Só Lula estabiliza dólar na estagnação neoliberal e na especulação imperial

Império x periferia

Marx é excomungado pelos neoliberais equilibristas, porque o diagnóstico dele, para analisar as crises, é o melhor: vê o movimento do capitalismo com olho do capital, com a lógica do império, não com a da periferia, com o sentido do dominador, não do dominado, geralmente, vira lata.

Tio Sam tem raiva de Lula, porque ele não se comportou como vira-lata. Por isso, precisa ficar encarcerado, condenado sem provas, pelo judiciário obediente ao império.

Mas, vamos ao olhar do império.

Trump, durante campanha eleitoral, disse que os Estados Unidos se empobreceram, relativamente, à periferia capitalista, porque, no pós guerra, espalharam muito dólar no mundo.

Com a moeda americana, os países periféricos, disse ele, construíram suas indústrias e infraestruturas nacionais e, claro, viraram concorrente dos americanos, no mercado global.

Europa, com Plano Marshall, alavancou-se; China, idem, importando empresas americanas com compromisso de exportações para os Estados Unidos. Com isso, os chineses, hoje, têm reservas de 4 trilhões de dólares e ameaça Tio Sam.

Trump prometeu e agora busca cumprir sua promessa, tentando mudar a situação. O que está fazendo?

A guerra comercial é desdobramento desse discurso, com aumento das tarifas de importação, para proteger produtores e industriais americanos.

Outro lance de Trump é especular com o dólar, a partir da admissão de que o BC americano começará a puxar as taxas de juros, para ter um pouco mais de inflação, a solução para o capital. Com esse movimento, o titular da Casa Branca esvazia a periferia de dólar, rumo aos títulos americanos.

O risco é a dívida americana, que já está alta demais, mas isso fica para depois.

Portanto, são duas jogadas do império, para sufocar os concorrentes. Com o protecionismo comercial, Trump fecha a América para os americanos. Com juros mais altos, fragiliza a periferia, cujas elites, sempre antinacionalistas, entreguistas, correm para as verdinhas de Tio Sam e o resto que se lasque.

Periferia em pânico e a solução Lula

A crise cambial, portanto, ameaça o capitalismo periférico, que, complexo e cheio de contradições, começa a se abrir para era de revolta e revoluções.

Na Argentina, Macri se enlouquece. Temer, idem. Ambos compraram pelo valor de face o Consenso de Washington, jogando a economia no abismo das pontes para o futuro, que, agora, despencam.

Macri puxa os juros, para evitar fuga cambial, sangria total. Temer, ainda, respira, contando vantagens com as reservas cambiais de 375 bilhões de dólares, que Lula e Dilma acumularam, com o desenvolvimentismo nacionalista petistas, de 2003 a 2014.

Mas, dura até quando essa galinha dos ovos de ouro, que os neoliberais da Fazenda estão matando, adotando o congelamento de gastos públicos, os que dinamizam o consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos?

Economia parada e desemprego saindo pelo ladrão, já viu, né, jamais ganha eleição.

A solução Lula, nesse momento, é a mais adequada, porque não é a do viralatismo colonial adotado por Macri-Temer.

O ex-presidente, encarcerado por crime não comprovado, foi considerado prepotente, quando disse, em 2008 que não temia o tsunami, para ele, uma marolinha.

Qual foi a sua arma?

Fortalecer o mercado interno, mediante aumento de salário e de financiamento ao consumo e à produção. Abriu as portas dos bancos oficiais, porque, se fosse contar com bancos privados, estaria lascado. Obama, na crise global, lamentou não possuir um BNDES.

Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES irrigaram o capitalismo tupiniquim, para elevar a demanda interna, que salvou os empresários da bancarrota externa anunciada.

Se Lula fosse vira-lata, adotaria o que Temer e Macri estão adotando: arrocho salarial, cortes de gastos até não mais poder e destruição do mercado interno, ao lado da privatização dos ativos nacionais, estruturantes do desenvolvimento nacionalista.

