Pré sal desnacionalizado esvazia lavajato


O GRANDE ASSALTO SEM DAR UM SÓ TIRO
Tio Sam jorrou grana na bolsa da grande mídia tupiniquim para ficar caladinha sobre o grande roubo do século. Assim, o povo fica sem saber o que realmente aconteceu: vendeu o que vale 800 bilhões de dólares por apenas 6,5 bilhões de dólares. O pré sal foi comprado pelos gringos por trinta dinheiros. Entregamos nossa maior riqueza de bandeja, além de outras vantagenzinhas: 1 – isentamos os gringos de impostos; 2 – cedemos tecnologia para extração, sem cobrar um tostão; 3 – emprestaremos R$ 20 bi, pelo BNDES, para os saqueadores pagarem o que levou de graça; 4 – vamos mudar a partilha para concessão; 5 – não seremos mais os únicos operadoras de nossa própria riqueza e ficaremos sujeitos às lorotas contadas pelos exploradores; 6 – emagreceremos nossos orçamentos públicos para financiar educação, saúde, infraestrutura etc. A recolonização econômica veio de uma pancada só, para aleijar, pela mão dos golpistas de 2016.

Alívio golpista

Os políticos envolvidos na Operação Lava Jato, candidatos a serem julgados como réus pelo STF, poderão respirar aliviados, depois dos leilões de poços de petróleo na bacia do pré sal, regidos por novas regras, que beneficiam as multinacionais petroleiras. Estavam ameaçados pelas práticas de corrupção na Petrobrás por agentes que indicaram aos cargos influentes na petroleira com missão de repassar dinheiro aos partidos políticos, conforme regras dos governos de coalisão neorepublicana. Para se safarem da justiça e da prisão, tiveram que aprovar privatização do pré sal, sob pressão das petroleiras americanas, concorrentes da empresa estatal brasileira. Somente assim se livrariam das ações dos procuradores e do juiz Moro, municiados de informações estratégicas, fornecidas por agentes de espionagem americanos, a serviço das multis e dos interesses de acionistas privados estrangeiros, na Petrobrás.

Armação imperial 

Sentindo-se prejudicados em seus interesses privados, os acionistas da Petrobrás acionaram-na, juridicamente, com pleno apoio do Departamento de Justiça, dos Estados Unidos, exigindo elevadas indenizações. Sendo empresa de capital aberto em que maioria das ações, 56%, são privadas, com registro de atuação na bolsa de Nova York, portanto, sujeita às regras e leis americanas, a corrupção política na Petrobrás virou alvo de investigação legal dos acionistas americanos, prejudicados pelos corruptos que jogaram a estatal brasileira em situação dramática. Era o motivo que as multis do petróleo americanas esperavam para intensificar pressão sobre a concorrente brasileira, para fazê-la abrir-se aos interesses delas, de olho no pré sal. Pintara, portanto, oportunidade para o império jogar com suas armas sujas contra o governo brasileiro, intensificando ataques sobre suas práticas de governança na empresa estatal, onde interesses políticos se misturavam com interesses corporativos, até então considerados frutos do jogo político eleitoral brasileiro.

Presa fácil 

O jogo sujo americano contra a Petrobrás se deu com a disseminação de informações do departamento de justiça americano para procuradores e juízes brasileiros, na cruzada anti-corrupção contra o fragilizado governo Dilma, em busca do objetivo central de fazê-lo mudar regras de exploração do pré sal, joia da coroa, rendendo-se às pressões internacionais. Assim, a Petrobrás tornou-se presa fácil do império de Tio Sam, sempre a serviço das suas multis petroleiras, para caçar petróleo pelo mundo, visto ser a fonte de energia que dá sustentação ao poder imperial do Estado Industrial Militar Norte-Americano, assim denominado por Eisenhower, em 1960.

