FRENTE FAVELA BRASIL 2018

REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA RACIAL
Pode arrebentar a boca do balão nas eleições de 2018. Hoje, o partido dos favelados, favelistas, como destaca o seu criador, Celso Athaydes, empresário e agitador cultural, que não quer fazer carreira política, mas dar pontapé em movimento político de grande envergadura, essencialmente, comprometido com grandes transformações sociais, ingressará pedido de registro partidário na Tribunal Superior eleitoral. Em seguida parte para a caminhada legal de construção do partido, criado em 2016, de alcançar 5% do eleitorado, registrado nas últimas eleições, e mobilizar adeptos. A expectativa é de obter 5 milhões de assinaturas, para entrar de sola na disputa eleitoral, no próximo ano. Os favelados representam 25 milhões de moradores, segundo o IBGE. Pensam alto: democracia direta, democratização real de poder, arregimentação das massas de negros, pardos, índios, pobres em geral, que correspondem a 54% da população. Querem fazer história. Desde a abolição da escravidão, os negros não têm vida política própria. Os demais partidos abrem as portas para eles, de mentirinha, porque na hora do vamos ver, nas questões substantivas, ficam de fora das decisões. O objetivo é o protagonismo político decisivo, no Congresso Nacional. Ideologicamente, como diz Athayde, FRENTE FAVELA BRASIL não é de esquerda nem de direita, mas reconhece que foi Lula, o PT, quem abriu aos negros e pardos as possibilidades de serem protagonistas efetivos. Então, tem um pé na esquerda, mas anseiam seguir seu caminho, com a ética dos pobres e oprimidos, em que espírito de solidariedade se fortalece pela exigência da própria realidade de sentir socialmente excluído, sem o qual se tornam órfãos, condição em que se eternizam por serem, até hoje, politicamente desorganizados. Os golpistas de 2016 podem colher tempestades, com a emergência de negros e pardos conscientes do ponto de vista de classe para defender seus direitos secularmente desrespeitados.

GRITO DE LIBERTAÇÃO

Celso Athaydes: por que 54% da população ainda não se organizaram para participar do jogo democrático brasileiro? O golpe político parlamentar jurídico midiático despertou a massa de negros e pardos para a grande batalha democrática de 2018.

O pessoal mais sucateado da vida brasileira dominada por uma elite que não está nem aí para os pobres, pois só pensa em alienar o patrimônio nacional ganhando uma comissão na transação, como faz a turma do Planalto, produz a novidade democrática mais vibrante, nesse momento, com essa proposta político partidária de criação do partido dos favelados, como informa o Valor Econômico, nessa quarta feira.

Os socialmente excluídos por modelo econômico concentrador de renda e poupador de mão de obra, responsável por colocar 70 milhões de pessoas sem ocupação, no ambiente econômico nacional, partem para a luta: construir com suas próprias forças, inteligência, determinação e disposição de classe, seu destino por meio da criação do partido dos favelados.

É a tomada de consciência de si para si por si mesmo em movimento dialético de organização político-democrática.

Se tem grupos de interesses de todos os tipos no Congresso que se revelou, no golpe de 2016, dominado pelo mercado financeiro, para fazer as antirreformas que interessam aos seus integrantes, essencialmente, especuladores, por que não ter, também, o dos favelados, para defender, exatamente, o contrário do que impõem, historicamente, as elites e seus partidos conservadores, hoje, no poder por meio de golpe parlamentar-jurídico-midiático?

Amontoados nas favelas, como lixo, por não caberem na organização social articulada pelos donos do poder do dinheiro concentrado de forma extraordinária para formar uma classe social diminuta que faz confundir seus interesses mesquinhos com os da maioria, os socialmente excluídos desistiram de esperar.

