EUA destroem Lula para evitar ressurreição de Vargas. Golpe detonou presidencialismo

LULA DISCURSA NO TÚMULO DE GETÚLIO E APAVORA TIO SAM

Irritação imperial

Do ponto de vista de Washington, Lula cometeu dois pecados capitais:

1 – colocou o lenço vermelho de Vargas no pescoço e foi a São Borja, no Rio Grande do Sul, discursar no túmulo do grande nacionalista brasileiro.

Vargas, em 1952, no dia 1º de maio, disse ao povo que “hoje, estou no poder; amanhã, o poder será exercido por vocês”.

Previu ou não Lula, naquele discurso histórico?

O Brasil nacionalista que Getúlio construiu, com indústria nacional forte e trabalhadores com direitos constitucionalmente assegurados, somente, ficaria de pé com representante dos trabalhadores no poder.

Lula, expressão legítima do povo no poder, conforme demonstrou como presidente da República, representa visionarismo varguista, empoderamento político popular, profundo incômodo a Washington.

2 – na sequência, Lula declarou que, se eleito, faria aliança estratégia com Rússia e China, por uma geopolítica multilateralista.

Já, no poder, ele havia articulado com russos e chineses, mais os indianos, a criação dos BRICs, com banco de desenvolvimento internacional.

Armava-se nova divisão internacional do trabalho, alternativa à que Estados Unidos implementaram, depois da segunda guerra, com FMI e Banco Mundial, para manterem o dólar senhor do mundo.

Com BRICs, pinta nova geopolítica global, que seria acelerada com Lula fazendo parceira com Putin e Jiping, para irritação suprema de Trump.

Diante dessas duas iniciativas lulistas, em campanha eleitoral, com as caravanas, arrastando multidões, pelo Brasil afora, a ordem de Tio Sam veio imediata:

Prendam o homem!

Ele não pode falar!

E ele está trancafiado, calado.

Ninguém pode vê-lo, nem médico.

O que está saindo das masmorras, onde os golpistas o colocaram, é só versão da fala de Lula.

O que emerge das masmorras?

Que Lula vai lançar Gleisi candidata para substituí-lo; que Lula apoia Haddad; que Lula pensa em apoiar candidatura de Lulinha, seu filho; que Lula quer conversar com Ciro Gomes; que patatipatatá.

Quem acredita na versão das masmorras?

Era o que Washington e seus agentes internos, no Legislativo, Executivo e Judiciário, monitorados pelo oligopólio midiático, queriam: multiplicidade de versões lulistas para confundir a opinião pública.

Ainda, assim, para desespero de Washington, as pesquisas bombam que ele é o favorito para ganhar eleição.

Nessa semana, veio ao ar que ele bomba em São Paulo, terra dos tucanos, e que bate Sérgio Moro, seu algoz, em popularidade, construída pela mídia golpista.

Fraude em marcha

Se não participar do processo eleitoral, por estar condenado, sem provas, por judiciário que rasgou a Constituição, a leitura popular será a de que o governo eleito, sem participação de Lula, não terá legitimidade.

As chances desse eventual novo governo, ilegítimo, de governar serão precárias, principalmente, se colocar em prática programa de governo semelhante ao que está sendo praticado pelos golpistas, de cunho neoliberal, rejeitado por 95% do eleitorado.

Afinal, o golpe de 2016 foi dado para isso, ao derrubar presidenta eleita por 54 milhões de votos.

No poder, o novo governo, com programa neoliberal golpista, logo, logo, seria contestado.

Crise institucional inevitável.

Que fazer, com presidente saído das urnas sem apoio da maioria?

Provável ingovernabilidade pintaria com vigor, a exigir solução prática, especialmente, no campo econômico, marcado por paralisia e arrocho salarial.

A exemplo do que já se verifica, o arrocho neoliberal não cria expectativa positiva para os agentes econômicos.

Ao contrário, destrói-se forças financeiras estatais, variáveis econômicas independentes capazes de alavancar economia, se forem mantidas medidas neoliberais.

São aplicadas em nome do combate ao déficit público; na prática, porém, aumentam o déficit, porque inviabilizam arrecadação, no ritmo da contração do consumo e dos salários, decorrente do congelamento dos gastos públicos, previsto para durar vinte anos.

Enquanto isso, as despesas crescem, vegetativamente, acima das receitas.

O buraco fiscal se alastra na era econômica glacial.

Puro anticapitalismo esquizofrênico tupiniquim.

Bancarrota presidencialista

Lula, nesse contexto pós eleitoral, de cujo processo não participaria, porque estaria na cadeia, continuaria ou não sendo o ponto de equilíbrio institucional, para evitar rupturas dramáticas, capazes de levar o país a uma situação de buraqueira econômica, social e política?

Pintaria ou não possibilidade de o novo poder, sem capacidade de governar, mergulhar em crise institucional, aproximando de ruptura que jogaria a democracia no lixo?

O sistema presidencialista entraria em caos total, restando, como alternativa democrática, o parlamentarismo.

Quem seria primeiro ministro, pacificador, capaz de promover união nacional, esfrangalhada pelo golpe de 2016, comandado pelo Supremo Tribunal Federal, que rasgou a Constituição?

O nome de Lula, respaldo, popularmente, entraria, de novo, em cogitações, claro.

Que fariam judiciário, legislativo e executivo, afetados, pela permissividade legal, mas, imoral, dada pela legislação eleitoral, que inverteu vontade popular ao eleger o dinheiro como prioridade para manter falsa maioria representativa?

Parlamentarismo salvacionista

Emergia ou não clamor por nova institucionalidade, como solução para o capitalismo financeiro especulativo em crise, incapaz de dispor de representação política sustentável para atender demandas sociais, no ambiente democrático?

Que vale o STF, supressor de cláusula pétrea constitucional, que prega presunção de inocência, para dar lugar à condenação em segunda instância, completamente, inconstitucional?

O país está na ditadura e o poder judiciário é o novo ditador.

No entanto, não haveria condições desse poder jurídico ditatorial ditar regras capazes de sustentar governabilidade ao poder eleito sem legitimidade, devido à ausência, na disputa, do candidato preferido pelo eleitorado.

Lula, nesse caos institucional, poderia ou não emergir como candidato de consenso para primeiro ministro parlamentarista?

E no Executivo, para exercer o papel de rainha da Inglaterra, quem ficaria?

Alguém, tipo Carmem Lúcia, por aí, com a tarefa de preparar a transição.

O golpe de 2016 produziu um monstro que está se revelando intragável ao próprio processo eleitoral, na tarefa atual de destruir o próprio presidencialismo de coalizão.

Os golpistas destruíram presidencialismo.