Fracasso do estado mínimo neoliberal

SE NÃO ATENDER OS PEDIDOS E CHANTAGENS DE SUA BASE ELEITORAL, CAI.
A competentíssima equipe econômica fracassou no ajuste fiscal. Ele produz o oposto do que se espera. Argumentou-se que ele visava diminuir o tamanho do estado, para dar mais espaço ao setor privado. Não deu certo. O setor privado não investe se o governo não gasta, porque é gastando que ele arrecada para investir. Fala-se, agora, em acelerar privatizações. Mas, quem vai comprar empresas do governo, se o consumo está caindo? Corte de gastos revelou-se deficitário. Parte-se para o oposto. Amplia-se o gasto. É uma virada de 360 graus. Inicialmente, fixou-se uma meta de gastos de R$ 129 bi; passou para R$ 139 bi; agora, R$ 159 bi. Mas, os políticos, mais realistas que os economistas, sabem que com menos de R$ 170 bi para gastar com suas bases eleitorais, em 2018, não terão como ser reeleitos. O preço da reeleição é R$ 170 bi, no mínimo. Ou seja, Temer, sem os R$ 170 bi, não tem base parlamentar. Pode se sucumbir, se Janot voltar a atacá-lo, antes de deixar Procuradoria Geral da República, em setembro. Está completamente vulnerável.

CRONICAMENTE DEFICITÁRIO

O impasse dentro do governo criado pelo ajuste fiscal representa fracasso pronto e acabado do estado mínimo neoliberal.

O discurso saiu pela culatra.

Não tem nenhum ligação com realidade.

Pensou-se que o setor privado sobreviveria autonomamente sem o Estado, quanto mais enxugasse os gastos deste.

Deu xabu.

Estado que não gasta para movimentar circulação capitalista não arrecada impostos.

Sem impostos, não investe.

Sem investimento estatal, setor privado não enfia a mão no bolso, para fazer as vezes de estado.

Resultado: crescem as despesas fixas da máquina estatal que não gera demanda para o setor privado ampliar emprego, consumo, renda e arrecadação.

Sem produção, distribuição, circulação e consumo, o silogismo capitalista, segundo Marx, estado mínimo é pura ficção.

Vender patrimônio do estado para torná-lo, ainda, mais mínimo, deixa de ser atrativo ao empresário, se não gera consumidor para ele.

Vai privatizar aeroportos?

Mas, quem vai comprar, se o trabalhador deixa de viajar por falta de renda disponível para consumo de viagens aéreas?

Vai privatizar hidrelétricas, se as usinas venderão menos energia, devido à escassez do consumo?

Somente interessarão os investidores por esse ativo, se tiver preço negativo, é claro; caso contrário deixa de ser atrativo.

As controvérsias entre setores políticos e econômicos do governo se ampliam, porque aqueles não aceitam metas fiscais impossíveis de serem cumpridas, conforme programação destes.

As demandas sociais são crescentes quanto mais são destruídas pelo estado mínimo, que impede nascimento, crescimento e realização do consumo.

A produção não se realiza no consumo e vice versa.

Quanto mais se corta gasto social que produz consumidor,  mais o governo, compensatoriamente,  precisa gastar com juros da dívida, que cresce quanto mais avança o subconsumismo.

Faz-se necessário aumentar despesas financeiras para cobrir receitas não realizadas na produção, sem a qual não há arrecadação.

Estado mínimo destruidor de consumidor se autocondena, também, à destruição.

É o cachorro eternamente correndo para tentar morder o próprio rabo.

Sobretudo, o estado mínimo destrói eleitores dos políticos que precisam dos votos deles.

Assim, o discurso dos pregadores do estado enxuto entra em choque com a base política do governo que apregoa aumento dos gastos como condição sine qua non para se manter politicamente fiel.

O buraco fiscal não tem fundo na vigência do estado mínimo.

Política e democraticamente suicida.