Grito contra a neo-escravidão neoliberal

Negreiros, saudades

É claro que a Globo não ia mesmo dar aquele espaço para a Tuiuti. Afinal, o tema do samba enredo é uma crítica à própria Globo, a sucursal de Tio Sam, que apoia o golpe que traz de volta ao Brasil o tempo da escravidão neoliberal do século 21 tocada pelo mercado financeiro especulador.  O fim da lei do trabalho, a CLT, de Getúlio Vargas, tem o apoio total da Globo.

A escravidão, expressa no negociado sobre o legislado, o trabalho intermitente, a degradação está de volta. Os antigos escravos estão na ordem do dia vestidos de nova legislação trabalhista, destituído dos seus direitos perante os novos senhores da escravidão. A lei foi deixada de lado. Está exposta ao negociado. É a faca contra o pescoço.

O fim do imposto sindical, que nunca foi engolido pelos patrões, desarticula, completamente, os sindicatos. Os donos do capital utilizaram, sempre, o argumento de que se tratava, com o imposto sindical, de criar pelegos em penca, para ocupar postos do governo em troca de comportamentos submissos ao poder. O que acontece, agora, com o fim da lei do trabalho?

A expulsão, mesma, dos pelegos, sim, para ser substituídos, agora, por outros pelegos, aqueles que estão, no Congresso, a serviço do mercado financeiro. Ali, comprados a peso de ouro, destroem a CLT, a Previdência Social, a leis nacionalistas, para entregar aos novos senhores de olhos azuis, das praças financeiras internacionais, o patrimônio dos brasileiros, como o petróleo, a preço de banana, nos pregões das bolsas especulativas.

José Negreiros, 68 anos. Grande repórter. Um profissional da grande mídia hoje dominada amplamente pelo pensamento neoliberal antijornalístico. Sabia tudo da profissão. Homem de cozinha, garfos e talheres finos. Em todas as áreas. Vibrava com os companheiros. Era exigente, sarcástico, irônico, mordaz e politicamente correto do ponto de vista ideológico do sistema que nos envolve. Sua verdade era a notícia. Era escravo dela. Contava histórias ótimas do tempo de Simonsen. Tinha uma grande responsabilidade profissional. Julgava-se um missionário do jornalismo. Estaria entristecido com os novos tempos. O jornalismo acabou. Não tem mais o contraditório. Incomoda o verdadeiro poder dentro das redações dado pela orientação do mercado financeiro. O capital especulativo não admite o contraditório.É diferente do domínio do capital produtivo industrial, que envolve trabalho, contradição e emoção. A ditadura do mercado financeiro exclui trabalho e criação humanas. Ela espraia sobre a economia e a política comandando os seus conceitos rendidos ao pensamento neoliberal, especulativo. Não é possível fazer jornalismo dentro do canteiro de obras do mercado financeiro.  Samba de uma nota só. Nesse ambiente, o grande Negreiros, homem que amava uma redação, ficaria sempre sufocado. Era louco com um furo, em desarmar os meandros das falsas intensões envolvendo o fato. Dava tudo por ele, seja dado por ele ou por companheiro dele de redação para valorizar ao máximo na manchete o grande feito como uma obra de arte. Esse jornalismo já era. No fundo era mais forma do que conteúdo, mas ainda admitia o contraditório, que levou o País a um presidente operário, No domínio da finança exclusiva, egoísta, imperial e ditatorial, o contraditório é proibido. Estamos na nova contra-revolução constitucionalista paulista conservadora antigetulista de 1932. Negreiros com seu jornalístico artístico, performático, é, apenas, uma saudade. Que sua lembrança se espraie pelas redações do Brasil e do mundo afora. Vai com Deus, mestre.

E os comentaristas da Globo, senhora dos escravos?

Não tiveram a coragem, ou melhor, não tiveram a autorização de seus patrões, para fazer o correto: relacionar o samba enredo da Tuiuti ao desmonte neoliberal dos golpistas. Nâo é isso que fazem os comentaristas de política, ligando o fato à realidade em sua complexa contradição? A realidade tocava na avenida e no camarote da Globo estavam os dissimuladores da notícia, deslingando-a do fato. Como contrariar quem deu o golpe e se tornou poder capaz de barrar governo eleito com 54 milhões de votos?

Nova pelegagem

Essa critica da Tuiuti à volta da escravidão no Brasil é a mais atual face do neocolonialimo econômico e  midiático global sob o qual o Brasil está submetido nesse momento histórico.

A Globo é parte do golpe. Não tem portanto interesse em mostrar o seu próprio pecado.

No entanto, a consciência nacional expressa na Tuiwti é, ao mesmo tempo, a maior condenação à Globo, novo capital do mato dos neocolonizadores neoescravagistas.

O destino da Globo, agora, é de polarizar com os interesses nacionais, porque ela é genuinamente defensora do interesse internacional. A fantasia está rasgada em cima do palco ilumidado. O mercado financeiro é o novo poder do qual a Globo se tornou porta voz.  Ele não admite a existência do jornalismo verdadeiro, a dualidade concreta dinâmica interativa dialética da realidade.

Tuiuiti é grito contra esse neocolonialismo escravocrata especulativo.

Uma resposta para “Grito contra a neo-escravidão neoliberal”

  1. MAIS DO QUE ESTE GRITO ( JUSTO E NA HORA) SOMOS PARTIDÁRIOS DE UM GRITO MAIS FORTE, SONORO E RETUMBANTE CONTRA AS CORRUPTAS, DISSOLUTAS, BASTARDAS CLASSE DOMINANTES DESTE INJUSTO E CRUEL BRASIL!

    GREVE GERAL DE UMA SEMANA PARA “PARA BALANÇAR O CORETO DA ESCÓRIA NACIONAL”, POR ENQUANTO…..

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