Fora Temer não seria Fora Lula?

Eventual impeachment de Temer, agora, melaria ou não as eleições de outubro, dado o trâmite do processo em um cenário político em convulsão que os adversários de Lula favorito para ganhar aproveitariam para evitar inevitável derrota, cujas consequências reverteriam as ações dos golpistas em produzir desnacionalização da economia em ritmo acelerado que somente um golpe facilitaria?

Presidente bichado

Se a Procuradora Geral da República(PGR), Raquel Dodge, pedir a cabeça do presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal e este encaminhar o pedido de autorização à Câmara para processá-lo, o destino do titular do Planalto ficará nas mãos do deputado Rodrigo Maia, candidato do DEM à presidência em outubro.

Caso Maia decida formar comissão para debater o assunto, a fim de levá-lo ao plenário, para deliberação dos deputados e deputadas, essa tramitação, com certeza, se estenderia nos próximos seis meses, no mínimo, se for aprovada abertura do impeachment presidencial.

Temer, nesse período, seria substituído pelo titular da Câmara, o próximo, segundo a Constituição, na linha sucessória, assim como aconteceu com a ascensão de Temer com o afastamento da ex-presidenta Dilma Rousseff, derrubada por golpe parlamentar-jurídico-midiático, em 2016.

Ou seja, tempo suficiente para atropelar o calendário eleitoral.

Adeus à eleição, ou não?

Quem, portanto, sairia perdendo com o Fora Temer, poderia ser Lula, favorito absoluto nas pesquisas, para faturar, com o pé nas costas, a disputa eleitoral.

Quem estaria por trás desse golpe ardiloso?

O favoritismo lulista poderia estar, ainda, mais em alta, depois do atentado dessa semana, no Paraná, quando sua caravana levou balaços dos seus adversários, ora sob investigação da Polícia Federal.

A novidade poderia ser bombeamento eleitoral lulista, se, nesse final de semana, pintar novas pesquisas, tipo DataFolha, que sempre se adianta, nesses momentos, frente aos seus concorrentes, para criar fato político, de modo a pontificarem, no mercado midiático, o site Uol e a Folha de São Paulo.

Os adversários, mais uma vez, entrariam em parafuso.

Hora e vez de Maia?

Que movimento se articula por trás dele nesse momento interessado em melar calendário eleitoral?

O fato é que as circunstancias pioraram, de forma significativa, para Michel Temer, a partir da quarta-feira, diante da solicitação, para prender os amigos dele, pela  PGR, Dodge, ao ministro Barroso, do STF, que, automaticamente, atendeu o pedido dela.

Temer estaria envolvido em crime de corrupção e lavagem de dinheiro ao  beneficiar-se de propinas, que viriam das empresas favorecidas por decreto por ele assinado em favor de ampliação de prazos de concessões para elas, atuantes no porto de Santos, como a Rodrimar, cujo proprietário seria seu amigo, junto com outros beneficiados.

Os amigos do presidente teriam atuado na intermediação de dinheiro para favorecê-lo e ao MDB, seu partido, durante campanha eleitoral etc.

A prisão, em clima de espetacularização midiática escandalosa, detonou o presidente, que não teve outra saída senão responder que a escolha dele como alvo decorreu de insatisfação causada pela sua candidatura presidencial, admitida semana passada, tendo como vice provável o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Temer, de um momento para outro, viu, no dia da prisão dos seus amigos, o chão abrir-se debaixo dos seus pés, logo na inauguração do novo aeroporto de Vitória, no Espírito Santo.

O escândalo ganhou proporções tão fantásticas que nem o governador capixaba, Paulo Hartung, dispôs-se a ir à solenidade, para não se queimar, politicamente, diante do seu eleitorado.

A postura de fuga do governador da presença do presidente anunciou, de certa  modo, tendência que poderá rolar na próxima semana.

No Congresso, os aliados de Temer repetirão ou não o comportamento de Paulo Hartung?

Quem se habilitará a colocar cabeça para fora, a fim de apoiar o presidente, no momento em que começa campanha eleitoral, com ele sendo massacrado, impiedosamente, pela Rede Globo?

Por tudo isso e muito mais que está obscuro na ação combinada entre Raquel Dodge e o ministro Barroso, defensor de quebrra de sigilo bancário de Temer, é de se perguntar: o Fora Temer, nesse  momento, seria ou não um golpe na candidatura Lula, se possibilitar adiamento da eleição presidencial?

Quem luta com unhas e dentes para destruir Lula?

Plim, plim!