JURO BC ENTREGA BRASIL DE BANDEJA

LIQUIDAÇÃO TOTAL. É SÓ CHEGAR E LEVAR.

POR QUE O GOLPE 2016?

A discussão, no momento, sobre economia mundial, rola em torno do descolamento entre crescimento e inflação, depois da crise especulativa mundial de 2008. No mundo capitalista desenvolvido, os bancos centrais, depois da bancarrota especulativa, jogou a taxa de juro para a casa dos zero ou negativa. Derrubaram, assim, dívida e inflação. Permitiram, consequentemente,  volta do crescimento econômico anual de 2,5%, 3%, ao ano, segundo estimativa do FMI. No Brasil, vigora o oposto: juro de 8,5%, que exerce função fundamental de acelerar entrega de ativos a preço de banana. Se o investidor pega capital a juro zero ou negativo, lá fora  e aplica aqui  a 8,5%, nominal, 6% real, descontada inflação de 2,5%, 3%, vai comprar patrimônio baratíssimo. Brasil na bandeja do garçom Michel Temer. Enquanto isso, a economia, sem poder competir, dados custos elevados de produção, afunda-se na recessão e no desemprego, formal e informal, alcançando patamar superior aos 20%.  Só dá para ser competitivo na exportação de produtos primários. O Brasil é agro. É a reprimarização econômica colonial total. Trata-se de transferência acelerada da riqueza nacional aos investidores internacionais. Sem poder concorrer com produtos manufaturados, com alto valor agregado, que, realmente, eleva potencial  econômico, Brasil vai na contramão do mundo, amassando barro.

RECEITA É NÃO PAGAR DÍVIDA

O BC, comandado pela banca privada, segue receita econômica velha, deixada para trás pelos países do primeiro mundo, Estados Unidos, Europa, Japão, China etc. O jogo da oferta e da demanda, no contexto de combate à inflação, está sob questionamento. Se a oferta aumenta, os salários sobem, os preços idem, comportamento tradicional. Para evitar descontrole, aciona-se juros altos, para conter consumo. Se a demanda é baixa, faz-se oposto:  juro para baixo, para aumentar oferta, de modo a pressionar, para cima, preços, bombeados por salários inflacionados, graças ao aumento da concorrência no mercado de trabalho. Consumo sempre aquecido. A crise especulativa revirou tudo de cabeça para baixo. O governo, para evitar corrida dos especuladores aos títulos do governo a preço altos, descolados da produção e consumo, ampliou, barbaramente, oferta monetária. Os títulos não tiveram valorização, mas garantiram detentores de ativos. A inflação desabou, desvalorizando dívidas e mercadorias. Quase uma década depois da bancarrota de 2008, os mais ricos estão crescendo forte no segundo trimestre do ano, puxando, inclusive, o Brasil. Simultaneamente, a revolução tecnológica, que poupa mão de obra e eleva exponencialmente a oferta, derruba preços, mesmo que o mercado esteja aquecido, condição para os preços subirem. Adeus pressões inflacionárias. Qual a nova receita? Diz Draghi, presidente do BC europeu: mais oferta monetária. Evita-se descolamento da produção para especulação, com calote na dívida via juros negativos. A velha solução keynesiana , + dinheiro = aumento de preços, redução de salário, diminuição de juros e perdão de dívida de capitalista contraída a prazo, deu lugar a outra alternativa relativa: + dinheiro em circulação = inflação, salários, juros e dívida cadentes. Tudo para evitar bancarrota da produção e, consequentemente, desemprego. O novo jogo é manter negativa a dívida pública, a qualquer custo, mediante oferta monetária sem limite, se precisar. O fulcro da nova política econômica é o calote no endividamento público. Até quando? Só Deus sabe. A receita é não ter receita fixa, mas maleável. No Brasil, ocorre o oposto: os preços caem, não porque a oferta aumenta, com revolução tecnológica, que derruba preços, mas porque o juro absurdamente alto capa o consumo. Sem consumo, o governo não arrecada, portanto, não investe. Burrice tupiniquim em alta, enquanto as empresas são desnacionalizadas. O golpe político de 2016 serviu para isso: desnacionalizar barato os ativos nacionais e destruir o Estado via subconsumismo.