ÉTICA DO OPRIMIDO

Por que os ruralistas conseguem ter suas demandas atendidas? Por que o mesmo acontece com os evangélicos? Também, os favelados querem o mesmo com o poder da sua representação. A cara do Brasil está mudando depois que, com o PT, no poder, os negros, pardos, índios etc, conseguiram ascensão social irresistível, conquista da qual não abrem mão mais.

Vão no embalo da canção de Vandré: quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Um congresso com representação forte dos negros, pardos, pobres, paritariamente, organizados, no jogo democrático representativo parlamentar, correspondendo voz de 54% do total da população, em suas demandas econômicas, sociais e políticas, conferirá à realidade a expressão do seu próprio colorido espiritual e material, em movimento mais acelerado de transformação quantitativa e qualitativa do cenário político nacional.

A dominação política comandada pela casta minoritária que domina os poderes republicanos será, dialeticamente, removida, se a democracia, surgida a partir dos excluídos, for suficientemente resistente às tentativas da elite de evitar democratização do poder que movimento de favelados imprime à realidade a partir do Congresso nacional.

O financiamento público de campanha, no contexto de ampliação da ação democrática dos negros, pardos, índios, miscigenação que representa, indiscutivelmente, interesses da maioria, atenderia, majoritariamente, demanda pública e não privada.

Tem razão a elite de estar, no momento, intranquila quanto ao modo de financiar partidos em campanha eleitoral.

Teórica e praticamente, financiamento privado, que o STF proibiu, em nome da moralização pública, beneficiou, sempre, interesse privado.

A partir dele, estruturou-se prática político-partidária que culminou, entre outros acontecimentos dramáticos, com a Operação Lavajato, hoje, o terror dos que mais se beneficiaram dos financiamentos privados de campanhas milionárias resgatados, posteriormente, em dobro, pelos financiadores delas, na consecução de obras públicas fraudadas em concorrência arranjadas para usufruto dos interesses dos vitoriosos.

Na ausência dos financiamentos privados, agora, proibidos, tentam as elites abocanhar os financiamentos públicos em manobras político-eleitorais que tendem a desaparecer por força da opção dos eleitores de abandonarem os partidos que se afundaram na corrupção patrocinada pela grana dos poderosos.

NINGUÉM SEGURA

Nem de esquerda nem de direita. Eu sou preto.

Se a representação política passa a ser mais confiável ao eleitor numa estrutura partidária realmente compatível com o interesse de classe, como seria a que propõe partido dos favelados, pobres, negros e pardos, estaria aberto acesso destes ao dinheiro público em escala mais ampla, simplesmente, por serem maioria.

Impor-se-ia a lógica dos fatos: financiamento privado de campanha atende interesse privado, minoria do dinheiro que toma o poder para governar a maioria a partir dos partidos escassamente representativos, do ponto de vista popular.

Já, financiamento público visa o oposto, pelo menos, teoricamente, ou seja, o interesse público, majoritário.

Por isso, maior parcela dos recursos públicos disponíveis às campanhas eleitorais seria canalizada para os partidos mais representativos.

Nesse sentido, o partido dos favelados, organizando-se para arregimentar maioria da população pobre, socialmente excluída pelo modelo econômico superconcentrador da renda nacional e poupador de mão de obra, dominado pelo mercado financeiro especulativo, que detém quase 100% da dívida pública federal, girada ao juro mais caro do mundo, seria candidato natural, no jogo democrático, a dispor da maior parcela do financiamento público.

A elite, já preocupada com essa lógica, passou a defender o que lhe interessa, isto é, volta do financiamento privado.

O dinheiro dos ricos, certamente, não iria para o partido dos favelados, seu maior inimigo, é claro.

A destruição das conquistas sociais e econômicas acelerada pelos neoliberais que deram o golpe político em 2016 no PT representa a razão maior da burguesia financeira para fazer de tudo de modo a impedir a ascensão dos favelados ao Congresso.

A despeito disso, a marcha democrática revolucionária dos socialmente excluídos avança.

Saravá!