Novo presidente de fato

CARA DO NOVO PODER ATÉ 2018?
O mundo político econômico e financeiro se volta para o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, depois da segunda votação, apertada, que livrou o presidente Temer de ser afastado para ser julgado, agora, pelo STF: 251, favor; 233, contra; 25 ausências e 2 abstenções. Na primeira denuncia foi mais folgado: 263 x 227. Resultado: presidente mais frágil no Planalto, sem maioria absoluta na Câmara, onde, ainda, rola pedidos de impeachment contra ele, cuja aceitação popular não passa de 3%. O pessoal do Centrão, que está com a bola toda, por ser maioria, chama Maia de “Meu presidente”. O poder não admite vácuo. Rei morto, rei posto. Brasil, instabilidade pura. O golpe de 2016 segue sem rumo, comandado pelo mercado financeiro, do qual Maia é o porta voz autorizado. Tudo à venda. Nessa sexta feira, tem leilão do pré sal. Os golpistas entregam de graça o petróleo, no momento em que o ouro negro vira lastro de novo poder monetário emergente com a moeda Petro-Yuan-Ouro, para ombrear com o Petro-Dólar, que perde hegemonia. Se o Brasil fosse realmente soberano, estava na hora de virar potência mundial. Mas, o governo está sem rumo dominado pela politicalha incontrolável, entreguista, antinacionalista.

Jeitinho brasileiro

Vai pintar triunvirato: Deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), presidente da Câmara; Senador Eunício Oliveira(PMDB-CE), Senado; Michel Temer, Planalto. Semipresidencialismo de coalizão. Jeitinho brasileiro das elites. A supremacia de Maia é, relativamente, maior, porque tem o poder, agora, da chantagem. Há, ainda, muitos pedidos de impeachment na gaveta. E é ele quem tem prerrogativa de fazer andar ou não as denúncias. O trabuco está na mão dele. Se disparar, mata. Está sob pressão não mais de Temer, mas da base aliada, que deixa de ser de Temer, para ser a dele, sob condições, sempre. Maioria, Centrão, manda no pedaço. Cerca de perto o poder de fato, a base conservadora, movida a emendas parlamentares, que o ex-deputado Cunha articulou para apoiá-lo e levá-lo à presidência da Câmara. Dilma caiu porque não negociou, não com Cunha, mas com essa poderosa base. Não usou o poder da caneta. Se tivesse negociado, dava dois ou três grandes ministérios para aliviar a barra e tocaria em frente o governo até 2018, escanteando tucanos.

Espantalho eleitoral

Ex-presidenta não teve o jogo de cintura de Lula, Tancredo, Sarney, Temer etc. Autoritarismo derrotou-a. O pessoal, naquele momento, esperava dela ação tipo a que tomou, agora, o sábio conservador de direita mineiro do PSDB, deputado Bonifácio: colocaria a culpa da crise na Procuradoria Geral da República, ameaça a toda a classe política. Arrebanharia todo mundo. Mas, águas passadas não movem moinho. E, agora? Temer está fragilizado. Metade dos tucanos votaram contra ele. Não conseguiu maioria absoluta. PMDB rachado tem medo de continuar ao lado dele. Pode dançar na eleição, ao lado de presidente que tem apenas 3% de aprovação popular. O titular do Planalto perdeu força para tocar reformas, puro espantalho eleitoral, como querem os neoliberais radicais de Meirelles. Há pela frente a Previdência Social e o Sistema Tributário. A direita não consegue emplacar o argumento furado de que o déficit fiscal decorre de gastança com aposentados. Mais arrocho em cima deles, para detonar o SUS, como querem banqueiros e seus apoiadores, mídia golpista e comentaristas reacionários, reduz renda disponível para consumo e destruição da arrecadação, sem a qual inexiste investimento. As expectativas negativas se ampliariam e a popularidade governamental cairia a zero ou se tornaria negativa.

Economia tatibitate

Nada mais vantajoso para Lula, que está bombando nas ruas de Minas, nesse momento, mesmo com boicote do poder midiático. A verdadeira reforma governo não consegue fazer, que é a reforma financeira, visto que a Febraban manda no governo, e Maia, no comando da Câmara, é o seu porta voz no Legislativo. A dívida pública caminha para ficar do tamanho do PIB e os juros incidentes sobre ela são absurdos, mesmo com a inflação cadente. O hiato entre o juro, que está caindo, e inflação, que despencou por falta de consumo, garante lucro extraordinário à banca. Favorece especuladores a política macroeconômica que congela gastos sociais, que giram a economia, e descongela gastos financeiros, que afunda produção e consumo. Nesse contexto, tinha que zerar juro, como fazem países ricos, onde nova teoria econômica emergiu, segundo a qual aumento da oferta de moeda em circulação não aumenta inflação e derruba dívida, favorecendo crescimento. Caso contrário economia balança tatibitate. Tornou-se, portanto, difícil reformar a previdência, que não é gasto, mas distribuição de renda, pelo sistema de seguridade social constitucionalmente alcançado pela social democracia de centro-esquerda nacional, depois da ditadura militar. Já reformar o sistema tributário, igualmente, será uma África, porque aquela reforma que precisaria ser feita, jamais ocorrerá, no ambiente em que os poderosos mandam e desmandam. Seria necessário, para fazer justiça fiscal e tributária, taxar os mais ricos, que não pagam impostos, pois fazem uso ilimitado da elisão tributária. Reverter o atual sistema, de regressivo, que ataca os mais pobres, via cobrança de impostos indiretos sobre produtos consumidos pelas massas, para progressivo, via aumento de alíquotas sobre grandes fortunas, taxação de lucros em dividendos, hoje, isentos etc, impossível. Afinal, quem deu o golpe de 2016 contra o PT/Dilma foram esses poderosos. Dariam tiro no pé?

Centrão lulista?

Maia, na cadeira de presidente de fato, na hierarquia do poder nacional, ladeado por Eunício e Temer, tentará o discurso de mudar a previdência, para agradar seus patrões do mercado financeiro, brandindo ameaça de que é isso ou aumento de impostos. Chantagem. O problema é que, desde já, o Centrão, o verdadeiro poder, no Congresso, tem medo das duas coisas, tanto de reformar a previdência, como aumentar impostos. Prejudicar aposentados não dá voto. Aumentar impostos, idem. Uma ou outra opção, bombeia ainda mais Lula, já imbatível segundo as pesquisas. Os golpistas, Centrão e Cia Ltda, apoiados pelos banqueiros, acabarão virando lulistas, conforme pragmatismo eleitoral tupinquim, se a justiça não detonar o candidato petista, que quer um vice empresário mineiro para chegar de novo ao Planalto.