Trump quer dar golpe na Constituinte para afastar Rússia e China na América do Sul

Com Constituinte, Maduro abriu novo caminho político na América Latina contra os golpes , tipo o que aconteceu no Brasil, manipulados pelos Estados Unidos. Trump, agora, quer intervenção militar, para afastar do continente russos e chineses, que avançam em todas as direções. Mas, esse super-democrata do norte para inglês ver não tinha dito, em campanha eleitoral, que, com ele, encerraria a era de intervenções militares americanas pelo mundo afora? O império vive de mentira, enganação e violência. Ele está disseminando, com essa iniciativa, novas Cuba pelo continente.

NOVA GUERRA FRIA

O novo poder que avança sobre a America do Sul e que deixa atormentado Tio Sam predisposto a dar golpes a torto e a direito.

A América do Sul, no século 21, virou campo de guerra fria entre Estados Unidos, de um lado, e China e Rússia, de outro.

“A Desordem Mundial – O espectro da total dominação”, título do livro do professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, dá um panorama lúcido sobre o que está acontecendo e o que está por acontecer.

O continente sul-americano, eterno quintal de Tio Sam, na sua tarefa de inviabilizar independência econômica, política e social, por essas bandas do mundo, virou alvo preferencial da Eurasia, capitaneada por Rússia e China.

Por meio dos BRICs, chineses e russos cuidam de instaurar novo sistema monetário internacional e ampliar investimentos na América do Sul, onde as oportunidades para expansão do capitalismo são imensas.

Por aqui, tudo, ainda, está por fazer, ao contrário do que acontece na Europa e nos Estados Unidos, onde tudo já está pronto.

Construção da infraestrutura continental, na linha configurada no primeiro capítulo da Constituição brasileira, que determina esforços gerais e prioritários na integração econômica do continente, eis no que os grandes capitais do mundo estão de olho.

RESERVAS CHINESAS COMPRAM TUDO

A Constituinte de Maduro é projeto geopolítico estratégico de Chavez somente possível de emplacar com apoio dos russos e chineses, sem os quais não teria força para suportar pressão de Tio Sam.

Com 4 trilhões de dólares de reservas, em dólares, os chineses não querem outra coisa senão avançar firme e decididamente sobre ativos sul-americanos.

Desovam, por aqui, os dólares acumulados, antes que eles se desvalorizem numa nova crise mundial especulativa.

Estão comprando hidrelétricas, bancos, construindo estradas, ferrovias, aeroportos, abocanhando grandes empresas, por meio de compra de ações nas bolsas etc e tal.

A voracidade chinesa não tem limite.

A Rússia, por sua vez, avança no campo da segurança continental, mediante parcerias com os governos, para financiar renovação de frotas de submarinos, foguetes, aviões, tanques, investimentos em inteligência, cibernética etc.

O Banco BRICs, cujo comando, hoje, está, praticamente, nas mãos dos russos e chineses, faz parceria monetária com diversos países asiáticos, ao largo do dólar.

Trocas de moedas em ampliação crescente no comércio, com Índia, Austrália, Tailândia, Vietnan, Indonésia e, também, África, eis o que está na ordem do dia.

Avançam, tanto os chineses, como os russos, no Oriente Médio, para estabilizar a guerra, o que já está acontecendo com o arrefecimento do conflito na Síria, porque os russos chegaram lá, para valer, estando com suas tropas às portas de Golan.

SUSTENTÁCULO A MADURO

– Querida Dilma, se você tivesse se aliado ao general Villas Boas, fazendo ele ministro da Defesa, o golpe não teria rolado. Já pensou ele fazer um discurso contra a armação golpista do congresso e do judiciário contra você, em defesa da continuidade do processo democrático?
– Meu caro Lula, acho que você pode ter razão. Tínhamos todas as condições de tê-los do nosso lado. Como disse um analista aí, se a esquerda não atrai, a direita vai e faz o serviço.

Na América do Sul, China e Rússia se transformaram no maior sustentáculo ao presidente Maduro, ameaçado por Trump, algo que assustou até os golpistas do Itamarati.

