Roleta Dólar-Temer desestabiliza economia

Temer torra quase 40 bilhões de dólares para satisfazer os especuladores do mercado financeiro. Nesse ritmo, já, já País pede água e vai se socorrer ao FMI.

Swaps destroi reservas

As reservas cambiais de 380 bilhões de dólares, acumuladas pelos governos Lula e Dilma, são as avalistas do governo ilegítimo Temer, para lançar swaps cambiais, a fim de evitar que a moeda americana rompa a casa dos R$ 4, chegando aos R$ 5, até final do ano, implodindo a economia.

O governo desesperado com a descrença do mercado na economia, paralisada pelo congelamento neoliberal de gastos públicos, previsto para durar 20 anos, está trocando dólar por real adoidado, a fim de acalmar especuladores.

Evita-se, com os swaps,  fuga de dólar, mas aumenta a dívida pública interna, que, na prática, representa dívida externa internalizada.

Quem garante essa operação, aos olhos dos agiotas especuladores, que não querem ficar com reais, no bolso, com medo de sua desvalorização, diante da promessa do governo americano de puxar juros nos Estados Unidos, para enxugar liquidez em dólar, na praça global?

Claro, as reservas cambiais brasileiras.

Elas foram acumuladas nos governos Lula e Dilma, que optaram pelo desenvolvimentismo econômico e não pela especulação desenfreada pela qual optou o governo Temer e sua política neoliberal ditada pelos credores, por Wall Street, Washington etc.

Por isso, na era petista não houve crise cambial, porque Lula e Dilma fortaleceram o mercado interno consumidor, dando seguranças aos agentes econômicos em geral.

No fundo, portanto, a garantia dos swaps, que o BC emite, agora, aceleradamente, são as reservas em dólares, expressão do sucesso econômico, verificado na era petista, que os neoliberais propalam ter sido um fracasso, para se defenderem do seu próprio fracasso visível.

Volta ao FMI

Não fossem as reservas cambiais disponíveis, nesse momento, o governo Temer teria que fazer o que acaba de fazer o falido governo Macri, na Argentina, pedir socorro ao FMI.

As reservas cambiais herdadas de Lula e Dilma são, portanto, as avalistas contra possibilidade de, no curto prazo, Temer ter que socorrer-se ao FMI do desastre neoliberal, expresso no congelamento dos gastos públicos sociais.

Gasto público social é renda disponível para o consumo, sem o qual ocorre o que se verifica, no momento, paralisia econômica, PIB, inflação e juros cadentes, por falta de atividade econômica, sinalizando deflação.

Sem consumo, não há renda, sem renda não há produção, emprego, distribuição, circulação, arrecadação e investimento, o silogismo clássico capitalista.

O congelamento dos gastos sociais, de um lado, e o descongelamento de gastos financeiros, de outro, descapitalizou o estado, como agente econômico.

Criou-se, dessa forma, a racionalidade econômica neoliberal segundo a qual sem poder capitalizar suas empresas, seus programas sociais, a previdência social e, igualmente, os servidores públicos, com seus rendimentos, o governo tem que desfazer de ativos, para pagar despesas.

Ergueu-se falso conceito de que gastos sociais são despesas, déficit público, quando na verdade, são investimentos, isto é, a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo, em forma de aumento da quantidade da oferta de moeda na circulação, pelo estado emissor, para puxar preços, diminuir salários, reduzir juros e perdoar dívida contraída a prazo, dos governos, das empresas e dos consumidores, de modo a ativar as forças produtivas.

A economia de mercado é uma miragem que os neoliberais tentam manter de pé, vivendo, espiritualmente, no século 19, fora, portanto, da realidade.

É esse movimento dinâmico que, segundo Keynes, produz o que chamou de eficiência marginal do capital(lucro), capaz, na avaliação dele, de despertar o espírito animal investidor nos empresários, sem o qual a economia entra em colapso.

O jogo econômico neoliberal que Washington vendeu em forma de “Ponte para o Futuro”, o programa do PMDB/PSDB, que o próprio Temer diz que não deu certo, cuida, agora, quando está em colapso, de dilapidar reservas internacionais brasileiras, em forma de emissão de swaps cambiais.

O dólar cai, mas a bolsa não sobe, como sinal positivo de recuperação que tal providência permitiria; vive-se reinado de incerteza total. 

A prova concreta é a pesquisa da FSP, de hoje, que mostra que 7 em cada 10 pessoas não acreditam na economia comandada por Temer e os banqueiros dominando o BC para os agiotas deitarem e rolarem.