Sartori combate déficit caloteando dívidas

SOLUÇÃO GAÚCHA PARA GERAR EQUILÍBRIO FISCAL: GASTAR PARA ARRECADAR
Sartori, governador gaúcho, abriu a porteira do calote da dívida, como alternativa para fazer ajuste fiscal heterodoxo, já que a ortodoxia é economicídio. Parou de pagar para ter dinheiro para os salários dos servidores. Com dinheiro no bolso, eles vão ao consumo, que produz arrecadação, sem a qual não se investe e não se produz para pagar dívida. Suspender pagamento de dívida, saída para o ajuste fiscal. Afinal, as metas não estão sendo alcançadas porque não se tem arrecadação tributária, destruída pelo ajuste fiscal sob congelamento neoliberal fascista.

Miriam Leitão, com ares de sabedoria, comenta na CBN que teto de gastos é uma coisa, meta fiscal é outra. Não foi possível alcançar a meta(R$ 139 bilhões) fixada por Meirelles, diz ela, porque a arrecadação tributária está caindo seguidamente. Mas, a notável comentarista da Globo não disse porque a arrecadação cai. Evidentemente, minha cara, porque o teto é irreal. Não vende ao empresário o que ele necessita como o ar que respira: expectativas positivas, sem a qual seu negócio naufraga. O congelamento dos gastos públicos previsto para durar duas décadas é uma jabuticaba brasileira. Inibe criatividade do capitalismo. Não existe isso em nenhum lugar do mundo, capitalismo que suporta pré-condições rígidas, porque sua essência é buscar sempre oportunidades lucrativas para acumular capital. Qualquer constrangimento a sua ação estará fadado a fracassar. A propriedade privada, no regime de metas fiscais, mediante teto fixo de gastos, não se desenvolve. Afinal, tem-se teto de chumbo sobre sua cabeça estabelecida pelos gênios do equilibrismo econômico esquizofrênicos, esquecidos de que capitalismo é essencialmente desequilíbrio. O Congresso brasileiro, sem visão nenhuma, apenas, treinado para a obedecer acriticamente, desdenhou o que é essencial na economia: o jogo de pressões políticas. Virou anti-congresso. As bases eleitorais do governo ultra-conservador, irreal, porque o presidente abandonou pressupostos políticos para governar, vomitaram a meta fiscal incompatível com teto irreal. Este somente pode crescer no limite da inflação registrada no ano anterior. Mas, o que é inflação, a não ser correlação de forças manejada pelo capital sobreacumulado para extrair renda dos trabalhadores, cujas consequências são crônicas insuficiências de demanda global que resultam em esfriamento econômico e quedas sequenciais de arrecadação, como está se verificando, no momento?

CONGELAMENTO FISCAL, ESTRATÉGIA NAZIFASCISTA
A obsessão de Temer/Meirelles por metas fiscais rígidas sob congelamento neoliberal previsto para durar duas décadas leva o país aceleradamente para o fascismo. Delfim já está pedindo lei para acabar com greves.

Espremeu-se a inflação até virar deflação cujo resultado foi aumento de estoques que derrubaram preços por falta de consumidores. Receita de fixação de teto que inviabiliza arrecadação. Teto tem tudo a ver com meta, cara Miriam. Se se flexibiliza teto, abre-se espaço para negociações políticas, a essência do jogo econômico. Se se mantém rígido o teto, dá no que se vê aí, impossibilidade de cumprimentos de metas. O que é mais adequado, viável e razoável: sustentar o impossível, metas irrealizáveis, mediante tetos fixos ou flexibilizar tetos para viabilizar metas? Metas sem arrecadação não se realizam e arrecadação ascendente se realiza com flexibilização de metas. O governo tem que flexibilizar seus gastos para ter mais arrecadação. Afinal, de cada R$ 1 que joga na circulação, arrecada, de imposto, R$ 0,40. Se não gasta, ou seja, se não amplia teto, não se atinge meta. Jogo dinâmico, dialético, anti-mecaniscista. Miriam, ainda, está no século 19 de Augusto Conte, que pensava com cabeça de Descartes, segundo o qual a realidade é um relógio marcando horas. A obsessão por metas, que se verifica no jornalismo econômico brasileiro, virou bombeador de comportamento fascista. Delfim Netto, por exemplo. O surto de fascismo baixou nele. Em sua coluna no Valor, hoje, prega lei que acaba com direito de greve. O trabalhador não pode defender mais seus direitos, a partir da conquista histórica expressa na lei de greve existente nos países capitalistas desenvolvidos. Não pode reagir, apenas, abaixar a cabeça para as metas. O velho economista demonstra que o cachimbo deixa a boca torta, mesmo. Quer a volta do ambiente no qual reinou, ditadura, expressão acabada do jogo econômico ancorado em tetos que tentam sustentar metas irrealizáveis no ambiente democrático. O cara quer o fim da democracia. Rasgou a máscara. Em pleno nazismo, Hjalmar Schacht, mago das finanças de Hitler, chamou os credores e pediu flexibilidade nos tetos de gastos para a Alemanha cumprir. Flexibilizaram-se as metas, o país pode produzir mais e incrementar suas receitas no comércio exterior, na escala necessária capaz de liquidar débitos. Schacht fez o que o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori,  passou a fazer: suspender pagamento de dívidas ao governo, escravizado por bancos. Pegou o dinheiro e priorizou pagamento de salários aos servidores.  Consumindo, giram a economia, elevando arrecadação, com a qual Sartori poderá, mais aliviado, liquidar seus papagaios, investir etc. O congelamento de gastos de Temer/Meirelles é espécie de Tratado de Versailles: inviabiliza o país e cria o ambiente para a guerra civil nazifascista. O exemplo de Sartori pode espalhar como fogo de paiol na Federação de estados e municípios falidos.