Constituinte venezuelana promove união cívico-militar

PROCESSO CONSTITUINTE VENEZUELANO ESTÁ LEVANDO A UMA UNIÃO CÍVICO MILITAR. REPRESENTARÁ ALTERNATIVA PARA OS PAÍSES LATINO-AMERICANOS SE PROTEGEREM CONTRA OS ABUTRES INTERNACIONAIS? O FATO É QUE CONTRA A DETERMINAÇÃO NEOLIBERAL DE ACABAR COM  O ESTADO NACIONAL SUBMETENDO-O ÀS IMPOSIÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO ESPECULATIVO, A REAÇÃO VAI SE PRODUZINDO PELO LADO DE MAIOR RADICALIZAÇÃO.

O vice-presidente venezuelano de Segurança e Soberania Política e também ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou que a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) assumiu a tarefa de apresentar propostas para fortalecer o Plano da Patria 2019 – 2025, sob o critério de aprofundar o socialismo como a única via para fortalecer a democracia venezuelana.

Em declarações transmitidas pelo canal Venezuelana de Televisão, no Forte Tiuna, em Caracas, onde foram debatidas no sábado (20) propostas para o novo programa da nação, o ministro da Defesa afirmou que a discussão foi iniciada sob o conceito da descolonização, “tomando em conta a agressão imperial, fator que tem impactado nos últimos anos, para perturbar a tranquilidade e o sossego dos venezuelanos”.

Parino López também detalhou que nos próximos dias os debates continuarão no Estado Maior Superior da Força Armada Nacional Bolivariana. “Estaremos em breve entregando nossas propostas para um Plano [de defesa] da Pátria”, disse.

O chefe das forças armadas venezuelanas assegurou que em qualquer quartel que se visite, o que se observa é a moral elevada, disposição, capacidade combativa de cada uma das unidades operativas, para cumprir as tarefas que a Constituição determina.

Por sua parte, o comandante do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana (Ceofanb), Remigio Ceballos, presente na discussão, afirmou que “há uma luta cruel contra o povo venezuelano, e nestes momentos se requer mais do que nunca uma Força Armada Nacional preparada, e nesse sentido temos proposto que através da Assembleia Nacional Constituinte se planifique a ação para fortalecer as medidas jurídicas contra todo tipo de ações ameaçadoras”.

E no Brasil?

Para os bancos, 50,66%; para as forças de segurança e defesa nacional, apenas, 2,25% do total do Orçamento Geral da União. Como combater uma guerra civil encoberta no País que mata 62 mil pessoas por ano, sendo 7 pessoas mortas a cada hora, com uma verba orçamentária insignificante? A prioridade não é o social, mas o financeiro, os sanguessugas que faturam com o suor do povo, conforme dados acima levantados pela Auditoria Cidadã da Divida, coordenada pela auditória Maria Lúcia Fattorelli. A dívida cresce endogenamente, especulativamente, no embalo de juros sobre juros(anatocismo), condenados pelo STF, sem gerar contrapartida de crescimento.

Semana passada, as Forças Armadas soltaram nota alertando para o seu sucateamento, caso não seja revisto o congelamento dos gastos públicos sociais, previsto para duas décadas, em nome do ajuste fiscal neoliberal Temer/Meireles.

São pouco mais de R$ 60 bilhões para as FFAA, com previsão de investimentos de apenas 6% desse total; são recursos insuficientes para tomar conta de um país continental sob ataque neoliberal, cujo objetivo é desarmar toda a geopolítica nacional construída nos últimos quinze anos.

Os militares não terão a mínima condição, com essa carência de recursos, de colocar em prática o Plano Nacional de Defesa(PND) e a Estratégia de Defesa Nacional(EDN), aprovados no Congresso, em 2005 e 2007, respectivamente.

Ambos, PND e EDN, têm, por objetivo, conforme destacou o general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, em palestra, no Ceub, no Dia do Soldado, em 2016, implementar indústria de defesa, com objetivo de formar cadeia produtiva capaz de assegurar desenvolvimento científico e tecnológico nacionalista sustentável.

O conceito moderno de defesa nacional, destacou, na ocasião, o general, se sustenta no avanço da educação, da saúde, do emprego, da renda, do consumo e do fortalecimento do Estado, por meio de arrecadação, para os investimentos em infraestrutura.

Ou seja, o contrário do que objetiva o plano econômico neoliberal Temer/Meirelles, politicamente, ilegítimos, para tocar a agenda econômica que dá as costas ao interesse nacional.

Na Venezuela, para proteger a principal riqueza nacional, os militares se unem ao governo e à sociedade, numa jornada cívico militar, para se protegerem contra os abutres internacionais, interessados na privatização do petróleo.

No Brasil, ao contrário, o governo entreguista abre as pernas para as petroleiras internacionais, limitando a ação da Petrobrás, para que elas possam agir mais folgadamente, enquanto isenta de tributos importações para que possam acelerar exploração das reservas nacionais.

Até onde vai essa ousadia neoliberal antinacionalista, que lança incertezas sobre o futuro do País, já que os recursos, antes previstos para aplicar em educação, esvai-se para o bolso dos especuladores, que levam a parte do leão do orçamento, deixando, como mostram os dados acima, os setores sociais e econômicos à mingua?

 

 

 

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