tupiniquim vira-lata não consegue domar o seu “id”, reprimir seus instintos primitivos brutais, com base nos valores morais e culturais. O medo explode em ódio na emergência do que ele representa como mudança histórica.

Só Freud explica

Certa vez, ouvi de coleguinha, muito conceituado, da grande mídia, em cobertura de Lula na Europa, que sentiu vergonha diante da extroversão do ex-presidente, em entrevista coletiva, frente aos colegas, com os quais se reuniu, em evento internacional.

“Eu disse pro Bush que…”, “Eu falei com o Sarkozi …”, “Lembrei prá Merkel…”, “Reclamei pru Berluscolini…”, “Destaquei para o Tony Blair…” etc – temas relacionados às questões internacionais daquele momento.

O desembaraço lulista incomodou extraordinariamente o repórter, filho de oligarquia decadente nordestina, que, como toda oligarquia, na periferia capitalista, rende-se ao capitalismo cêntrico, desde sempre, em termos formais, com a excessiva reverência conhecida dos vira-latas.

Sabem ser obedientes, subservientes – como aquele tucano que tirou o sapato, para entrar no País de Tio Sam –, na condição de oligarcas subdesenvolvidos, sócios menores dos impérios, na prática da corretagem do patrimônio nacional, de forma sistemática, sangrando a bolsa popular.

Egoismo subdesenvolvido

São ligados aos próprios interesses individuais, em primeiro lugar, lixando-se, claro, para o caráter de classe, da sua condição de parte do coletivo social, atuando como sabujos do poder econômico imperial globalizado.

Naturalmente, desinibido, consciente do seu valor, Lula despertou ódios inconscientes.

Não se permite, culturalmente, no ambiente do superego oligárquico, a desibinição do pobre no ambiente do rico.

Escândalo, desrespeito.

Lula não se sentiu na obrigação de flexionar a espinha dorsal diante dos poderosos, como ocorreu, agora, com Temer, frente ao vice-presidente dos EUA, Mike Pence, mesmo estando em casa.

Imagine lá fora!

O inconsciente subdesenvolvido não se expressou no pernambucano de Garanhuns, porque se sentiu legitimado como fruto de democracia popular.

Tratou seus pares como iguais a si, do ponto de vista político.

Obama, por isso, reverenciou-o: “Esse é o cara.”

Era para despertar orgulho e satisfação e não vergonha em seus compatriotas elitizados.

Luta de classe

O posicionamento de Lula se explica, sobretudo, pelo caráter de classe social a que pertence, como homem de raízes populares, comprometido com demandas delas, não com as das oligarquias.

Mostrou-se, naturalmente, empoderado, politicamente, pela sua própria legitimidade política, cultural, histórica.

Eleito pelo povo, em meio à debacle neoliberal tucana fernandina(1994-2002), durante a qual o Brasil teve que se ajoelhar ao FMI, pedindo socorro, devido às barbeiragens econômicas expressas no populismo cambial desindustrializante, para combater inflação, expandindo, incontrolavelmente, dívida pública, Lula teve outro comportamento.

Sua postura irritou as oligarquias subservientes e a classe média conservadora manipulada por elas por meio de mídia oligopolizada, serviçal dos interesses externos.

A altivez lulista tornou-se insuportável a essa gente depois que ele liquidou dívida de 41 bilhões de dólares ao FMI, herdada de FHC, dispondo, em seguida, de recursos para emprestar 20 milhões de dólares  ao Fundo, do qual escapara, deixando de cumprir sua terapia neoliberal.

Audácia.

Repetiu gesto de JK, que dispensou conselho do FMI, irritado com sua decisão de construir Brasília, para promover integração do território nacional e alavancar desenvolvimentismo juscelinista-varguista.

O ápice da irritação oligárquica anti-lulista ocorreu quando desconsiderou terapia ultra-neoliberalizante, ditada pelo Fundo, logo depois da bancarrota neoliberal de 2008.

Empoderamento político

Combateu o crash global com desenvolvimento.

Colocou os bancos públicos para emprestar à produção e ao consumo; valorizou salários; fortaleceu programas distributivos de renda aos mais pobres, como bolsa família; promoveu programas de inserção destes ao ensino universitário; ampliou ofertas de bolsas de estudo para aqueles que nunca puderam estudar, aqui e no exterior; criou programas desenvolvimentistas como Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, Farmácia Popular, Mais Médicos etc.

Inverteu, na cabeça dos pobres, o conceito de gasto público, conscientizando-os de que gastar no social não é despesa, é investimento que bombeia arrecadação aos cofres do governo, gerando mais investimentos.

Fortaleceu mercado interno, bombando capitalismo keynesiano, que fez a alegria da classe empresarial, consciente de que seu negócio requer existência de consumidores, sem os quais desenvolvimento não se realiza.

Lula, sobretudo, exercitou lição prática/didática de economia.

Demonstrou à população que a riqueza nasce do silogismo: consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimento.

Em cada fase da circulação do dinheiro, principal mercadoria, no capitalismo, obtém-se o óbvio, arrecadação, sem a qual inexiste investimento.

Pela primeira vez, na história, o Brasil, com Lula, viveu o capitalismo com relativa distribuição de renda, à moda social democrata.

Incorporou, ao sistema, o consumo, cuja insuficiência, como diz Marx, é a mãe das crises de sobreacumulação, que levam às deflações, subconsumismo etc.

Excetuando o nacionalista Getúlio, que priorizou o social, com legislação moderna e valorização dos salários, nenhum outro presidente tinha colocado o consumo como essencial à reprodução do capital.

JK alavancou desenvolvimento sem distribuir renda; os militares, com a teoria de Delfim, de, primeiro, acumular, para depois distribuir, idem; FHC fez pior, submetendo-se ao consenso de Washinton, repetido, hoje, desastrosamente, por Temer e cia ltda.

O lulopetismo nacionalista criou 41 milhões de novos consumidores e se ergueu como força política imbatível.

Golpe preventivo

Só caiu por meio de golpe parlamentar, jurídico, midiático, que derrubou presidenta eleita com 54 milhões de votos, apoiado por Washington.

Entrou no seu lugar presidente ilegítimo, que voltou com a receita fernandina do FMI de 2003-2012, com resultado desastroso.

É o que demonstra a impopularidade crescente do governo golpista, rejeitado por mais de 90% da população, um horror, inviável, eleitoralmente.

Os golpistas, como o momento histórico demonstra, fazem de tudo para evitar que Lula, aos 72 anos, volte ao poder pelo voto popular.

Lançam mão de todas as armas disponíveis, para mantê-lo preso, sem culpa formalizada, salvo suposições, conforme teoria jurídica nazista do domínio do fato.

Valem pressões militares dissimuladas e, especialmente, manobras jurídicas, culminando, agora, com proibição, até mesmo, de manifestação do candidato, monstruosidade anti-democrática.

O retorno de Lula é motivo de pânico para as oligarquias.

Elas sabem que ele representa imediato empoderamento político popular em decorrência do que já promete promover, se for eleito: convocação de nova Constituinte, da qual emergiria democratização do poder, isto é, remoção deste da própria oligarquia.

O medo e o ódio vêm daí.

 

Bossa Nova 60

2 respostas para “Extroversão mental lulista desperta o ódio psicanalítico no superego tupiniquim elitista”

  1. Não sei … o patológico do ódio ao Lula é tão estúpido que acho que nem Freud dá conta de explicar …

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