Semipresidencialismo, ditadura disfarçada

NOVO GOLPE EM MARCHA, ARTICULADO ENTRE EXECUTIVO, LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO, PARA EVITAR ELEIÇÕES E MANTER POPULAÇÃO SOB DITADURA SEMIPRESIDENCIALISTA. FARSA PARLAMENTARISTA QUE DISPENSA CONSULTA AO POVO, QUE JÁ SE PRONUNCIOU DUAS VEZES CONTRA TAL INICIATIVA.

Semipresidencialsimo é tentativa de impor parlamentarismo sem consultar a nação. Os que estão articulando isso sabem que o povo pode recusar pela terceira vez a proposta parlamentarista. O Congresso aprova por maioria qualificada em dois turnos e o resultado é submetido a plebiscito ou referendo. Em 1963 e 1993, o povo foi chamado a pronunciar-se e votou contra. Agora, a tentativa semipresidencialista, nascida nos porões do golpismo constitucional que vigora, desde 2016, precisaria, para ser aprovada, do mesmo quorum qualificado, porém, a consulta popular seria dispensada. Ou seja, tentam fugir do teste das urnas. Outro golpe. A lógica dos golpes é prosseguir nos golpes. Sem novos golpes, os golpistas não têm futuro. Ressalte-se que pressuposto essencial do parlamentarismo, que necessita do julgamento do povo, é existência de partidos fortes e organizados, com grande enraizamento ideológico, na população. É o que se verifica nos regimes parlamentaristas das democracias tradicionais, nos países capitalistas desenvolvidos. No Brasil, porém, os partidos considerados fortes, como PMDB e PSDB, enfraqueceram-se, ao participarem do golpe de 2016. Por isso, temem disputar eleições e inventam expedientes para fugir de consultas populares, ao fugirem de eleições diretas e até indiretas, como seria a opção pelo parlamentarismo, cuja implementação requer plebiscito/referendo. O semipresidencialismo prospera, apenas, como golpe, no ambiente de desmoronamento partidário do presidencialismo de coalizão/cooptação. Não estão mais em condições de promoverem ajuntamento partidário de ocasião, para ter acesso a fundos financeiros e disputar espaço em horário eleitoral. Assim, com estrutura partidária em bancarrota, o parlamentarismo tupiniquim não pararia em pé.

GOLPISTAS MORREM DE MEDO DO POTENCIAL ELEITORAL DE LULA QUE ANDA NO NORDESTE, NESSE MOMENTO, LEVANTANDO MULTIDÕES, COM APOIOS INCRÍVEIS E CENAS EMOCIONANTES, COMO ESSA DO ENCONTRO DELE COM O SENHOR FINHO, 92, EM NOSSA SENHORA DA GLÓRIA, NO SERTÃO SERGIPANO.

Por que então o semipresidencialismo, sem consulta popular, senão para esticar a ditadura em vigor, em que os golpistas aproveitam para acelerar desmonte do estado e entrega do patrimônio nacional, de forma acelerada e sem consulta ao povo, como se arma, nessa semana, a venda, a toque de caixa da Eletrobras? A nova proposta do governo ilegítimo, não por acaso, emerge, enquanto se discute novo modelo eleitoral, para tentar emplacar o chamado DISTRITÃO. Trata-se, justamente, do oposto ao que deve vigorar em regimes parlamentarista ou semipresidencialista. Com DISTRITÃO, os partidos são, praticamente, extintos. São eleitos os que, independentes de agremiações partidárias, possuem muito dinheiro, para sustentar propostas políticas individualistas e caras, longe do alcance dos demais concorrentes. Negação da democracia. Prospera, com DISTRITÃO, fundos públicos partidários que contemplam, apenas, os poderosos. A elite parlamentar brasileira, que arma esse novo e antidemocrático modelo eleitoral, quer, contraditoriamente, um sistema de eleições sem partidos que não para em pé se os partidos fortes inexistirem. Está dando se suicidando. Tremendas incoerências que emergiram com o processo golpista que fragiliza a democracia e, por tabela, a economia, carente de base para gerar expectativas positivas nos investidores, visto que a impopularidade e descrédito dos ilegítimos donos do poder mantêm, dialeticamente, a instabilidade política crescente, da qual o capital tem medo e foge. É o preço do semipresidencialismo, erva danina na lavoura política tupiniquim.