O objetivo de Tio Sam é claro: impedir avanço político e econômico soberano continental.

Mas, não está fácil montar essa barreira.

Trump, com sua diplomacia do porrete, nada mais é do que tentativa de reação à perda de concorrência para os chineses, primeiro, dentro dos próprios Estados Unidos, segundo, nos outros mercados.

Na América do Sul, mesma coisa.

A semente libertária de Chavez, com o socialismo bolivariano, representa o esquema político chinês: estado forte, para amparar o capitalismo venezuelano, a partir do apoio financeiro do petróleo, mas controle social das riquezas, como se desenha, politicamente, a Constituinte, com avanço da democratização do poder.

A proposta Lula-Dilma, que vinha sendo implementada no Brasil era isso aí: maior distribuição da renda, via aumento do salário mínimo, fortalecimento de programas sociais, inclusão social dos miseráveis, cujos resultados foram formação de mercado consumidor de 40 milhões de pessoas, emergência de classe média.

GOLPE NO BRASIL ALERTOU VENEZUELA

General nacionalista, crítico do mercado financeiro, que deu o golpe, foi minimizado pelos petistas, na hora H.

Se pintasse Constituinte no Brasil, como na Venezuela, a burguesia financeira tupiniquim, que deu o golpe, não teria condições de fazer o que está fazendo: privatização das reservas de petróleo, transferência, para Estados Unidos, de empresas subsidiárias da estatal petrolífera, em associação com capital privado, como a Braskem, destruição das conquistas sociais, com contrarreformas da previdência e trabalhistas etc.

As bases da construção do estado nacional, inauguradas com a revolução de 30, Getúlio à frente, estão sendo destruídas, sistematicamente, porque, sobretudo, despertam consciência política para defesa da soberania nacional mediante democracia participativa.

A Constituinte, com Maduro, remove, do Parlamento, na Venezuela, a representação, meramente, formal, da burguesia financeira, do poder, que articulava, com Washington, a destruição da democracia bolivariana.

O golpe de Tio Sam, no Brasil, com apoio decisivo de legislativo, judiciário e grande mídia corruptos, despertou os venezuelanos sobre o que os esperava, na sequência da derrubada de Dilma Rousseff por crime de responsabilidade sem comprovação para justificá-lo.

ALIANÇA COM FORÇAS ARMADAS CONTRA GOLPE

Lucidez da inteligência brasileira para mostrar pra onde vai o capitalismo de guerra.

Se o PT – Lula/Dilma – tivesse ligação mais orgânica com os nacionalistas das forças armadas, como acontece com Maduro e os militares venezuelanos, o golpe, por aqui, não teria emplacado.

Afinal, as bases do desenvolvimento nacionalista soberano foram garantidas por Lula e Dilma, no Plano Nacional de Defesa e na Estratégia de Defesa Nacional.

Ambos foram aprovados no Congresso, em 2005 e 2007, com ampla participação das Forças Armadas, avalistas dessa estratégia geopolítica que julgam indispensáveis.

A Constituinte, na Venezuela, é a expressão dessa força governo/forças armadas, contra os golpes de Tio Sam, algo intrínseco à sua natureza de império.

O fato novo, portanto, na América do Sul, é que ao lado das artimanhas golpistas da Casa Branca, têm-se, agora, no continente, outros atores poderosos, como Rússia e China, predispostos a fortalecer forças contrárias ao domínio incontrastável de Washington.

Essa força nova da Eurásia dispõe de poder real para enfrentar sistema monetário ancorado no dólar, fragilizado pela excessiva oferta de moeda americana, no mundo, que mantém capitalismo global em permanente instabilidade monetária, pronta para explodir, por meio de excessivas especulações, como aconteceu em 2008.

O espectro do estouro global, sob sistema monetário dolarizado/bichado virou uma constante que os adversários poderosos de Tio Sam, russos e chineses, em parceria geopolítica estratégica, exploram, confiantes de que a força da moeda americana não pode mais fazer o que bem entende, no mundo multipolar.