Greve geral por Lula na disputa eleitoral

OPÇÃO POLÍTICO-DEMOCRÁTICA DOS TRABALHADORES
A direita sem candidato porque é identificada com o golpe que destroi a democracia não quer deixar Lula se candidatar porque sabe que perderá. Contra essa onda neoliberal conservadora restará aos trabalhadores a greve geral para ter seu candidato na disputa. Lógica política irreversível.

Greve democrática

Vai ganhando cores fortes o jogo político eleitoral radical. Os trabalhadores adquirem consciência de que estão tentando, com todas as armas, impedir que o representante deles dispute eleição. Sem candidato para competir, sentem que estão sendo logrados. Nesse sentido, os próximos passos que seguem engrossando a luta política tendem a desembocar em movimento grevista. Se o candidato dos trabalhadores não pode disputar, qual a alternativa de luta deles, senão falar mais grosso do que já estão falando, em mobilização que, por exemplo, adiou votação, no Congresso, contra reforma conservadora da Previdência Social?

As convocações para deslocamento da militância pró Lula a Porto Alegre, em 24 de janeiro, julgamento das apelações do ex-presidente contra condenação de Moro, tende a ganhar dimensão global, junto com a palavra de ordem, de José Dirceu, favorável à disseminação, pelo Brasil à fora, de comitês políticos de defesa da candidatura Lula, versão dos sovietes leninistas, como proposta socialista de luta política, de resistência democrática.

O caso Lula mexe com a consciência democrática mundial. Nos Estados Unidos, Europa e América Latina, o caso ganha conteúdo que leva às mobilizações irresistíveis. Se pintar, em Porto Alegre, grande movimentação, com presença de personalidades de destaque internacional, fazendo excitar consciência democrática nacional, palavra de ordem favorável a uma greve política geral da classe trabalhadora não estará afastada como instrumento de luta.

Vai se tornando inadmissível realização de eleições sem Lula. Sem ele, rolaria sensação crescente, popular, de farsa. E a tentativa jurídico midiática conservadora que se articula para eliminá-lo, baseada mais em convicções do que em fatos, devidamente, comprovados, ajuda o processo de radicalização a se ampliar, de forma incontrolável.

O alijamento de candidato do trabalhador do processo eleitoral enfraquece democracia, tornando-a, aos olhos e ouvidos da classe laboral, instrumento de manipulação, sem nenhuma credibilidade. É o que ela já acha relativamente aos congressistas, no Legislativo, cuja avaliação deles é negativa.

Manipulação ideológica

Comentaristas conservadores, como Luiz Azedo, do Correio Braziliense, tenta, nesse domingo, inverter os fatos. Diz que a insistência de Lula em disputar radicaliza processo democrático, criando espaço para o imponderável. Quer dizer: a desistência lulista seria o melhor remédio para a democracia.

Como sempre, essas vozes reacionárias, aliadas aos golpistas, tentam tapar o sol com peneira. O golpe, para eles, não é radicalismo burguês neoliberal. Já reagir a ele, representa golpe.

Fazem de conta que o País não foi atingido por golpe político, articulado pelo judiciário, mídia e maioria congresssual, monitorados pelo poder real do dinheiro, do mercado financeiro. Fingem não perceber que os especuladores, com o golpe, visam, apenas, privatizar o sistema público de saúde, para vender milhões de planos de saúde privados; torrar Petrobrás e a Eletrobrás, bases de estruturação do capitalismo nacional desde sua criação por Getúlio Vargas.

São os pregadores do estado mínimo, vigente até o século 19, sem perceberem que, na crise de 1929, soou o dobrado de sino do lassair faire, para abrir espaço à interação estado-setor privado, como alavanca geral dos investimentos, sem à qual estes não se realizam de forma sustentável.

Os conservadores, como Luiz Azedo, escondem que o objetivo da politica econômica, como está fixada na PEC 55, é reduzir de 25% para 14% os gastos públicos em relação ao PIB. Contramão da caminhada percorrida pelos países capitalistas desenvolvidos desde os anos de 1950, quando, até 2013, aumentaram gastos públicos de 17% para 45%, 50% do PIB.

Os neoliberais – e seus escribas na mídia golpista – fecham os olhos para a realidade de que são gastos públicos em saúde, educação, segurança e infraestrutura que puxam a demanda global capitalista.

Estado mínimo, que defendem, é a morte do capitalismo.

Anticapitalismo nacional

Com Lula, essa tendência, destruidora, dos interesses dos trabalhadores, será freada, irremediavelmente, sob pena de não haver, como já ocorre, governabilidade sustentável, visto que se trata de implementar, com o congelamento fiscal neoliberal, o anticapitalismo nacional, algo, historicamente, grotesco.

Sem legitimidade para ir mais longe com tal política, Temer e as forças reacionárias antinacionais que o sustentam não conseguem montar candidato competitivo para disputar com Lula. Só derrubando-o, na armação jurídico neoliberal golpista, que os falsos juízes de direita aprontam no TRF4, no Rio Grande do Sul, o locus de onde nascerá a radicalização e ampliação que pode levar à greve geral.

Com Lula, os trabalhadores aprenderam que suas reivindicações históricas podem se materializar. Sem ele, o retrocesso se faz presente, como o sucateamento econômico nacional em marcha.

Arte nacionalista