Com Putin-Jiping Maduro enfrenta Trump

NOVO DISCURSO NACIONALISTA LATINO-AMERICANO
O presidente Nicolas Maduro convocou, soberanamente, os credores da Venezuela, para discutirem, no próximo dia 13, renegociação da dívida externa. Tem apoio da China e da Rússia, para enfrentar Estados Unidos, nessa parada. É o novo momento político da América do Sul, que recusa continuar suportando neoliberalismo radical de Washington, cujas consequências são desnacionalizações das riquezas sul-americanas e preparação de clima político insuportável em meio à exploração dos povos do continente. Com esse discurso que busca saída econômica para Venezuela, o presidente arma-se para campanha presidencial de 2018. Dará, certamente, o tom da campanha no Brasil, igualmente, sufocado por dívida interna, que é dívida externa internalizada, via especulação financeira, no momento em que Washington pressiona para a América do Sul tomar mais empréstimos em dólar a juros baixos, na base da desregulamentação total do mercado financeiro especulativo.

Nova guerra fria

América do Sul virou campo de prova na disputa entre Estados Unidos, de um lado, e China e Rússia, de outro, no momento em que a Venezuela chama seus credores para renegociar 84 bilhões de dólares de sua dívida externa de 150 bilhões, sendo que os restantes 66 bilhões já estariam sendo financiados pelo Banco BRICs, garantido pelas moedas chinesa(yuan) e russa(rublos), lastreadas pelo petróleo venezuelano, cujas reservas são as maiores do mundo, 296 bilhões de barris. Está em questão, portanto, o poder imperial do dólar, que vai deixando de ser referência monetária nas relações de trocas globais.

Os mercados aceitarão o que Maduro deverá propor, no próximo dia 13, em Caracas, ou seja, pagamento de dívida externa não em dólar, mas em yuan/rublo, garantida pelo petróleo, em intermediação do banco de financiamento BRiCs? Trata-se do maior desafio à moeda de Tio Sam, desde o acordo de Bretton Woods, em 1944, que marcou a predominância absoluta dos Estados Unidos nas relações monetárias globais.

Certamente, se Maduro estivesse politicamente desamparado, sem apoio de Putin e Jiping, as chances dele seriam zero à esquerda. Trump quer pegá-lo na primeira esquina que puder. Mandaria boicotar a renegociação, dando-lhe nome de calote, embargaria riquezas venezuelanas, imporia sansões, como as que já colocou em prática, desde agosto, e iria sufocando a economia Venezuela aos poucos, como faz Tio Sam com quem ousa contestar seu poder.

Mas, agora, o buraco é mais embaixo.

Os russos compraram 49% da principal refinaria petrolífera da Venezuela, Citgo, que detém 4% do mercado consumidor nos EUA, e os chineses possuem 4 trilhões de dólares em reservas. Já pensou se, ameaçados por Washington, a China jogasse esse dinheirão, na circulação global, já encharcada das verdinhas de Tio Sam? A briga, portanto, é de cachorro grande. Maduro ancorou bem sua mudança de estratégia do dólar para o yuan/rublo.

Já a situação financeira dos Estados Unidos preocupa os mercados. A mudança de guarda no BC americano, com Trump trocando Yellen por Jerome Powell, esconde fragilidades possíveis da economia, embora em crescimento de 3% ao ano, com pleno emprego. Powell, que não é economista, mas administrador de ativos especulativos, com os quais acumulou fortuna de 55 milhões de dólares, tem alertado, como integrante do BC, que há excessiva especulação com ações em Wall Street. O futuro titular do FED, que toma posse em fevereiro, está, sobretudo, apavorado, com o excesso de liquidez em dólar, no mundo, herança da bancarrota financeira americana de 2008.

Putin e Jiping se preparam para enfrentar o dólar, em estado crítico, devido ao excesso de liquidez mundial em moeda americana, que tenta invadir economias capitalistas periférias. São os comandantes do BRICs, que passam a emprestar YUAN/RUBLO, ancorados em garantias petrolíferas, nova moeda global que cria novo sistema monetário internacional. Briga de gigantes em território sul-americano, numa nova guerra fria.

Dólar x Yuan/Rublo

É isso que impede aumento da taxa de juro, nos EUA, de modo a evitar explosão da dívida pública americana, hoje, superior a 20 trilhões de dólares. Jerome tem medo do dólar quente, especulativo, perigoso. Quer exportá-lo a juro baixo. Diz, tentando enganar a freguesia, que o perigo hoje não é o endividamento da periferia capitalista. Esta estaria em condições de absorver dólares em circulação, evitando excesso de liquidez dentro dos Estados Unidos, onde bombeia especulação de ativos, propensos a implodirem a economia de novo.

Por essa razão, o futuro titular do BC de Tio Sam tende a defender desregulamentação bancária. Os bancos poderiam ampliar oferta de empréstimos bem acima do capital registrado. Romperia leis internas americanas voltadas a evitar propensão à imprevidência na busca de lucros a qualquer custo. Isso já aconteceu antes e deu merda. Perigo para o dólar: BD teria que puxar juros, como fez em 1979, a fim de evitar inflação mundial em moeda americana. O problema, agora, é que a dívida de Tio Sam está nas nuvens. Seria o fim do dólar ou sua completa fragilização relativa extraordinária, diante dos BRICs, nova potência mundial, ancorada na força da China e da Rússia. Ambas já renegociam dívidas de países produtores de petróleo, recebendo como garantia a produção do óleo, do qual depende a economia mundial.

Nesse contexto, Maduro inaugura nova etapa da economia mundial com renegociação da dívida da Venezuela, mediante apoio chinês/russo, cujas moedas se associam em torno do banco BRICs. Ou seja, nítido ensaio de novo sistema monetário global, na esteira de novo discurso nacionalista sul-americano. O nacionalismo sul-americano não morreu, como apregoam os neoliberais. Ele, certamente, polarizará com o neoliberalismo econômico que o Consenso de Washington tenta impor à América do Sul, como ocorre, no Brasil: sucateamento econômico mediante golpe político parlamentar jurídico midiático, apoiado por Wall Street.

O jogo imperialista é claro: congela-se, em nome de ajuste fiscal irracional, gastos públicos, sem os quais desaparece renda disponível para o consumo, base essencial para gerar emprego, aumentar produção, renda tributária e novos investimentos. O sufocamento do estado, para levá-lo a entregar, na bacia das almas, as empresas estatais, ao lado dos ajustes fiscais, que paralisam forças produtivas, entraria em xeque, se se espalha resistência política ensaiada pela Venezuela, com proposta de renegociação da dívida.

Antes, Tio Sam fazia isso com pé nas costas; agora, com dólar fragilizado, sob pressão da China e Rússia, que avançam nas economias sul-americanas, a situação ficou mais difícil para o império comandado pela especulação desenfreada de Wall Street, ameaçada pelo excesso de liquidez hiperinflacionária.

Chavismo nacionalista morto?

 

Salsa revolucionária