Geopolítica petroleira

Torna-se indispensável contextualizar os fatos. Estados Unidos e Arábia Saudita, junto com Iraque, dominado pelos americanos, havia, em 2012/13, decidido aumentar oferta de petróleo mundial para diminuir poder da Rússia, dependente, em seu PIB, de 50% de suas reservas petrolíferas, objetivando fragilizar sua estratégia, ao lado da China, Índia e Brasil, na conformação dos BRICs. Os americanos reagiram drasticamente contra disposição dos Brics de lançar moeda concorrente ao dólar, ancorado em novo banco de investimento. A baixa imposta ao preço do óleo atropelou, não, apenas, a Rússia, mas, também, Venezuela, maior produtora mundial, com reservas de 296 bilhões de barris, e o Brasil, que acabara de descobrir pré sal, com reservas estimadas em 174 bilhões de barris.

Espionagem imperialista 

No mundo em que as multis americanas, as famosas sete irmãs, dispõem, apenas, de 5% das reservas mundiais, depois de terem possuído, ao longo do século 20, mais de 80%, o novo rearranjo geopolítico dos BRICs, fortalecidos por reservas petrolíferas, capazes de servir de lastro a moeda concorrente do dólar, tornou-se inaceitável para Washington. A vitória de Dilma em 2014, reforçando seu poder sobre o pré sal, com novas regras votadas no governo Lula, favoráveis ao regime de partilha, ao lado da garantia de ser Petrobrás operadora única na exploração da nova bacia petrolífera, cobiçada pelo mundo todo, incomodou, profundamente, Washinton, Wall Street e as petroleiras americanas. As pressões externas contra Dilma, expressas nas articulações dos golpistas, para derrubá-la, ao longo de 2015/2016, multiplicaram-se com práticas de espionagem, chantagens e arregimentação de forças internas, especialmente, no judiciário, somando-se em formação de frente antinacionalista golpista, adequada aos interesses das multis petroleiras em abocanhar o pré sal, como acaba de acontecer.

Vale tudo

Valeu tudo nessa cruzada, cujas consequências foram, no contexto de queda do preço do petróleo, desvalorização dos ativos da Petrobrás, de modo a torná-la barata aos investidores externos e alvo dos ataques dos operadores procuradores da Lavajato. Políticos do PMDB, como senador Renan Calheiros, presidente do Congresso, temeroso de dançar na Lavajato e não tendo apoio de Dilma, para se livrar dos procuradores, acabaria aliando-se aos tucanos, para aprovar projeto de Lei nº 131/2015 do senador José Serra, favorável aos interesses das multinacionais. O preço capaz de limpar a barra de todos os envolvidos em corrupção na empresa seria o que veio acontecer semana passada depois da eliminação de legislação nacionalista: privatização da exploração do pré sal. Os gringos, graças à lei Serra , passam a ser operadores, como a Petrobrás em 70 por cento das áreas de exploração. Como operadoras, as multis poderão exercer duas atividades promotoras de corrupção e roubo: redimensionamento dos seus investimentos e medição fraudulenta. Serão remuneradas pelo que informam que fazem e não pelo que efetivamente realizam. Foi para isso que o golpe de 2016 foi dado.

Cai a ficha 

A ficha caiu, no momento em que se pode juntar os pontos para ter visão de conjunto da jogada antinacionalista entreguista; ou como diz Hegel, “a consciência é como a ave de Minerva, só voa quando a noite cai”.  Os políticos que participaram do crime político contra democracia brasileira trocaram a entrega do pré sal pela sua liberdade ameaçada pela Operação Lava Jato, armada pelos gringos. Continuarão, nessa condição de traidores da pátria, como serviçais essenciais de Tio Sam. Do ponto de vista do império, são amigos a serem preservados. Por que prendê-los, se trabalharam tão bem pelos interesses imperiais? Por isso, a Lava Jato perde interesse. Já cumpriu sua função essencial: entregar o ouro aos bandidos.  Deverá continuar no papel de fantasma, apenas para assustar a classe política dominante, entreguista, antinacionalista, completamente, rendida a Washington e, totalmente, queimada, eleitoralmente, incapaz de impedir o foguete eleitoral em que se transformou Lula. A democracia vira, para ela, problema, não, solução. Por isso, sem ter candidato, as elites estão com medo até de inviabilizar politicamente o ex-presidente, temerosas de que pinte incêndio político que as levem de roldão. Vão engolir o sapo barbudo.