Euforia neoliberal alienante delirante

VAI AÍ UM EMPRÉSTIMO, COLÔNIA?
Mais uma vez, banqueiros internacionais forçam a barra para emprestar aos países já super endividados e enforcados na armadilha da dívida. Sobra dinheiro no mundo depois do crash global de 2008. Os governos ricos encharcaram a praça para diminuir dívida, juros e crise. Depois que sanearam suas bancarrotas, voltam para os devedores, não para emprestarem a juros fixos, baratos, de modo a produzir o mesmo efeito positivo que colherem, a fim de voltarem a crescer. Não, buscam novos tomadores a juros flutuantes. Preparam novas armadilhas. O governo golpista Temer abre as porteiras para esse capital especulativo para que ele compre, na bacia das almas, o patrimônio nacional.

Osmose especulativa

Os economistas neoliberais e os comentaristas que os acompanham, acriticamente, especialmente, na Rede Globo, estão eufóricos com o momento mundial. Dizem eles que está sobrando grana no mundo, que isso é muito bom, que vai facilitar importação, ainda maior, de capital(especulativo, é claro), que a demanda mundial vai aumentar para produtos brasileiros, que o negócio, portanto, é entrar nessa farra, já que os ricos estão crescendo novamente e, por osmose, vai sobrar para nós, também, os pobres etc.

Será?

Primeiro, é bom perguntar porque pinta excesso de liquidez, nesse momento. A história do capitalismo, cheia de armadilha, mostra que a cada onda dessa segue outra,  contrária, contracionista, que pega falsos malandros de calças curtas. O que está acontecendo é nada mais nada menos do que rescaldo do que os mais ricos fizeram para se safarem da grande bancarrota financeira global de 2008 que eles mesmos produziram. Os Estados Unidos – e, na sequência, Europa e Japão – ampliaram oferta de dinheiro barato na circulação capitalista. Com isso, diminuíram juros incidentes sobre dívidas dos governos e das famílias. Se não tivessem feito isso, a vaca teria ido para o brejo.

Neo-teoria imperialista

Os sete anos de Obama foram isso aí, na economia: dívida barata, juros negativos, inflação achatada. Pintou, com isso, nova teorização econômica e monetária nas academias do primeiro mundo: inflação em baixa com aumento da oferta de dinheiro, eis o novo x da questão. O presidente do Banco Central Europeu, Draghi, destacou que os BCs aprenderam a conviver com crises, saindo da ortodoxia. Roberto Campos, o entreguista maior, sempre dizia que inflação é fruto de excesso monetário. Para combatê-la, seca-se oferta monetária e corta-se gasto público, receita para os pobres, sempre, dada pelos ricos. Mas, os ricos, na hora do aperto, em vez de cortarem gastos e enxugarem oferta de dinheiro, fizeram o contrário: aumentaram a oferta de grana e mantiveram ou até aumentaram os gastos. Pimenta no ku dos outros é refresco.

Sobra, por conta dessa nova mágica monetária capitalista, excesso de liquidez monetária, no caixa dos ricos, procurando, na praça global, quem queira tomar dinheiro emprestado. Eles forçam novos empréstimos para os tomadores dos países em desenvolvimento, como sempre. Fazer o que com excesso de dinheiro? Dinheiro é igual a caruncho, tem que carunchar, tem que girar, se não vira papel de parede. Por isso, nesse momento, o que os entreguistas do patrimônio nacional, golpistas, mais pregam é liberação geral: câmbio livre, juros livres, livre mercado. Precisam ajudar ricos a resolverem seus problemas. Os ricos forçarão a barra para emprestar aos incautos a juros flutuantes. Quando sentirem que os tomadores estão abarrotados, sem condições de pagar, puxarão as taxas e enforcarão geral o pessoal.

A história se repete

Isso aconteceu, logo depois do descolamento do dólar do padrão ouro, nos anos 1970, para fugir de déficit fiscal acumulado com a guerra do Vietnan. A moeda flutuou e ficou boiando no ar. A taxa de juros internacional caiu a 2%/4% ao ano, a partir de 1974. Os bancos americanos colocaram nos BCs da periferia capitalista gente deles para eliminar restrições à entrada de capitais. Armínio Fraga, que trabalhava para George Soros, veio ser diretor no governo Collor. Mais tarde, com FHC, seria presidente. Escancarou a porteira. Em 1979, o presidente do BC americano, Paul Volcker, preocupado com a inflação de dinheiro na praça global, produzida pelos bancos de Tio Sam, puxou a taxa de juros de 5% para 25% ao ano. Quem tinha tomado empréstimos a juros flutuantes, como o Brasil, sifu, completamente. Delfim, sempre subserviente aos banqueiros, disse, na ocasião, que a decisão americana visou proteger o ocidente do perigo comunista internacional. Safado.

