Rollemberg dá um tranco em Temer

– Ô bicho, seguinte: se não sair grana, o pessoal vai descer pra Esplanada. Ai você vai ver o que é, realmente, o povo de Brasília, no seu pé, tá sabendo?
– Heim!!! Quanto é mesmo que cê tá precisando, amizade?

GDF X PLANALTO

Certa vez, o senador petista marxista Lauro Campos, tempo do governo neoliberal equilibrista de Cristovam Buarque, disse, para o pessoal do Setor de Limpeza Urbana(SLU), em estado de greve, o seguinte:

– Olha, gente, se não sair o salário de vocês, faz o seguinte: deixa o lixo acumular na porta das embaixadas.

– O dinheiro desse neoliberal entreguista FHC sai na hora, ou vai ser escândalo mundial.

– Os embaixadores se deslocarão para o Planalto, pedindo pelamor de Deus prá tirar a fedentina e a mosquitada das calçadas.

Tiro e queda.

Cristovam, que naquele tempo era estruturalista e não neoliberal, como hoje, cheio de teorias equilibristas, para agradar banqueiros e a Rede Globo, os únicos que têm acesso fácil ao caixa do tesouro nacional, deu pressão em cima do tucano emplumado.

Apareceu o cacau.

E a greve, que o líder dos vigilantes, Chico, o próprio, hoje deputado distrital, comandava, foi desativada.

Roriz, que, politicamente, era muito mais sábio do que Cristóvam, nunca brincou com salário do servidor.

Deu uma surra eleitoral em Cristóvam, porque este, na reta final de campanha eleitoral, para tentar reeleição, negou-se a atender demanda dos professores, em nome de equilibrismo orçamentário neoliberal.

Roriz bancou a promessa e ganhou disparado.

Incompetente, o ex-reitor, hoje, senador, perdeu eleição com o caixa cheio de dinheiro.

LUTA DE CLASSE

Falar que falta dinheiro é heresia.

Trabalhador organizado, focado na luta de classe, fica mais forte.

Veja que Temer não deixou cair, para os políticos de sua base eleitoral.

Estava pendurado na broxa, sem escada, diante da denúncia de Janot, louco para levá-lo ao julgamento no Supremo Tribunal Federal(STF), por corrupção passiva.

Conseguiu se safar, lançando mão das emendas parlamentares.

Foram R$ 14 bilhões.

Ou seja, 52 vezes mais que o total da folha salarial que vence até o quinto dia útil de cada mês, no DF.

O PSG, que pagou R$ 800 milhões pelo craque Neymar, desembolsou quase 4 folhas salariais mensais do GDF.

Temer não titubeou, para livrar seu pescoço da guilhotina.

PICADO, NÃO

O Planalto enfrentaria massa de servidores barulhenta, se o salário saísse picado, como cogitava o Buriti, achando que dava prá enrabar o pessoal.

Pagou, pressionado, a dívida aos trabalhadores.

Para quem, como Temer, não pode sair do Planalto, porque sua taxa de rejeição popular beira 95%, segundo diversas pesquisas, movimento de servidores sem salários poderia ajudar a derrubá-lo, fazendo escarcéu dos diabos.

Dinheiro não falta.

Está é mal distribuído.

Do total do Orçamento Geral da União(OGU), de R$ 2,6 trilhões, realizado, no ano passado, 44% , R$ 1,14 trilhão, foram destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida federal.

Falam que o buraco maior é da previdência social, culpada do déficit público.

Papo furado.

A PS custa 22,47% do OGU; Transferências para Estados e Municípios, 10,21%; Saúde, 4,17%; Segurança Pública, 0,39%; Defesa Nacional, 1,72%; Educação, 3,34%; Saneamento básico, 0,04%; Ciência e Tecnologia, 0,38%; Habitação, 0,01%; Assistência Social, 3,15%  e por aí vai.

CONGELAMENTO GLACIAL

O congelamento neoliberal de Temer, previsto para durar 20 anos, reajustado, apenas, conforme inflação do ano anterior, vale , tão somente, para as despesas não-financeiras, ou seja, para os gastos sociais, enquanto ficam de fora do ajuste as despesas financeiras, a grana que vai para pagar os credores da dívida.

Cortam os gastos que produzem arrecadação, pois, essencialmente, são investimentos(saúde, educação, segurança, infraestrutura, saneamento, cultura etc, geradores de renda disponível para o consumo).

Gasto no social é investimento, investimento é gasto.

Dialética.

A prioridade de Temer e sua turma neoliberal, ao contrário, não é o social, é o especulador.

Com ele, esteriliza-se dinheiro.

Trata-se de gasto que não se reproduz socialmente.

Pura agiotagem.

Cristovam, por exemplo, equivoca-se quando barbeira, intelectualmente, dizendo que salário de servidor é gasto e não investimento.

Que faz o servidor com seu salário?

Vai ao supermercado comprar mercadorias, pagar aluguel, abastecer o carro etc.

Uma parte do salário retorna, para o caixa do tesouro, como imposto de renda.

A outra, igualmente, vira tributo, cobrado no ato de consumir.

Gasto é arrecadação, arrecadação é gasto.

O que não é investimento e o que não é tributo, mas, apenas, renda especulativa?

O que vai para o bolso de banqueiro, que fica livre de qualquer ajuste.

É favorecido pelo art. 166, § 3º, II, b da Constituição: contingenciamento é proibido sobre gastos financeiros(banqueiros).

Já contingenciar gastos não-financeiros, despesas sociais que viram arrecadação para o governo, com a qual realiza investimento, pode.

Rollemberg falou grosso com Temer: não transferir R$ 265 milhões de dívidas previdenciárias do tesouro nacional para com o tesouro do GDF é tocar fogo no palheiro.

Cai a renda geral, na capital, disponível para o consumo.

Ampliação do desemprego, da fome, da miséria e do caos social.

O Planalto, com medo da massa na Esplanada, rendeu-se ao Buriti.