Quem tá com Temer, tá sem voto

MARUN PITBULL, ARMA DE TEMER QUE PODE DESTRUÍ-LO RAPIDAMENTE. A REAÇÃO DE SETE ENTRE NOVE GOVERNADORES NORDESTINOS CONTRA A CHANTAGEM DO MINISTRO TROMBADOR PARA LEVANTAR VOTOS PRÓ REFORMA DA PREVIDÊNCIA REPRESENTA GRITO DE GUERRA REGIONAL CONTRA PODER FEDERAL CORROMPIDO PELA PRÁTICA DO MERCADO FINANCEIRO DE COMPRAR BASE ELEITORAL PARA ACELERAR ECONOMIA NEOLIBERAL.

Cadê a legitimidade?

A falta de legitimidade democrática do governo golpista de Temer impõe sua própria lógica para se sustentar na base da pura corrupção.

Com uma pauta econômica não aprovada em debate com a sociedade, porque reflete interesses do mercado financeiro especulativo, promotor da desmobilização do estado nos setores de saúde, educação e infraestrutura, a forma de obter o que se deseja é essa, mesma, que o inescrupuloso deputado Marun, secretário de articulação política, está colocando em prática: toma lá, dá cá.

Vem de longe esse procedimento, na Nova República, para ficarmos, apenas, nela, mas o diferencial Temer é que não passou pelas urnas, daí ele vir com essa conversa mole de que optou pela impopularidade a fim de alcançar os objetivos, que diz ser nacionais, mas que, evidentemente, são dos verdadeiros donos do poder, aos quais está servindo, os que assaltam o orçamento geral da União, molhando, nessa empreitada, as mãos dos aliados no parlamento.

Primeiro, para se chegar a essa voragem corrupta desenfreada, foi preciso fazer o impeachment sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo.

As armações do ora preso deputado Eduardo Cunha, dada avalanche da roubalheira que praticou, no tráfego de dinheiro, de dentro para fora do País e vice versa, estavam todas combinadas com o mercado financeiro.

A agilidade parlamentar fenomenal de Cunha é assunto para historiadores, pois o objetivo dela foi o que se viu, acelerar o golpe e sucatear a economia com programa de governo em que a essência é congelar por vinte anos as forças produtivas em nome de ajuste fiscal.

Puro anticapitalismo.

O ex-parlamentar peemedebista carioca, inteligentíssimo, para se tornar presidente da Câmara, ganhou a base política do baixo clero e tornou-o alto clero, despertando-o como poder por ser maioria, capaz de dar cartas no Congresso.

A partir daí, o golpe foi acelerado.

Teve ao seu lado, nessa tarefa de eviscerar a classe política majoritária no Legislativo, a figura que agora ocupa a Secretaria de Articulação Política do Governo, o deputado Marun(PMDB-MT), o cabo eleitoral para o que der e vier.

A estratégia foi colocada em prática, com sucesso, para aprovar a (contra)reforma trabalhista, privatização de empresas de eletricidade(ensaio geral para entregar, mais à frente, a Eletrobrás), poços de petróleo do pré sal, empresas subsidiárias da Petrobrás, tudo em nome da falsa verdade segundo a qual se faz necessário desinchar o estado de modo a produzir poupança interna indispensável aos investimentos por meio do setor privado.

Conversa fiada, porque, agora, feita a limpa, colocadas as empresas, já prontas, nas mãos dos empresários felizardos pela compra de patrimônio na bacia das almas, o que estes esperam são os investimentos públicos sem os quais não lançarão mão da poupança que abocanharam a preço de ocasião.

Maré baixa

A estratégia econômica não deslancha porque os empresários não veem no horizonte os novos investimentos que precisarão ser feitos para os negócios que abocanharam se prosperarem.

O golpe desencadeou condições para transferência de patrimônio público pronto e acabado, em condições de gerar lucratividade, para o setor privado; porém dependem de alavancagem de novos investimentos estatais em infraestrutura(estradas, pontes, metrôs, aeroportos, portos, etc), cujo retorno econômico é baixo em relação à taxa de juro vigente no País; não se habilitam jogar dinheiro a ser valorizado no futuro, se tem condições de ganhar muito mais no presente, na jogatinha financeira.

Assim, ninguém sai do lugar, e, sem investimento, a maré econômica, sob o tacão do congelamento neoliberal, permanecerá, claro, baixa.

Incerteza, ceticismo

É nesse ambiente de ceticismo do setor produtivo, mergulhado na incerteza, dada a certeza de que sem investimento público, a coisa não anda, que Temer, agora, com Marun, pretende aprovar reforma previdenciária, cujo objetivo, ao fim e ao cabo, é retirar da circulação, em forma de redução de gastos, cerca de R$ 750 bilhões, em dez anos.

Ou seja, renda disponível para o consumo, que beneficiaria setor produtivo, a ser destinada ao mercado financeiro especulativo, com destruição da previdência pública.

Se o consumo, com a reforma previdenciária, tende a diminuir, no horizonte empresarial, como alavancar investimentos privados com a poupança pública feita em forma de destruição do Estado?

Achacador

Marun terá que irrigar o bolso dos parlamentares de forma muito mais intensa do que foi feito até agora para conseguir atender a demanda dos especuladores do mercado financeiro.

Tenta achacar os governadores, soltar para eles dinheiro em troca do apoio deles à reforma da Previdência, rechaçada pela população.

Marun quer que os executivos estaduais, todos quebrados, se inviabilizem politicamente indo contra a população, suicidando!

A sôfrega extroversão dele assemelha-se à imagem de um país à deriva, como a desenhada pelo general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, crítico dos cortes orçamentários que deixam as forças armadas sem recursos para tocar o que lhes são mais caros, o Plano Nacional de Defesa e a Estratégia de Defesa Nacional, bases para o nacionalismo econômico brasileiro, segundo disse em palestra no Ceub, no Dia do Soldado, em 2016.

Cuidado, com seu Pit bull, Temer!