Posteriormente, o Consenso de Washington, com pleno apoio das elites tupiniquins, sob argumento de que não foram os problemas do excesso de endividamento induzido imperialmente pelos Estados Unidos os responsáveis pela crise, mas o excesso de estado, na economia, viria reclamar enxugamento de gastos, ajuste fiscal etc. Repetiria o que está acontecendo, agora, com os golpistas que colocaram Temer e sua quadrilha no Planalto. O sensacional estudo de Paulo Nogueira Batista(pai), em 1994, historiando primórdios do Consenso, mostram o papel vergonhoso das elites nacionais, na ocasião, capitaneadas por Mario Henrique Simonsen, na formulação do entreguismo geral. PQP!

Visão colonialista

Agora, está de volta a enxurrada de liquidez externa, gerada pela crise global de 2008, enfrentada pelos ricos com aumento da oferta monetária, que respinga para os pobres, gerando falsa alegria dos colonizados economistas e comentaristas tupiniquins, sempre, justificando que as crises são produzidas internamente, pela incúria da gestão interna, do estado inchado etc  e tal, a justificar congelamento de gastos por vinte anos, privatizações e desnacionalizações das estatais etc. Visão colonizada. Já tem muita gente tomando esse dinheiro venenoso outra vez, a taxas de juros flutuantes, porque banqueiro não é bobo de emprestar a juros fixos para colônia.

As mudanças no BNDES, trocando TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo – por TLP – Taxa de Longo Prazo -, equalizando-a com a selic, que é o juro interno flutuante, estão relacionadas a essa nova investida dos especuladores internacionais. Tudo para facilitar desova de liquidez externa sobre os brasileiros, com a aplauso da mídia conservadoria, golpista. Destrói banco de desenvolvimento, transferindo sua liquidez para o tesouro utiliza-la no pagamento de juros e amortizações de dívidas, e equipara a TLP com a selic, favorecendo bancos privados, candidatos, mais à frente, à desnacionalização, se a vaca for pru brejo.

Barbas de molho

Quem parece estar com barbas de molho é Delfim Netto. No seu artigo no Valor Econômico/O Globo, nessa terça feira, mostra-se saudoso de Getúlio Vargas, que fincou bases da industrialização nacional, fortalecidas, com JK, Jango e militares, ao lado dos quais se alinhava, como czar da economia. Goza a cara de FHC, sempre, chamando de magnífico o Plano Real, que entregou a rapadura, mediante sobrevalorização cambial que destruiu as forças produtivas internas e produziu dívida impagável. Não pode falar bem de Getúlio porque dá consultoria para a burguesia industrial e financeira paulista, aliada aos seus sócios internacionais, todos anti-getulistas. A crítica sutil de Delfim a FHC é elogio disfarçado a Vargas, cuja herança os tucanos começaram a destruir, completando a destruição, agora, com Temer e os golpistas, apoiados pelos neoliberais americanos, mestres em pregar para os outros o que não praticam para si.

Trump, no seu discurso na ONU, defendeu nacionalismo radical e propagandeou favorável ao investimento de 700 bilhões de dólares nas Forças Armadas, porque, claro, a indústria de defesa é que puxa, sempre puxou, demanda global capitalista americana. Enquanto isso, Temer alardeou que prioriza combate ao nacionalismo e acelera, ao mesmo tempo, destruição do Plano Nacional de Defesa e da Estratégia de Defesa Nacional, ambos aprovados nos governos Lula, em 2005, e Dilma, 2007. Os militares estão tiririca com ele por conta desse entreguismo sem peias. Até quando?

O fato é que o poder está com o novo Partido Novo, dos banqueiros, que criam fundo de investimento eleitoral, para produzir bancada no Congresso com 100 parlamentares, bancocracia, para governar a partir de 2018. São essas forças que forçam a abertura do Brasil à enxurrada de poupança externa especulativa, no momento, abundante. Ela vai para esse fundo criado por Armínio Fraga, comandado por Gustavo Franco, ambos, por sua vez, supervisionado por George Soros, patrão dos dois. Bancocracia internacional no comando do entreguismo nacional.

Lançamento simultâneo em Portugal: Desordem Mundial e Segunda Guerra Fria