Meirelles-Mercado descola-se de Temer-Quadrilha para vislumbrar Planalto 2018

– Chefe, vou ser sincero. Ficar perto de ti, nessa hora, tá difícil. Sujeira geral. Tô abrindo picadas, lá com o Kassab, com ajuda dos meus amigos do mercado. Vamos manter uma certa distância, uma ambiguidade, porque vai ser bom prá nos dois, tá certo?
– Pô, cara. Logo, na hora que mais preciso de você, para surfar no crescimento…
– Deixa eu faturar essa. Não dá prá nós dois..
– Que conversa mole é essa, meu?
– Deixa comigo. Afinal, sem meus amigos, cê tá lascado.
– PQP, Meirelles! E sua ligação com o Joesley? Isso tá mal contado.
– Calma, chefe, calma…

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que comanda programa econômico neoliberal, sintonizado com Washington, congelando gastos primários para sobrar mais dinheiro para pagar credores, fragilizando geral, com isso, a arrecadação, com avanço do subconsumismo, ao mesmo tempo em que barateia ativos nacionais, joga, politicamente, para se descolar do desprestígio do presidente Temer, produzido pela política econômica dele, além do desgaste gerado por mais uma denúncia de Janot, no seu último ato como procurador.

De olho no Planalto em 2018, Meirelles tenta comprar, claro, a peso de ouro, o PSD, alinhando-se a Kassab e seu corolário conservador, na linha do Centrão, para sair candidato, ano que vem.

Por enquanto, tudo é nebuloso.

Os kassabistas sabem que se trata de miragem.

Primeiro, Meirelles precisa acertar na economia, que se encontra parada, embora a grande mídia se esforce para fazer crer o contrário.

Comentário econômico do Cândido de Voltaire, Sardenberg, hoje, cedo, na CBN, por escrito, expressa miragem dele, dando de barato que o carro saiu do atoleiro e pegou asfalto novo, para sair em velocidade.

Torcida pura, disfarçada.

Basta ler artigo do economista Luciano Coutinho, no Valor Econômico, na quinta, para ver o vazio da euforia do comentarista.

A dívida pública, perto de R$ 3 trilhões, embalada pelo juro mais alto do mundo, não deixa o Brasil crescer.

Todo dinheiro disponível, que seria indispensável alocá-lo aos fundos de investimentos, para tocar infraestrutura, na construção de País novo, dinamizando-o, é direcionado para pagar juros e amortizações da dívida.

Previsões dos especialistas dão conta de que, em 2018, a razão dívida/PIB estará na casa dos 80%; em 2020, 90%.

Não será possível desenvolvimento sem equacionamento desse endividamento, no ambiente recessivo, inclusive, e principalmente, por meio de auditoria.

Desindexar a dívida da selic, ou seja, dos juros, o que representa renegociação dela, é fundamental, ao lado de uma reforma tributária, visto que juro e imposto nas nuvens, como é o caso brasileiro, são dose para leão, receita certa para parar Brasil.

Trata-se de evidenciar o que está sendo escondido pelos meios de comunicação, isto é, a dívida submetida aos juros sobre juros(anatocismo), se retroalimentando de si mesma.

Um monstro insaciável.

De 2005 a 2013, ocorreram superavits primários(receitas menos despesas, exclusive juros) anuais médios de 3,5%.

Porém, incluídos pagamentos de juros, os superavits se transformaram em déficits nominais superiores a 5%, no mesmo período.

Não são os gastos primários, sociais – renda disponível para o consumo, que alimenta produção, emprego, arrecadação e investimentos -, os responsáveis pelo déficit público, mas, sim, o contrário, a despesa nominal dos juros, dinheiro que esteriliza a economia.

O deficit público cantado em prova e verso pelo poder midiático conservador advém do excesso de juros, embalados pelo anatocismo inconstitucional(juros sobre juros, juros compostos), condenado pelo Supremo Tribunal Federal, Súmula 121.

A dívida + juros come 45% do Orçamento Geral da União, de R 2,6 trilhões, realizado em 2016; Previdência Social, 27%; previdência é gasto que retorna em consumo, em imposto, não é déficit; já a dívida escorrega pelo ralo; não dá retorno algum; só preju.

Há, inegavelmente, uma fuga  conveniente dos comentaristas, como Sardenberg, para não encarar a realidade.

Meirelles e sua ambição de conquistar o Planalto sabem bem que a economia não vai sair do atoleiro em que se encontra puxando os próprios cabelos.

Maior empecilho: a estratégia econômica baseada no congelamento dos gastos primários, para sobrar mais para a dívida, enquanto os ativos nacionais vão se desvalorizando, no ritmo do deficit nominal, não avaliado como produto dos juros sobre juros, gerador de estragos, especialmente, na Previdência Social.

Claro, com o deficit nominal, o sistema previdenciário afunda, porque a taxa de desemprego não recua e a previdência é função da taxa de emprego, barrada pelo congelamento econômico glacial.

Temer, nesse contexto, no qual é acrescentada sua desmoralização política, como acusado de comandar, junto com Geddel, Moreira, Padilha, Jucá etc, o chamado, pela Polícia Federal, “quadrilhão” do PMDB, só contribui para atrapalhar as pretensões políticas de Meirelles, que conta com a forçação de barra da mídia conservadora, sua aliada, no sentido de que a economia vai de vento em popa.

Sem essa mãozinha midiática, a candidatura do titular da Fazenda não decola de jeito algum.

Daí sua ansiedade em se descolar de Temer, que fica puto da vida com essa esperteza política meirelliana de se aproximar do PSD de kassab e cia ltda.

O jogo de Meirelles é a própria tentativa do mercado, inseguro, de fugir da impopularidade crescente do presidente ilegítimo, aliando-se à mentira de que a economia se recupera vigorosamente.