Eleição com deflação favorece oposição

ESTRATÉGIA NEOLIBERAL SUICIDA ELEITORALMENTE
Ilan Goldfjan(BC) e Henrique Meirelles(Fazenda): dois carrascos da economia, Mantêm congelados gastos sociais, não financeiros, que incrementam produção, consumo, arrecadação e investimentos, e descongelam gastos financeiros, especulativos, mantendo-os no caixa do BC, remunerando-os às taxas absurdas, para produzir escassez programada de dinheiro na circulação capitalista, a fim de elevar lucros dos bancos. Assim, o dinheiro não circula, empobrecendo o país, enquanto ganham apenas os agiotas, com as chamadas Contas Administradas, que não produzem nenhuma contrapartida ao crescimento econômico. Resultado: a economia, sem demanda interna, entra em deflação e crise, como descreve Claudia Safatle, no Valor Econômico. Nada pior para a base política do governo que vai enfrentar eleição em outubro. Nada melhor para a oposição, se não fizer besteira de se dividir. Nunca esteve tão fácil para ela retomar ao poder, depois do golpe neoliberal antidemocrático de 2016. Não é à toa que os golpistas, por meio de judiciário, com suas sentenças unânimes, contrariando o próprio direito, que é, essencialmente, contraditório, não deixam Lula disputar de jeito nenhum, enquanto tentam encontrar algum candidato tipo Macron francês, para enganar a população.

Propaganda econômica

A recuperação da economia só é mantida na propaganda midiática oligopolizada, para sustentar clima fantasioso, mentiroso, contrastado com desemprego que alcança 12% da População Economicamente Ativa(PEA), ao lado de 26 milhões de brasileiros desocupados, segundo IBGE.

Os neoliberais, que comandam a Fazenda e o Banco Central, estão apavorados com o avanço do subconsumismo, que joga para baixo não apenas a inflação e os juros, mas, também, e, principalmente, os investimentos(só 11,5% do PIB em 2017!), sem os quais a economia continuará afundando.

Os únicos negócios que agitam o mercado, dando sensação de “retomada vigorosa”,  é a feira de vendas a preço de ocasião das empresas estatais, federais e estaduais, nas bolsas, mantendo artificialmente altas as ações, enquanto o mundo real diz outra coisa.

Prevista para ficar na casa dos 4,5%, a inflação segue descendo para os 3,5%, podendo chegar a 3%; não se trata de concorrência entre preços no mercado, mas falta de consumo, que produz estoque e queda de lucros.

No ambiente de subconsumismo, os juros têm que cair, mas o BC reluta diante de conjuntura sobre a qual não tem controle, como promessa de aumento de juros nos Estados Unidos, segundo anunciou presidente do FED, Jerome Powell,  e avanço do protecionismo americano de Trump, para cumprir promessa de campanha eleitoral, barrando importações, para preservar empregos internos.

A economia de mercado é apenas um slogan publicitário para enganar trouxas.

Trump sobretaxa aços e alumínio e pode avançar em outros setores, como o agronegócio, como alerta a Organização Mundial do Comércio(OMC).

Deflação na periferia

Pintará, nesse ambiente protecionista, nacionalista, americano, trumpiano, sobreacumulação de produção na periferia capitalista exportadora que produzirá, consequentemente, deflação acelerada, se não surgir um Getúlio Vargas que compre produção, para sustentar preços,  como ele fez com o café, nos anos 1930, para erguer industrialização nacional.

Deflação e pressão baixista para os juros são incompatíveis com atual  política especulativa jurista do BC de recolher sobras de caixas diárias dos bancos privados, estimadas em R$ 1,7 trilhão, impondo custos financeiros de R$ 200 bilhões, ao tesouro, para sustentar escassez monetária programada, a fim de garantir juros e lucros altos à banca.

Escândalo.

Esse buraco financeiro é principal causa do déficit público, enquanto a propaganda midiática enganosa tenta transferir a culpa para a Previdência Social, superavitária, visto que os gastos de aposentados e pensionistas incrementam consumo, produção, arrecadação e investimentos.

