Fracasso explícito do golpe neoliberal

PIB DEVERÁ REGISTRAR MAIS UMA QUEDA DIANTE DA ESCASSEZ DO CONSUMO
Temer se certou dos homens do mercado cujo interesse não é o desenvolvimento do Brasil, mas a entrega do Brasil para os abutres internacionais por meio de uma política que é a negação do desenvolvimento econômico. Resultado: 15,2 milhões de lares brasileiros , 60 milhões de pessoas, sem trabalho, sem renda, para girar consumo, sem o qual não há arrecadação para tocar infraestrutura nacional, conforme, hoje, informa o Valor Econômico. Fala-se agora em desembolso de R$ 50 bi do Banco do Brasil para infraestrutura. Será? Ou a grana vai para pagar juros?

Lógica do fracasso

A excepcional equipe econômica do governo Temer, assim considerada pelo ministro Padilha, jogou a toalha.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn,  homem do Itaú, ponta de lança do time neoliberal, falou o óbvio, depois de bater cabeça: aumentar investimento, reconheceu, não resolve o problema.

Quem vai investir, se o consumo desabou, por conta do congelamento de gastos públicos, reajustando-os, apenas pela inflação do ano anterior, e não pelo crescimento da receita corrente líquida, expressa no aumento do PIB?

Como a arrecadação, necessária aos investimentos, é função do crescimento do PIB, como diz o economista Petrônio Portella Nunes Filho, consultor do Senado, se o governo, em nome do ajuste, achata o PIB, perde, consequentemente, receita tributária e capacidade de pagar dívida e investir.

Emerge tendência deflacionária que aprofunda, ainda mais, diminuição dos ingressos tributários.

O congelamento, em vez de diminuir, aumenta a dívida governamental, porque, aos juros escorchantes, pelos quais é rolada, impedem produção, distribuição, circulação e consumo.

A lógica neoliberal, de apostar no investimento, sem cuidar do consumo, não produz nem uma coisa nem outra.

Ilan agora diz que a jogada é estimular consumo para gerar produção.

Caiu por terra o argumento falacioso de que o PT quebrou o Brasil, porque adotou política macroeconômica equivocada, de aposta no consumismo irresponsável que aumentou dívida das famílias etc.

Desastre da crítica

Os críticos calam-se diante do essencial: o que aumentou as dívidas foram os juros da agiotagem, bloqueando, agora, consumo, sem o qual não há produção.

Esqueceram de consultar Marx para quem produção, dialeticamente, é consumo e consumo é produção.

Evidentemente, o governo tupiniquim deveria ter feito o que fizeram os governos dos países capitalistas desenvolvidos: diminuíram suas dívidas mediante não enxugamento de dinheiro na praça, que só aumenta juro, mas com aumento da oferta monetária, que produz efeito contrário, derrubada do custo do dinheiro.

Por isso, Europa, Estados Unidos, Japão e China conseguiram se recuperar da grande crise financeira especulativa global.

Dragui, presidente do BC europeu, semana passada, disse que os BCs aprenderam, com a crise especulativa, que lei de mercado não é melhor recomendação para exercitar política monetária estabilizadora.

Jogaram dinheiro contra dinheiro, veneno de cobra contra veneno de cobra, homeopatia econômica: expansionismo monetário, para combater dívida pública, congelada pelo juro zero ou negativo.

Os jênios, no Brasil, fizeram o contrário: em vez de congelarem dívida, congelaram gastos sociais que representam, dialeticamente, arrecadação com a qual governo investe em infraestrutura para puxar demanda global.

Quem aumenta déficit da previdência são os neoliberais, deprimindo consumo que destrói produção, emprego e renda.

Agora, que, desesperados, os jênios incham o déficit primário de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões, na vã esperança de establizar a economia, sentem o fumo de rolo grosso no rabo: o caixa do governo está baixo, não consegue se recuperar, porque perdeu capacidade de investimento.

Destruição do patrimônio nacional

Restam-lhes entregar patrimônio, como faz com Eletrobrás, empresa estruturante do desenvolvimento nacional, para não incorrer em crime fiscal.

As palavras do titular do BC saem no momento em que antecede mais uma divulgação do comportamento do PIB, previsto para próxima sexta feira.

Tombo à vista: no segundo trimestre, segundo estimativas adiantadas pelo mercado, pintou crescimento irrisório de 0,30%, em relação aos 1% alcançado no primeiro trimestre, caindo, também, em comparação ao mesmo período ano passado.

Confissão de incompetência neoliberal para tocar desenvolvimento nacional.

Quando Ilan vai fazer o que o BC americano fez para recuperar economia americana, ou seja, juro zero ou negativo, para evitar crescimento do maior empecilho ao desenvolvimento, que é juro alto incidente sobre dívida federal, que caminha para 100% do PIB, sinalizando calote?

Nunca, é claro, porque seu objetivo não é o interesse público, mas o interesse privado puramente especulativo, que coloca o Brasil, com as reformas neoliberais do ilegítimo Temer, responsáveis por capar renda disponível para o consumo, no rumo do passado, não do futuro.