Cristão comunista contra capitalismo

SAMBA DO CRIOULO DOIDO
Papa latinoamericano peronista populista cristão comunista abala os alicerces do capitalismo que vai deixando de ser solução com sua proposta neoliberal para se transformar em desespero para a humanidade. Os mercados já sinalizam abalos sísmicos que fazem as certezas se esfacelarem numa salve-se quem puder, cujas consequências, como se sabe, são sempre pau no lombo dos mais pobres. Cristo ou Marx? Francisco sugere mistura dos dois como alternativa para a humanidade não se dissolver na irracionalidade da economia de guerra, marca registrada do capitalismo concentrador de renda e poupador de mão de obra, no mundo do desemprego estrutural.

Bolhas explosivas

O papa Francisco está agitando o canteiro da direita mundial. O capitalismo, com pensamento único, pautado pelo mercado financeiro especulativo, não é solução, é problema. Ninguém acredita. Por isso, bate biela, segundo os mais atinados de Wall Street. A supervalorização das ações, na base da especulação, não está guardando correspondência com a realidade. Pinta novo crash global. A velha pregação marxista nunca esteve – sempre está, nas crises – tão atual. O lucro cadente na esfera produtiva descola dela para a especulativa, para manter constante ou em ascensão sua lucratividade. Lucro sem produção, sem emprego, sem riqueza real. Nossos lúcidos comentaristas, Belluzo, Assis, Nassif e outros apontam pavores expressos por especialistas como Blanchard e Summers, descrentes do foguetório neoliberal dos bancos centrais. Têm certeza da derrocada inercial secular da taxa de lucro do capital no compasso da superconcentração capitalista, cujas consequências são bolhas que implodem, inapelavelmente.

Brasil perdido

O Vaticano está de olho nesse movimento. O papa contraria os cardeais ligados ao mercado especulativo. Sabe que não existe nada mais anticristão que essa jogatina financeira, que lança a humanidade na mais profunda incerteza. O cristianismo se aproxima do socialismo como força material. Ambos se mostram descrentes do desgoverno que a ambição, a ganância produzem, jogando os seres humanos nas guerras e destruições etc. Trump só consegue puxar a demanda global do capitalismo de Tio Sam,  inchando os orçamentos militares, jogando dinheiro grosso na produção bélica e espacial, na dissipação completa do capital. Diz que lançará na circulação mais 1,5 trilhão de dólares. Demanda estatal. Quem acredita em estado mínimo é só a elite golpista tupiniquim, com Temer à frente, mais perdido que cego em tiroteio. A contrapartida dessa opção é destruição da popularidade da direita e centro direita. Não têm chances na disputa democrática. Por isso, o golpe parlamentar jurídico midiático é sua arma, como rolou com derrubada de Dilma.

Saída revolucionária

A ordem de Francisco é leninista, no momento. Manda a Igreja reunir todas as frentes de luta, para conversar, polemizar, criar ambiente de organização social, lógica da política de transformação revolucionária, para resistir aos golpes. Domingo, em Brasília, rolou esse espetáculo, por ordem do Arcebispo Dom Sérgio Rocha, sintonizado com orientações do Vaticano, para horror dos conservadores. Todo o poder às associações, às organizações, aos comitês, aos sovietes. Dirceu, com tornozeleira,  segue o Papa. Quer sovietes por todo o Brasil para defender candidatura de Lula, ameaçada pela onda reacionária de direita, ancorada no judiciário, que se transformou em barreira às transformações democráticas autênticas. Trata-se do poder patrocinador de golpes. Ele dá jeito em tudo, para manter o status quo e seus falsos líderes, tipo Aécio Neves. As contrarreformas da direita não dão voto, não suportam testes democráticos, as pesquisas apontam, previamente, sua derrota. Econômica e socialmente, falando, é desastre: redução da renda disponível para o consumo, quanto mais precarizam-se salários, jogando sistemas previdenciários na falta de sustentabilidade. A taxa de desemprego, num primeiro momento, diminui, relativamente, mas não se sustenta, diante da perda estrutural do poder de compra dos salários. Os investimentos, decorrentes da queda de arrecadação tributária, não se realizam na escala necessária capaz de lançar bases da industrialização, visto que a competitividade diminui, contraditoriamente, com diminuição de custos de produção. Os empresários se equivocam. O aumento da produtividade decorre dos salários mais altos, não dos salários mais baixos. Para fugirem daqueles, investem em máquinas e equipamentos, poupadores de mão de obra. Salário baixo não é para aumentar produtividade, é para roubar mais valia dos trabalhadores e eternizar colonização capitalista na periferia. A derrocada industrial é atestada a cada pesquisa da CNI. Esse é o resultado macroeconômico do modelo neoliberal entreguista de Temer, onde a taxa de lucro cadente sinaliza especulação com moedas virtuais, temor máximo do presidente do BC, Ilan Goldfajn.

Tio Sam perdidão

Nesse cenário, Trump, em meio ao ceticismo de Wall Street, vê a Ásia ampliar seu poder diante dos Estados Unidos. Borra de medo do novo poder, o Yuan chinês, aliado de Putin, com seu rublo, que, também, começa ganhar musculatura, com avanço do BRICs e seu banco de desenvolvimento. Trump, circulando entre os asiáticos, há duas semanas, baixou o facho diante de Putin, de Jiping e até de Rodrigo Duterte, das Filipinas, ditador/matador de oposicionistas. O mandatário de Tio Sam tentou arregimentar apoio contra Coreia do Norte; não conseguiu. Volta para casa com o rabo entre as pernas. Talvez se volte, agora, com ferocidade, contra a Venezuela, onde Maduro chama credores para renegociar dívida, disposto a liquidar papagaios com moeda chinesa, obtido com venda de petróleo. Bolsonaro assusta a Globo porque prega isso, assustando mercado, com sua promessa de governar com militares. E, agora, dólar? A moeda de Tio Sam, em meio a tantos vieses contraditórios e assustadores, vai sendo escanteada no mundo novo bipolar que nega sua hegemonia unipolar. Nesse ambiente, o papa Francisco, consciente de que o capitalismo perde seu poder hegemônico, dada impossibilidade de satisfazer anseios populares por vida digna, proporcionada por melhor distribuição de renda, ressalta semelhanças entre comunismo(chinês?) e cristianismo, demonizando capitalismo. Vaticano, Pequim e Moscou de mãos dadas. Lenin, propulsor da NEP, mais vivo do que nunca. Ultra-surpreendente.