QUE MERDA, HEIM, MESTRE!
Sempre se acomodou no poder com sua competência extraordinária, posta a serviço dos poderosos. No poder, seja, diretamente, na ditadura, seja, indiretamente, como consultor, agenciou grandes negócios. Foi pego na permissividade da legislação eleitoral brasileira, essencialmente, corrupta, responsável por levar ao abismo a classe política tupiniquim. Se não tivesse entrado no partido do honestíssimo Paulo Maluf, para eleger-se deputado, mediante financiamento privado, obtidos naquela base, talvez, hoje não estivesse amargando essa vergonha, aos 88 anos, de ser arrolado como corrupto na Lavajato.

Se o dinheirão dos banqueiros, parado no BC, engordando-os, sem trabalhar, fosse para o mercado, a economia receberia impulso extraordinário; mas essa não é a estratégia do governo golpista neoliberal; ao contrário, o que ele faz é produzir congelamento, programado para durar vinte anos, dos gastos sociais, os que têm poder de girar o circuito capitalista produtivo; ficam descongelados, apenas, gastos financeiros, que interrompem o circuito, ao não gerarem nenhuma contrapartida ao crescimento da economia, mantida a agiotagem do BC, dominado por homem da banca.

Neoliberalismo inconsequente

Não basta, apenas, os juros caírem, se o consumo, bombeado pelos gastos públicos, não reage, para incrementar forças produtivas.

Os gastos com saúde, educação, segurança, infraestrutura etc, que puxam demanda global, estão na geladeira em nome do ajuste fiscal, para sobrar dinheiro ao pagamento dos juros e amortizações da dívida pública; os bancos comem 40% do Orçamento Geral da União(OGU), de R$ 2,5 trilhões, realizados em 2017; esterilizam o dinheiro no caixa do BC, para ser remunerado pela selic; impulsionam, apenas, deflação, maior inimiga do capitalismo.

ORÇAMENTO FEDERAL EXECUTADO (PAGO) EM 2017 = R$2,483 TRILHÕES (O VALOR PREVISTO APROVADO HAVIA SIDO DE R$3,415 TRILHÕES).
Dados do SIAF organizados pela Auditoria Cidadã da Dívida

Nesse ambiente deflacionário, depressivo, os salários sobem, apenas, para quem, ainda, está empregado, mas os preços e os lucros das empresas desabam; essa vitória salarial, no entanto, é vitória de Pirro. Com a reforma trabalhista, os empresários, diante dos lucros cadentes, demitem os que têm salários mais altos e contratam com salários mais baixos.

Emerge fenômeno da pejotização, transformação de trabalhador, contratado por CLT, em empresário, sem possuírem empresa, mas, apenas, força de trabalho, submetida à regra do negociado preponderando sobre o legislado etc; é a arma neoliberal para acabar com previdência pública

Aumentam os empregos informais(+ 5,6%) e caem os formais(-1,7%), segundo PNAD/IBGE. Tudo soma para diminuir a massa salarial, no compasso do congelamento, sinalizando expectativas negativas aos empresários quanto aos investimentos públicos.

Nesse momento, por exemplo, o mercado de ensino privado corre risco de bancarrota. O governo cortou financiamentos estudantis, como o programa FIES, inviabilizando pagamento de prestações às escolas e universidades, acumulando dívidas. Em 2014 eram 732 mil estudantes financiados; em 2016, 98 mil; com o congelamento, tendência é de extinção; os demais programas sociais distributivos de renda que, ao lado da valorização dos salários, levou, ao final de 2014, a taxa de desemprego a apenas 4%, são, sistematicamente, capados pelo neoliberalismo de Ilan/Meirelles.

O fato concreto é que a política econômica está armada para dar vida boa aos especuladores e arrasar a população: os serviços sociais vão sendo sucateados aceleradamente, detonando o pacto social inserido na Constituição de 88, social democrata; assim, haja intervenção militar para aplacar a violência urbana que se espraia como praga na agricultura cultivada com adubo químico cancerígeno.

Se não cancelarem as eleições de outubro, vai ser um chuá para a oposição.

 

Sensacional, imperdível