Traição à Constituição na semana Tiradentes justifica impeachment

MICHEL SILVÉRIO DOS REIS

Traição à Constituição

Na semana em que se comemora morte de Tiradentes, herói da Inconfidência, Temer, o ilegítimo, exercita a traição total, vestindo o figurino do traidor Silvério dos Reis.

Pregou obediência à Constituição, para se proteger de acusação de corrupção por ato que teria praticado fora do exercício do mandato, como concessão a empresários do Porto de Santos, ao mesmo tempo em que rasgou o texto constitucional, expresso no parágrafo único do art. 4º:

“A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.”

O que fez o ilegítimo?

Juntou-se aos governos direitistas, como o dele, da Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru, para se retirarem da União das Nações Sul-Americanas(Unasul), no momento em que a Bolívia iria exercer a presidência rotativa do bloco.

Facada nas costas da integração econômica latino-americana.

Deveria ou não ser acusado de praticar crime de responsabilidade, ao negar a lei maior brasileira, candidatando-se, naturalmente, ao impeachment?

Tio Sam dá as cartas

Há duas semanas, pressionados pelos Estados Unidos, na reunião em Lima, dos chefes de estado das Américas, para se alinharem a Washington, os presidentes argentino, paraguaio, colombiano, chileno, brasileiro e peruano, disseram, descaradamente, sim a Tio Sam.

Fecharam a Unasul e se voltaram para a indefectível Organização dos Estados Americanos(OEA), cuja voz de comando é dada pela Casa Branca, por entender ser a América do Sul quintal americano, obediente as suas ordens.

A emergência da direita sul-americana aliada a Tio Sam acelerou novas relações econômicas e políticas subordinativas ao seu velho patrão.

Desarticulou, praticamente, o Mercosul, expulsando dele a Venezuela.

A palavra de ordem no bloco deixou de ser o fortalecimento econômico regional, para se transformar em outra ordem de coisas, tipo, cada um para si e seja o que Deus quiser.

Argentina, Brasil e Paraguai, o trio mercosulinho, pressionado por Washington e por Bruxelas(União Europeia), enterrou o sonho integracionista por comunidade latino-americana de nações, no plano econômico, social e político.

Reprimarização econômica

No que isso vai dar, já é possível perceber, pelo que acaba de acontecer, nessa semana, quando a União Europeia, de forma unânime, resolveu suspender importações de frango do Brasil, maior produtor mundial dessa proteína animal.

A força da União Europeia se afirma com o esfrangalhamento da União das Nações Sul Americanas.

O que isso representa está na cara.

Os europeus vão importar soja e milho do Brasil, principais alimentos do frango, para abrir granjas no continente europeu.

Fecharão, consequentemente, grandes empresas brasileiras do ramo, como a JBS, desestruturada, agora, pela Operação Lavajato.

 

Desaparecerão, consequentemente, as cadeias produtivas alimentares, por meio das quais são criados empregos de qualidade, com maiores valores agregados, conhecimentos tecnológicos etc e tal.

Repete-se o mesmo que rolou logo após o Plano Real de FHC, em 1994,  quando se sobrevalorizou o câmbio, em nome do combate à inflação, para sucatear indústrias de partes, peças e componentes nacionais, antes destinadas às indústrias automobilísticas etc.

Desintegração latino-americana

A desintegração econômica sul-americana continuará se acelerando, mais ainda, com o fechamento do foro político em que se constituiu a Unasul, nos últimos quinze anos, quando governos nacionalistas resistiram à implantação da ALCA, fervorosamente, defendida por Tio Sam.

Volta-se à ordem do dia o objetivo de antes, suspenso pela resistência política, de se transformar o continente em mero exportador de matérias primas e importador de produtos manufaturados.

Algo somente possível pela força?

Os golpes políticos na América do Sul mudaram de natureza.

Antes ocorriam por meio de quarteladas; agora, são promovidos por judiciário politizado.

Armou-se a narrativa ideal, do ponto de vista neoliberal, para combater corrupção como mal maior da América do Sul, no lugar da desigualdade social.

O locus da corrupção estaria no estado; acabar com ele, esvaziando-o econômica e financeiramente, tornando-o incapaz de capitalizar suas empresas, é a jogada.

Desestruturação anti-keynesiana

Para tanto, tira-se da mão do governo, congelando seus gastos sociais – renda disponível para o consumo nacional – a única variável economicamente independente sob capitalismo, que é a sua capacidade de elevar oferta da quantidade de moeda, por ele emitida, para puxar demanda global.

Impedido de realizar esse movimento, o governo emissor perde capacidade de criar os quatro fatores que, agindo simultaneamente entre si, promovem, segundo Keynes, o lucro – a eficiência marginal do capital -, ao 1 – aumentar os preços; 2 – reduzir salários; 3 – diminuir juros e 4 – perdoar dívida contraída a prazo pelos capitalistas empreendedores.

Golpe mortal no capitalismo.

Sem poder mais ativar consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos(o silogismo capitalista), o estado perde poder de arrecadar.

Assim, não poderá mais capitalizar tanto suas empresas estruturantes, desenvolvimentistas(Petrobras, Eletrobras etc), como empresas privadas nacionais; ambas se tornam incapazes de investir, com destruição da única variável econômica independente, emissão estatal, fator multiplicador(keynesiano) de investimentos.

Destruir o estado keynesiano para combater a corrupção!

Só na periferia capitalista, com discurso neoliberal, porque em todos os países capitalistas desenvolvidos, isso não acontece; pelo contrário.

Judiciário politizado

Por aqui, desarma-se o estado por meio de judiciário politizado, com discurso de combate à corrupção, para detonar poder executivo sob orientação capitalista keynesiana, desativando economia estatal ativa.

Em nome do combate à corrupção, Tio Sam aparelha, com seus espiões da CIA e do FBI, os agentes internos(Ministério da Justiça, PGR, Politica Federal, Tribunais etc), para desestabilizar estados nacionais e suas agências econômicas e financeiras keynesianas(Petrobrás, Eletrobras, Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal etc).

O estado esvaziado economicamente fica impedido, financeiramente, de capitalizar suas empresas.

Justifica-se, dessa maneira racionalizante, necessidade de privatizá-las, dado que, descapitalizadas, não podem sequer cobrir seus custos de produção, como está ocorrendo, com Eletrobras e Petrobras, em processo de desmobilização.

São crimes de responsabilidade atrás de crimes de responsabilidade, somados ao novo crime de responsabilidade, que é deixar de cumprir o parágrafo único do art. 4º da Constituição.

Tio Sam passou a produzir, em cadeia, no continente sul-americano, Silvérios dos Reis, como o ilegítimo Temer, para cumprir essa traição econômica antinacionalista, entreguista.

 

Uma resposta para “Traição à Constituição na semana Tiradentes justifica impeachment”

  1. COM MILITARES OMISSOS OU CONIVENTES E POVO INDIFERENTE , OU PIOR, COVARDE, TEM-SE UM QUADRO ASSAZ DEPRIMENTE NO BRASIL.

    PUTZ GRILO! CACILDA!!!
    DESISTO!!!

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