Lula comprovou que a melhor arma, contra o domínio colonial/imperial, é apostar no potencial nacional. Se o País tem petróleo, ouro, minérios, água, sol, terras para dar até duas safras anuais, energia e biodiversidade infinita, além de classe empresarial e laboral diligentes, por que ficar na mão do império?

Tio Sam e seus capachos, na periferia tupinquim, agora, dominada pela ditadura do judiciário, que calou o legislativo, com o fim do foro privilegiado, prenderam Lula, para ele não provar, de novo, que pode virar o jogo contra o imperialismo.

Números não mentem

Vejam o que aconteceu entre 2003 e 2014(dados levantados pelo historiador Moniz Bandeira e publicados nos sites Pátria Latina e GGN):

1 – 2002(Era FHC), PIB nacional, R$ 1,48 trilhões; 2013(Era Lula-Dilma), R$ 4,84 trilhões;

2 – PIB per capita 2002, R$  7,6 mil; em 2013, R$ 24,1 mil.

3 – Lucro do BNDES, 2002, R$ 550 milhões; 2013, R$ 8,15 bilhões.

4 – Lucro do Banco do Brasil: 2002, R$ 2 bilhões; 2013, R$ 15,8 bilhões.

5 – Lucro da Caixa Econômica Federal: 2002, R$ 1,1 bilhão; 2013, R$ 6,7 bilhões.

6 – Safra agrícola: 2002, 97 milhões de toneladas; 2013, 188 milhões de toneladas.

7 – Produção de veículos: 2002, 1,8 milhões de unidades; 2013, 3,7 milhões.

8 – Taxa de Desemprego:  2002 , 12,2%; 2013, 5,4%.

9 – Reservas Internacionais: 2002, 37 bilhões de dólares; 2013, 375,8 bilhões de dólares.

10 – Dívida líquida do setor público: 2002, 60% do PIB; 2013, 34% do PIB. 17.

11 – Salário Mínimo: 2002, R$ 200 (1,42 cestas básicas); 2014, R$ 724 (2,24 cestas básicas).

12 – Valor de mercado da Petrobras: 2002, R$ 15,5 bilhões; 2014, R$ 104,9 bilhões.

13 – Lucro médio da Petrobras: Governo FHC, R$ 4,2 bilhões/ano; Governos Lula e Dilma, R$ 25,6 bilhões/ano.

14 – Gastos Públicos em Saúde: 2002, R$ 28 bilhões; 2013, R$ 106 bilhões.

15 – Gastos Públicos em Educação: 2002, R$ 17 bilhões; 2013 – R$ 94 bilhões.

16 – Investimento Estrangeiro Direto: 2002, 16,6 bilhões de dólares; 2013, 64 bilhões de dólares.

17 – Empregos gerados: Governo FHC, 627 mil/ano; Governos Lula e Dilma, 1,79 milhões/ano.

18 – Exportações: 2002, 60,3 bilhões de dólares; 2013, 242 bilhões de dólares.

19 – Inflação Anual Média: Governo FHC, 9,1%; Governos Lula e Dilma, 5,8%.

20 – Falências Requeridas em Média/ano: Governo FHC,  25.587; Governos Lula e Dilma, 5.795.

Consumo x Câmbio

Não é à toa que, com mercado interno em desenvolvimento, com as famílias consumindo(60% do PIB), as oscilações cambiais, simplesmente, inexistiram, no período 2003-2014, possibilitando acúmulo de reservas extraordinário.

Ficou comprovado que a estabilidade do câmbio depende, fundamentalmente, da estabilidade do consumo, sem o qual ocorre o que se vê na era neoliberal temerista/temerosa: estagnação e crise cambial.

Para encurtar conversa: Lula e sua proposta desenvolvimentista são, naturalmente, a solução contra as crises, simplesmente, porque ela não obedece receituário do império, que obriga os vira-latas a baixarem a cabeça.

Com estagnação e especulação, a direita golpista vira-lata fica sem candidato e se desespera.