Temer detona congelamento de Meirelles e dá outro passo para sua candidatura 2018

Temer já age como candidato ao Planalto. Reuniu governadores, ministros, STF, militares, para anunciar verbas para o setor de segurança pública. Usará BNDES para essa tarefa. Jogou Meirelles e seu congelamento neoliberal para escanteio.

Candidatura energizada

O presidente ilegítimo Temer deu mais um passo decisivo na sua estratégia de candidato à presidência da República, ao largo da grande discussão, mobilizadora da opinião pública, sobre se Lula será ou não preso, se será ou não candidato, se será ou não… etc.

Depois de desistir da reforma da Previdência, para não ser derrotado pelo Congresso, e optar pela intervenção militar, para implementar nova política de segurança, no Rio de Janeiro, ele partiu para descongelar os gastos sociais. Liberou, pelo BNDES, R$ 42 bilhões para equipar e modernizar as polícias e forças armadas, no cumprimento dessa nova tarefa.

Quem saiu perdendo, nessa jogada, foi o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, porta voz dos banqueiros nacionais e internacionais, na tentativa de manter congelados, por vinte anos, gastos sociais, em nome do ajuste neoliberal, sintonizado com orientações do Consenso de Washington.

Temer percebeu, claramente, que intervenção militar, apenas, não resolveria o problema, mantidos congelados gastos públicos, os que representam renda disponível para o consumo, produção, emprego, arrecadação e investimentos.

Os militares, sem o descongelamento, poderão fazer algo mais do mesmo e não repetir o fracasso das intervenções anteriores, com a da Maré, no Rio; depois que saíram de lá, tudo voltou a ser o que era antes, no quartel de Abrantes.

Os militares estariam fadados a novo desastre, mantido o congelamento neoliberal, causa principal do desemprego, que cresce descontroladamente embora a propaganda midiática diga o contrário, fazendo o jogo da bancocracia.

O PIB 2017 está aí para comprovar o desastre neoliberal: cresceu apenas 1%, gerando riqueza, apenas, para os especuladores, que abocanharam, em 2017, 40% do PIB, no compasso dos juros e amortizações mais altos do mundo, produzindo superconcentração de renda, de um lado, e subconsumismo, de outro, aprofundando mazelas econômicas desestruturantes da economia nacional.

Em tempo de campanha eleitoral, os candidatos dirão, para obter votos deos eleitores: por que só a segurança merece? Por que não saúde, educação, infraestrutura, igualmente, responsáveis, se incrementados, para combater o desemprego, produtor de insegurança, violência, crimes etc?

Estratégia desenvolvimentista

Para os militares, o ideal é o oposto da estratégia congelante, neoliberalizante de Meirelles e cia ltda, inconstitucional, como relatou estudo do economista Petrônio Portella Filho, consultor legislativo do Senado. Eles pregam implementação do Plano Nacional de Defesa(PND) e da Estratégia de Defesa Nacional(EDN),  estruturados em cima de propostas econômicas e sociais desenvolvimentistas, de natureza nacionalista, aprovados, no Congresso, respectivamente, em 2005 e 2008, nos governos Lula e Dilma.

De acordo com o PND e a EDN, a segurança verdadeira do país, capaz de garantir soberania interna e externa, depende de política nacionalista que assegure geração de emprego, renda, consumo, produção, arrecadação, investimentos e preservação ambiental.

Requerem os dois planos grandes investimentos em industrialização, cibernética, formação profissional em massa da população, serviço militar obrigatória para todos, ao lado da formação da consciência cidadã nacionalista.

Caro aos militares, nesse momento, como fator de desenvolvimento nacionalista, essencial à segurança nacional, é a criação do Ministério da Amazônia, para preservar riquezas na região, calculadas em 23 trilhões de dólares, segundo informou comandante do Exército, general Villas Boas.

Sintoniza-se tal disposição nacionalista dos militares com o moderno conceito de segurança desenvolvido pela Escola de Copenhague, seguido pelas doutrinas militares dos países capitalistas desenvolvidos, desde os anos 1990, pós queda do Muro de Berlim.

Incrementar a indústria de defesa, que compreende cadeia produtiva capaz de movimentar empresas nacionais em escala crescente, é projeto dos militares, desde o governo Geisel, que rompeu com os Estados Unidos, no Governo Carter, para fazer acordo militar com Alemanha, justamente, porque os americanos eram(e são) contra essa linha desenvolvimentista, que eles mesmo seguem, para sustentar capitalismo norte-americano.

Debaixo de modelo neoliberal, como o adotado por Temer/Meirelles, com apoio da banca especulativa, a intervenção militar, sob congelamento econômico neoliberal, estaria condenada ao fracasso, com desmoralização total das Forças Armadas nacionais perante a população, que a tem em alta conta.

Globo golpista

Com o discurso da intervenção em favor de nova segurança, mediante criação de Ministério da Segurança, Temer pula fora da companhia de Meirelles e esvazia candidatura do radical Bolsonaro, que estava em ascensão nos meios militares e na classe média conservadora.

Produz Temer, dessa forma, sua própria candidatura, bem como joga por terra, também, a candidatura-piada de Henrique Meirelles cujo atrativo é política econômica que produz 13 milhões de desempregados, jogados na geladeira por duas décadas, como se fossem sémens congelados para voltarem a se reproduzir no futuro que só Deus sabe quando.

O presidente também derrota os que, segundo Lula disse à Folha de São Paulo, à repórter Mônica Bergamo, tentaram golpeá-lo para fortalecer a Operação Lavajato, a saber, Rede Globo, o ex-PGR, Rodrigo Janot e o empresário Joesley Batista.

Por fim, a manobra Temer de criar o Ministério da Segurança produz análises segundo as quais estaria nascendo mais um candidato ao Planalto, o ministro Jungman, com apoio da Globo, do general Etchegoyan, ministro da Segurança Institucional, ala direitista do Exército etc.

Será?

Dono da caneta da presidência, nas mãos, o titular do poder, se perceber movimento nesse sentido, vai, é claro, detonar Jungman, que teria o mesmo destino do ex-diretor da PF, Fernando Segóvia, mandado como adido para Roma.

Pra onde Jungman gostaria de ir?