Cinismo neoliberal descarado

MENTIR, MENTIR, MENTIR, O JOGO DO GOVERNO ILEGÍTIMO
Desembarque do PSDB da pinguela Temer, como prega, hoje, FHC,  pode balançar violentamente o mercado financeiro especulativo. Significará fim do governo e incertezas totais, prolongando recessão, desemprego e desinvestimentos no capitalismo tupiniquim de pernas bambas. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, em entrevista ao Correio Braziliense, mostra-se perdido. Só fala abobrinha. Tudo no condicional. Não tem certeza de nada. As autoridades econômicas, mostram suas declarações, não governam. São governadas. O cenário interno depende, totalmente, do cenário externo. Nele, a liquidez excessiva em dólar leva o BC americano, agora, com novo chefe, a forçar endividamento da periferia capitalista, mediante desregulamentação. A crise vem de fora para dentro. Sempre. Trump, por sua vez, virou refém de Putin e Jiping. Ambos manipulam nova moeda, Petro-Yuan/Rublo, ancorada em reservas de petróleo, tanto da Venezuela, como do Irã. Novo cenário internacional joga a moeda americana no ritmo balança mas não cai. Nova dinâmica global. Fato novo: Venezuela chama credores para renegociação de suas dívidas, no próximo dia 13. Promete esticar prazos e juros e pagar principal com moeda chinesa/russa. Mercados aceitarão? Nesse cenário, as palavras de Ilan Goldfajn promovem, apenas, despistes, como o de insistir que o problema é o déficit da Previdência, para produzir recuperação econômica sustentável. Há, há, há.

Essencial descartado

O titular do BC, empregado do Itaú, insiste no que interessa aos bancos: conter o déficit da Previdência Social. Privatizá-la, para destruir o SUS, maior programa de distribuição da renda nacional, construída pela social democracia brasileira, no bojo da Constituição de 1988. Ele não discute o essencial: o congelamento neoliberal de gastos públicos, por vinte anos, imposto pelo Consenso de Washington. O remédio neoliberal diminui arrecadação, investimento, emprego e renda, e consumo só avança, marginalmente, de forma precarizada, com menos renda disponível, decorrente da reforma trabalhista, tiro no pé do capitalismo tupiniquim. Inflação cai por isso e acelera inadimplência das famílias e empresas. O aumento do déficit da Previdência vem daí. Como combatê-lo, se as receitas desabam? Os juros, nesse ambiente economicamente depressivo, não sobem, porque estouraria a dívida. Os banqueiros, que mandam no BC, estão apavorados. O calote vem por conta do congelamento defendido por eles como solução ideal. Equívoco total. Congelamento rouba renda orçamentária apenas para pagar juros e amortizações da dívida, que comem 44% do Orçamento Geral da União, de R$ 2, 6 trilhões, realizados em 2016. Nesse ano, idem. Previdência custa, comparativamente, 27,5%! Quem produz o déficit, na prática, os agiotas ou os aposentados? Não sobra praticamente nada para os setores sociais cujos investimentos(não, gastos, como insistem os neoliberais) elevam o PIB.

Cadê Keynes?

Ilan Goldfajn não leu Keynes. Diminuir juros só não basta para dinamizar produção, se o governo não maneja a única variável econômica verdadeiramente independente no capitalismo, que é, segundo o autor de “Teoria Geral do Juro, do Emprego e da Moeda”, o aumento da quantidade da oferta de dinheiro na circulação. Sem esse movimento – jogar dinheiro na circulação -, que eleva preços, diminui salários, perdoa dívida contratada a prazo e reduz juros, não há investimento. Impossível despertar espírito animal empreendedor, como destaca o genial economista inglês. A estratégia econômica glacial de Temer/Meirelles mata o espírito animal do empresário. Não produz eficiência marginal do capital(lucro). O investimento é função do gasto público que gera renda disponível para o consumo. Sem capacidade ociosa das empresas, dependentes da poupança pública, ora congelada,  haveria investimento, bombeado pelo gasto privado, limitado pelo aumento das dívidas dos consumidores e, claro, das empresas. Como gerar produção, emprego, circulação e distribuição no capitalismo tupiniquim, sem esse movimento keynesiano?

