Tio Sam quer nova abertura dos portos

VENTRÍLOCO DE BANQUEIRO: ABRIR MERCADO PARA O EXCESSO DE LIQUIDEZ ESPECULATIVA A JURO BAIXO NA PERIFERIA  
A missão de Obama na periferia capitalista, financiado pelas Organizações Globo, agora, é achar quem toma empréstimos em dólar que está sobrando no mundo depois que ele Obama ampliou oferta monetária global para salvar economia americana do crash de 2008. Ele apronta nova armadilha para os devedores tomarem dinheiro a juro flutuante, enxugando excesso que jogou no mercado mundial. Vai ganhando gordas consultorias em defesa do capital especulativo americano que precisa desovar seus estoques. Já Lula não pode fazer palestras para defender capital nacional sufocado pela regra neoliberal do congelamento que produz recessão e desemprego ao derrubar arrecadação e investimento. Império e colônia, dois polos de uma realidade dramática para os mais pobres.

ARMADILHA DA DÍVIDA

Obama falou o que os banqueiros queriam ouvir. Está trabalhando para eles. Atacou os populistas contrários à privatização e os xenófobos que resistem à abertura total ao capital estrangeiro que está sobrando no mundo depois que os países ricos saíram da crise ampliando ofertas monetárias. Aparentemente, Obama estaria falando para Trump, considerado xenófobo e populista pelos democratas os quais derrotou nas eleições. Trump fecha a economia americana com tarifas mais elevadas e proíbe migração para os Estados Unidos dos que consideram terroristas. Na ONU, Trump foi claro: quer mais nacionalismo. Proteção ao mercado americano, dominado, hoje, por chineses, asiáticos em geral, por meio de multinacionais instaladas na Asia, em sua maioria, empresas americanas. O nacionalista Trump rompeu os mega-acordos de comércio que Obama articulou para o mundo ser dominado pelas grandes corporações, sem precisar obedecer estados nacionais e regras internacionais de comercio. Flexibilização total. A vitoria eleitoral de Trump veio daí, da decisão de impedir os mega-acordos. O poder do Estado para conduzir a economia foi mantido por Trump.

VENTRÍLOCO DE BANQUEIRO

Mas, Obama não está contra Trump quando fala no Brasil contra xenofobismo e populismo. É outro lance. Remover populismo e xenofobismo é objetivo das petroleiras americanas, interessadas no pré sal, na privatização da Eletrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, no congelamento dos preços dos minérios de ferro, na eliminação de regras financeiras restritivas, para liberar entrada e saída de capital na economia etc. Obama prega isso, mas Trump, também, é a favor, porque favorece interesses dos empresários americanos, fora dos Estados Unidos. Agora, que está sobrando poupança externa e que os banqueiros, cheios de liquidez, querem exportar capital, para as periferias, a juros flutuantes, o mínimo ou nenhuma restrição ao capital financeiro é o melhor negócio. Obama, para enfrentar crise global de 2008, encharcou a praça global de dinheiro, para diminuir dívida americana, mediante juro negativo. Salvou os bancos, o governo e as famílias endividadas. Fortaleceu mercado interno e a economia volta a crescer 3% ao ano. Se a dívida americana implodisse, mediante juro alto, que sempre sobe nas crises, sistema bancário iria para espaço . Depois que passou essa fase, em que a economia americana deu boa recuperada, a jogada é emprestar o excesso de liquidez, para outros países, a fim de que o dinheiro não volte para a circulação, nos Estados Unidos, causando inflação monetária. Exigiria juros altos para enxugar liquidez excessiva. Tio Sam está de caixa para baixo para enfrentar essa parada, como aconteceu no passado.

EXPORTAR DÓLAR

Criou-se outra conjuntura: excesso de oferta de moeda não causa mais inflação, se o juro fica muito baixo, ou negativo. Mas, em compensação, produz deflação. O preço do dólar despenca. Tem que exportá-lo, emprestado, a juro baixo, mas não fixo, flutuante, para os tomadores ficarem prisioneiros dos credores. O jogo do mercado financeiro, portanto, é exportar dólar barato a juro flutuante para periferia capitalista. Juro tem que diminuir na periferia para desovar excesso de moeda no capitalismo cêntrico. A armadilha da dívida, mais uma vez, está montada para pegar devedor desprevenido. A missão de Obama, portanto, é achar tomador para dólar americano, a fim de evitar que ele se transforme em papel podre. Não são causas internas que estão jogando o juro para baixo, como alardeiam os comentaristas tupiniquins, mas as causas externas, as razões norte-americanas, para proteger sua moeda, atacando moeda dos outros.