Agiotagem criminosa

Vem, então, o discurso cínico de Ilan segundo o qual as coisas começarão a animar-se com a reforma da previdência. Safadeza neoliberal consciente. Desemprego de 13 milhões da mão de obra economicamente ativa diminui ou aumenta arrecadação da Previdência? Recuperação do emprego com precarização da renda é outro componente do déficit previdenciário. Quem vai recolher, se a economia caminha para pejotização total, transformação do trabalhador em empresário de araque, que vira empreendedor apenas para evitar que as empresas recolham direitos e garantias trabalhistas que evaporaram? Por outro lado, como, dr. Ilan, recuperar renda e investimento, se os bancos atuam como agiotas, minando renda dos consumidores? Sem renda, inadimplência não cai e o grau de segurança sobe, em movimentos contrários, reagentes entre si, dialeticamente. Goldfajn só fala no condicional, não tem certeza de nada, parece barco à deriva, sem bússola, em mar revolto, fingindo de morto. Ele conduz política monetária à situação de inadimplência, que levará o governo, em algum momento, a chamar credores para renegociar dívida. Ou não?

Mentira necessária

A garantia das empresas em estado geral de inadimplência dos consumidores carentes de renda é nenhuma. Reduzem, por isso, garantia geral do sistema financeiro, cujas consequências são aumento do custo do crédito ou rigidez total na queda do custo do dinheiro. Ilan falseia: diz que no Brasil vigora situação sui generis. Indaga: por que no resto do mundo não existe metade do empréstimo a juros subsidiado e outra metade subsidiada, como aqui? Claro, concentração de renda exagerada aqui diminui força da produção, afetada pela falta de renda. A taxa de lucro do investidor cai e ele somente vai ao investimento , se for subsidiado nos seus custos, com juros baixos, bancados pelo caixa do tesouro. É condição sine qua non para investir, ter sua taxa de lucro superior à taxa de inflação, mediante subsídio creditício disfarçado. Por que não deduzir do imposto de renda os juros pagos nas atividades produtivas, no caso da compra de casa própria? Isso aumentaria ou não a renda disponível para o consumo, como ocorre nos países capitalistas desenvolvidos? Superconcentração da renda produz perda de 70% do crédito emprestado. O juro extorsivo embute essa expectativa de perda. O roubo é feito por quem concentra ou quem sofre os efeitos da concentração?

Armadilha da dívida

Mas, o medo real de Ilan fica encoberto. Ele está de olho no BC americano, cujos movimentos esconde armadilhas, com declarações do novo presidente, Jerome Powell. O FED se perdeu, depois da bancarrota capitalista de 2008. Joga dinheiro no mercado para aumentar inflação, mas a inflação não sobe. Joga o juro para baixo, inflação diminui. Os livros de economia perderam utilidade. Antes, diziam que inflação aumenta com aumento da oferta de dinheiro. Aumentou-se a oferta e a inflação caiu. O que é preciso falar não se fala, porque não interessa aos bancos. O juro cai não porque a inflação precisa aumentar, de modo a evitar deflação, mas porque a dívida está alta. Estouraria a banca, se o FED fizesse o que fez no passado, para combater pressões inflacionárias. China e Rússia, no comando do Banco Brics, nova força monetária global, ganharia a parada do dólar, afetado pela dívida pública americana que rompeu a casa dos 20 trilhões de dólares. A dívida passou a governar o governo. As autoridades monetárias não governam, são governadas. Precisam ficar inventando abobrinhas para enganar o freguês. O BC brasileiro é dependente do que faz o BC americano. Mas, isso Ilan não explica, embora diga transparência é sempre meta essencial. A mentira virou matéria prima da economia.

 

Assis Valente eterno

Uma resposta para “Cinismo neoliberal descarado”

  1. Não se trata de mero cinismo, um estilo de argumenação oportunista, mas da evicência de que estamos REALMENTE sob a égide de uma NOVA DITADURA, pior que a anterior porque despida de pretextos nacionais ou humanitários ou tradicionais, mas diretametne a serviço do projeto de RECOLONIZAÇÃO do Brasil e América Latina.
    E o povo não sabe disso, porque permitimos nosso aprisionamento à mídia internacional, e ao projeto da NOVA ORDEM MUNDIAL, e a construção do GOVERNO MUNDIAL.
    E nada fazemos, nem a nível sindical, nem a nível social, nem a nível partidário, nem a nível ideológicas, ABSOLUAMENTE NADA FAZEMOS, para as pessoas serem informadas do que realmente está ocorrendo em termos de TIRANIA MUNDIAL E TOTALITÁRIA a ser construída tijolo a tijolo.

    Tania Jamardo Faillace
    jornalista e escritora de Porto Alegre, RS – Brasil

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